Algumas horas depois, já durante a noite, Diana e John se preparam para ir embora.
Diana beija a testa do neto, promete voltar amanhã, depois se despede de Lucas com aquela formalidade deles que parece fria, mas que eu já aprendi a ler de outra forma.
Quando passa por mim, não diz nada, só assente levemente.
John aperta o ombro do filho, diz alguma coisa baixa demais para eu ouvir, e os dois saem.
O quarto fica ainda mais silencioso.
Oliver voltou a dormir há alguns minutos, exatamente como o médico disse sobre o sono ficar irregular nos próximos dias.
Sophia continua sentada na cadeira ao lado da cama, mas, diferente das últimas horas, ela não está olhando para o sobrinho — está olhando para nós com aquela cara de quem já decidiu alguma coisa mentalmente.
— Sophia, está tarde — Lucas diz, levantando a sobrancelha. — Você também não vai embora?
— Não posso.
— Por quê?
Ela nos olha, alternando entre os dois com uma calma quase irritante.
— Como posso ir embora vendo meu irmão e minha cunhada parecendo dois zumbis?
— Estamos bem.
— Lucas, você está com a mesma roupa de ontem, e a Ivy está com olheiras até o queixo — ela responde, com a paciência de quem já esperava exatamente essa resposta. — Quanto tempo faz desde que você dormiu pela última vez?
Ele não responde, e isso faz Sophia olhar para mim.
— E você, Ivy?
— Tirei um cochilo na sala de espera de madrugada — digo, o que é tecnicamente verdade, se três horas na cadeira bege contam como cochilo.
Sophia me olha como se eu tivesse dito algo muito inocente.
— Vocês vão para casa — ela diz, quase ordenando. — Dormem de verdade, comem alguma coisa que não venha embalada, tomam banho com calma. Eu fico aqui com ele.
— Não precisa — Lucas diz.
— Sei que não precisa, mas quero — ela responde, revirando os olhos. — Lucas, Oliver está estável. Os médicos estão aqui. Eu estou aqui. O melhor que você pode fazer por ele agora é chegar descansado amanhã e ter disposição para ele.
Lucas fica em silêncio, como se procurasse um argumento, mas claramente não encontra um. Então, olha para mim.
Não digo nada. Só deixo o olhar falar por mim, porque sei que ela está certa, e às vezes é mais fácil ceder quando não se precisa ser convencido em voz alta.
Ele solta o ar devagar.
— Se qualquer coisa mudar…
— Vou te avisar. Juro.
Lucas olha para o filho por um momento. Oliver dorme tranquilamente, com o rosto relaxado e a respiração regular.
— Volto em uma hora — ele diz, por fim.

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