Dez dias é tempo suficiente para Oliver se lembrar de que detesta ficar parado.
Isso fica ainda mais claro às oito da manhã, quando ele já está sentado na beira da cama, já com os tênis nos pés, a mochila nas costas e aquela cara de quem está esperando explicações sobre o atraso.
— O médico já está vindo — digo, pela terceira vez desde que soubemos que ele receberá alta hoje.
— Mas ele ainda vai demorar?
— Não sei. Vamos ter que continuar esperando.
Ele faz uma careta, insatisfeito com a resposta completamente insatisfatória.
Lucas está encostado na janela, com o café na mão, e aquele sorriso de quem está claramente se divertindo.
— Você podia ajudar aqui — digo, sem olhar para ele.
— Estou ajudando. Estou aqui.
— Isso não é ajudar.
— Papai — Oliver chama, pronto para mais uma rodada de perguntas. — Eu posso comer panquecas quando chegar em casa?
— Sim.
— Quando vamos chegar em casa?
— Logo.
— Quanto é logo?
Lucas me olha, como se pedisse ajuda, e é a minha vez de me divertir com a situação.
— Sabe o que é “logo”, Oliver? — Lucas responde, respirando fundo. — Quando o médico aparecer, a gente conversar com ele, assinar os papéis e só então será logo.
— E se eu já estiver curado antes do médico chegar, papai?
— Não funciona assim.
— Como você sabe?
— Oliver.
— Tô perguntando.
Lucas coloca o café na mesinha e se encosta na cama, ao lado do filho, com aquela paciência que sempre admirei.
— Escuta, campeão. Quanto mais você ficar perguntando, mais devagar o tempo passa. Então, a melhor coisa que você pode fazer agora é ficar quietinho por alguns minutos e, quando você menos esperar, o médico vai estar aqui.
Oliver o encara, pondera por um segundo e finalmente obedece, com aquele olhar determinado de quem está levando a tarefa muito a sério.
Olho para Lucas, que levanta os ombros discretamente, como quem diz “comprei uns cinco minutos, no máximo”.
O médico chega dez minutos depois, quando Oliver já desistiu de ficar quietinho e voltou a perguntar por ele.
O médico entra com um leve toque na porta, como se já estivesse acostumado a invadir momentos como esse.
— Bom dia — ele diz, sorrindo ao olhar para Oliver. — Vejo que alguém está pronto para ir embora.
— Você demorou muito! — Oliver responde, cruzando os braços. — Eu quero ir embora logo.
— Então vamos ver se conseguimos resolver isso — o médico continua, se aproximando da cama.
Ele começa a examinar Oliver com calma, checando os pontos, ouvindo a respiração, fazendo perguntas simples que Oliver responde com muito mais entusiasmo do que respondeu na última vez.
— Está sentindo dor?
— Não.
— Está tonto?
— Não.
— Vontade de ir para casa?
— Muita.
— Isso é um ótimo sinal, Oliver.
— Então posso ir pra casa agora? — o pequeno pergunta antes mesmo do médico terminar.
— Pode — ele responde, finalmente, com um pequeno aceno de cabeça. — Mas com algumas regras.
Oliver franze a testa.
Lucas ri, balançando a cabeça.
— Se isso é devagar, estou com medo de ver você correndo.
Oliver ignora completamente o comentário e começa a procurar alguma coisa.
— Cadê meu dinossauro?
— Está na sua mochila, filho.
— E cadê minha mochila?
— Está nas suas costas — respondo, apontando.
Ele olha para o próprio corpo, vê a mochila nas costas e assente, satisfeito.
— Tô oficialmente pronto!
Lucas passa a mão no rosto, rindo de verdade dessa vez.
Alguns minutos depois, a enfermeira entra com os papéis e explica rapidamente as orientações. Lucas assina, enquanto confirmo os horários de medicação, o retorno, os cuidados…
Tudo simples demais para o que passamos. Como se não tivesse existido um momento em que não sabíamos se ele voltaria para casa.
Quando finalmente terminamos, Oliver já está na porta, esperando ansiosamente.
— Podemos ir agora? — pergunta, como se existisse a possibilidade de alguém dizer não.
Lucas pega a bolsa com tudo o que acumulamos durante nossos dias aqui, eu ajeito o casaco do nosso pequeno, fechando os botões com cuidado.
Então trocamos um olhar rápido, um daqueles olhares que dizem tudo sem precisar de palavras.
Sobre o hospital.
Sobre o medo.
Sobre o fato de que ele está aqui, se recuperando bem, finalmente voltando para casa.
— Vamos — Lucas responde, por fim. — Tem uma surpresa esperando por você em casa. E você vai gostar.

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