“Lucas Sinclair”
Odeio jantares de família.
Sempre odiei.
As conversas vazias, os sorrisos forçados, o teatro de “família feliz” que todos encenam por algumas horas antes de voltarem às suas vidas separadas.
Mas este ano está pior.
Muito pior.
Porque Ivy está sentada do outro lado da mesa, rindo de algo que meu primo acabou de dizer.
E eu estou preso aqui, fingindo prestar atenção numa conversa sobre investimentos com meu pai e o tio Bernard, quando tudo o que consigo fazer é observá-la.
Observar como ela sorri de um jeito genuíno, não aquele sorriso educado que vem usando desde que chegamos.
Observar como se inclina levemente para ouvir melhor quando Helen fala mais baixo.
Observar Eric se aproximar toda vez que faz uma piada.
Perto demais.
Aperto o garfo com mais força do que o necessário.
— Lucas, você está me ouvindo? — A voz do meu pai me puxa de volta à mesa.
— Claro — minto, levando a taça de vinho à boca e dando um gole maior do que pretendia.
Ele ergue a sobrancelha, claramente insatisfeito, mas não insiste. Apenas volta a falar com Bernard sobre ações, fusões, números que, em qualquer outro dia, prenderiam minha atenção.
Hoje, não servem para nada.
Hoje, minha atenção está completamente sequestrada por uma babá de dezenove anos que não deveria estar mexendo comigo desse jeito.
Eric se inclina outra vez, murmurando algo no ouvido de Ivy. Ela ri, levando a mão à boca, e seus olhos brilham de um jeito que faz meu maxilar travar.
Merda. Preciso parar com isso.
Apoio o cotovelo na mesa, deslizo o polegar pela borda da taça e respiro fundo, tentando me ancorar em qualquer coisa que não seja Ivy rindo do outro lado.
— Você viu o relatório do último trimestre? — Bernard pergunta, como se não existisse assunto pior para um jantar de Natal do que negócios.
— Vi — respondo no automático. — Precisamos rever a estratégia de expansão no segundo semestre.
As palavras saem no tom certo. O controle, intacto, e eles assentem, satisfeitos.
Ótimo. Lucas Sinclair está de volta ao papel esperado.
O CEO implacável. O filho exemplar. O homem que sabe exatamente onde está pisando.
Por dentro, é outra história.
Volto a atenção para o prato, mas é inútil fingir indiferença quando Oliver se levanta, pega o prato e se senta ao lado de Ivy.
— Ivy, me ajuda — ele pede, fazendo biquinho. — Isso tá difícil, e o papai tá ocupado falando de coisas chatas.
E, pela primeira vez desde que se sentou à mesa, Ivy olha para mim.
Eu deveria ficar satisfeito por finalmente ter a atenção dela, mas saber que isso só acontece porque falhei em algo básico com meu filho tira qualquer gosto da vitória.
Ela cobre a mão de Oliver com a dela e o ensina a cortar o peru. Com calma e paciência.
Meu filho sorri, orgulhoso, quando consegue sozinho. E é impossível não sorrir também.
Porque Ivy é boa com ele. De verdade.
Não por se sentir obrigada ou porque é seu trabalho, mas porque se importa.
— Papai! — Oliver me chama, erguendo o garfo. — Viu? Eu cortei sozinho!
— Vi, campeão — respondo, ainda sorrindo. — Bom trabalho.
Ele volta a comer, satisfeito, e Ivy me olha outra vez.

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