Não consigo ficar mais de vinte minutos sentado no sofá. O relatório de segurança está aberto no tablet, mas as palavras não fazem sentido.
Meu corpo ainda está elétrico, o desconforto dentro da calça rouba minha atenção a todo momento e o gosto dela, doce, quente, viciante, continua na minha boca.
Cada vez que fecho os olhos, vejo Sophia saindo da cozinha com aquele sorrisinho satisfeito e a camisola de seda mal cobrindo as coxas.
Como se nada tivesse acontecido. Como se ela não tivesse acabado de gozar na minha boca.
— Chega dessa merda — murmuro, me levantando bruscamente, fazendo o sofá ranger com o movimento.
Ando pelo corredor com passos pesados e paro em frente à porta do quarto dela. Nem me preocupo em bater. Giro a maçaneta e entro.
Sophia está sentada no meio da cama, com as pernas cruzadas, ainda vestindo aquela camisola maldita. O cabelo dela está solto e bagunçado.
Quando me vê, ela levanta uma sobrancelha, surpresa por um segundo, antes de recuperar o ar provocador de sempre.
— Veio terminar o que eu comecei? — pergunta, inclinando levemente a cabeça, com aquele sorriso que só piora tudo.
Fecho a porta com um clique seco e encosto as costas nela. Cruzo os braços, tentando controlar a respiração.
— Acha que foi certo o que você fez? — pergunto, direto.
— Qual parte, exatamente?
— Você sabe muito bem. Você me provocou, me instigou. Me usou como brinquedo e depois me deixou duro no meio da cozinha, como se isso fosse um jogo divertido para você.
Me aproximo um passo, e ela não recua. Pelo contrário, desliza devagar até a beirada da cama, como se estivesse me esperando.
— Eu aguentei o beijo bêbado. Aguentei você fingindo que nada estava acontecendo. Aguentei até você pedir para eu voltar para o apartamento. Mas hoje você foi longe demais, Sophia.
— Eu só te dei um gostinho do que eu sinto toda vez que você chega perto e depois recua — responde, dando de ombros. — Você sempre recua, Blake. Sempre.
— Porque eu sou o responsável por você continuar viva, porra! — explodo, dando mais dois passos até parar bem na frente dela. — Porque tem um psicopata pronto para vir atrás de você, e eu não posso me dar ao luxo de estar com a cabeça entre as suas pernas em vez de estar vigiando as câmeras!
O silêncio que cai depois disso pesa mais do que qualquer grito. Sophia me encara por longos segundos, e o ar provocador desaparece devagar do rosto dela.
— Eu sei disso — diz, num tom baixo, quase cansado. — Eu sei que você tem um trabalho pra fazer. Mas eu também sei que você me quer. Sinto isso toda vez que você me olha. E toda vez que você se afasta… me sinto uma idiota. Uma distração inconveniente que você precisa controlar.
Ela solta o ar, olhando para as próprias mãos por um momento antes de voltar os olhos para mim.
— Te provoco porque é a única forma que encontro de fazer você admitir que também sente isso. Senão, você vai continuar se escondendo atrás de protocolos e desse “isso não é uma boa ideia”. Mas, sinceramente, eu cansei, Blake. Cansei de ser a única que quer mais.

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