“Blake Reeve”
Fico parado no meio da cozinha como um idiota, com o cinto ainda meio aberto, o pau latejando e o gosto dela ainda na minha boca.
Sophia se afasta sem olhar para trás. O balanço suave da camisola de seda na bunda dela é a última coisa que vejo antes de ela desaparecer no corredor.
— Mas que filha da… — paro, passando a mão no rosto. — Porra!
Puxo o ar pelo nariz e solto devagar. A sensação das coxas dela apertando minha cabeça, dos gemidos roucos dizendo meu nome, do jeito como ela gozou na minha língua… tudo ainda está fresco demais.
E ela simplesmente… parou.
Porra.
O sangue ainda pulsa quente nas veias. Meu corpo inteiro está tenso, pronto para ir atrás dela, jogá-la na cama e terminar o que começamos. Ou melhor, o que ela começou e largou no meio.
Puxo o cinto com um movimento seco e fecho a fivela com mais força do que o necessário. O desconforto dentro da calça é quase insuportável, mas eu ignoro.
Já aguentei coisa pior.
Respiro fundo uma, duas vezes, tentando forçar o cérebro a voltar para o lugar certo. Preciso de foco.
Pego o tablet na bancada e vou até a janela da sala, olhando para a rua escura lá embaixo antes de desbloquear a tela. Abro o relatório de segurança do prédio, as câmeras do corredor, o log de acessos.
Simon mandou a segunda mensagem desde que chegamos a Chicago.
O filho da puta está brincando com a gente, testando limites, e eu aqui, quase fodendo minha protegida na bancada da cozinha como se não houvesse uma ameaça real lá fora.
Não posso me dar esse luxo.
Mas a imagem dela na bancada não sai da cabeça. A seda escorregando em sua pele macia, o jeito como ela sorriu depois… aquele sorrisinho maldoso, satisfeito, vingativo.
“Obrigada por tornar o meu sonho realidade”.
Que sonho, porra?
— Preciso trabalhar — digo, puxando o celular do bolso. — Preciso me concentrar antes que eu faça mais alguma merda.
Disco o número do Elijah, que atende no segundo toque.
— Blake. — A voz dele sai calma, mas já com aquele tom de quem sabe que não é só uma ligação de rotina. — Algum problema?
— Simon mandou outra mensagem hoje. Número desconhecido, texto vago, mas claramente direcionado a ela — digo, direto ao ponto. — Nada que indique que ele já sabe a localização exata, mas o padrão está mudando. Ele está se aproximando.
Passo a mão no rosto, finalmente conseguindo retomar o controle dos pensamentos.
— Quero que você acelere a investigação do lado dele. Qualquer movimento financeiro, viagem, contato com antigos conhecidos… tudo — continuo, seco. — Quero ter certeza de que ele não conseguiu rastreá-la através dos amigos da Sophia.
— Sophia? Perdi alguma coisa aqui? — ele pergunta, sem esconder a surpresa. — Você está dormindo com a protegida, Blake? Porque, se for isso, eu te avisei antes de você aceitar esse contrato.
Fecho os olhos por um segundo, me dando conta da naturalidade com que o nome dela saiu. É claro que ele ia notar isso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Babá Proibida do CEO