O dia passa mais rápido do que eu esperava.
Talvez seja porque, pela primeira vez desde que cheguei em Chicago, o apartamento tem mais de duas pessoas dentro dele.
É quase normal.
Perto das seis, levanto da ilha e estico os braços.
— Vou pegar meu carregador — digo, sem esperar resposta. — O notebook está morrendo.
Vou até o quarto, pego o carregador enrolado na mesa de cabeceira e fico parada por alguns segundos olhando pela janela.
Lá fora, Chicago já está viva na sexta-feira, e o pôr do sol pinta os prédios de laranja e dourado, transformando a cidade em um cenário diferente.
Respiro fundo e volto pelo corredor, mas, antes que eu entre na cozinha, ouço as vozes deles.
— …tem um pub na Fulton Market que uma colega minha indicou — Tiffany diz, fechando o notebook. — Dizem que o drink de lá é ridiculamente bom.
— Então… quer ir lá comigo hoje?
— Sexta-feira em Chicago com alguém que conheço — ela considera, fingindo pensar. — Por que não?
Paro na porta por um segundo, sentindo falta disso. Falta dessa minha normalidade.
Depois, respiro fundo e entro na cozinha como se não tivesse ouvido nada. Pego o notebook e sento de volta no lugar, conectando o carregador com mais força do que o necessário.
— Achei — digo, levantando o carregador como se precisasse de prova.
Tiffany sorri, enquanto Owen me observa em silêncio por dois segundos longos demais.
— Tudo bem? — ele pergunta, por fim.
— Tudo — respondo, me sentando. — O que eu perdi?
— Nada importante — Tiffany diz, guardando as canetas na bolsa. — A gente estava pensando em sair mais tarde. Você quer…
— Sim — respondo, antes que ela termine. — Quero dizer… depende. Onde?
— Um pub na Fulton Market — Owen diz, me observando. — Mas seu guarda-costas não vai…
— Eu sei — corto, já sabendo o que ele vai falar. — Vou perguntar mesmo assim. Vai que ele foi abduzido e a versão nova é mais boazinha.
Levanto antes que alguém possa comentar qualquer coisa e caminho até a sala.
Blake está no mesmo lugar de sempre. Em pé, próximo à janela, com o tablet na mão e aquela postura alinhada de quem está em um turno que nunca termina.
— Blake.
Ele levanta os olhos do tablet, atento no mesmo segundo.
— Posso sair com eles esta noite? Um pub aqui perto, Fulton Market, sei lá, você provavelmente conhece cada centímetro do lugar.
— Não.
— Você nem pensou.
— Já pensei.
— E?
— Não — responde, com a voz neutra. — Ambientes noturnos aumentam as variáveis. Não posso liberar isso.
— Vou com eles — insisto, apontando por cima do ombro na direção da cozinha. — Não sozinha. Com gente que você mesmo já verificou.
— Não muda o cenário.

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