Diana Sinclair não é o tipo de mulher que hesita na entrada de um cômodo.
Ela entra, avalia e decide se vale a pena ficar. Nessa ordem, sempre. É uma característica que eu já aprendi a reconhecer nela, assim como aprendi a reconhecer o que cada expressão dela significa.
Por isso, fico observando enquanto ela permanece olhando para o neto por tempo demais. O rosto dela é alívio puro, sem fingimentos.
Por fim, ela se aproxima da cama.
— Meu amor — ela murmura, se inclinando sobre Oliver com aquele carinho que parece existir só para ele.
Oliver olha para a avó com os olhos ainda pesados.
— Vovó.
— Oi, meu bem. — Ela passa a mão no rosto dele com cuidado, desviando do curativo. — Como você está se sentindo?
— Com fome — ele responde, com toda a seriedade do mundo.
Diana solta uma risada baixa.
— Vamos resolver isso — Diana diz, se virando para Lucas. — Filho, por que não vai ver se encontra algo para ele? Fico aqui enquanto isso.
Lucas olha para o filho, que faz que sim com a cabeça, e se levanta. Ele passa por mim, me dá um beijo na testa e sai, obedecendo às ordens da mãe.
Permaneço em pé em frente à janela, o mais distante possível dela. A reação é instintiva, aquele reflexo de sempre ocupar o mínimo de espaço possível quando Diana Sinclair está na sala.
Ela fica com Oliver por alguns minutos, falando baixo, perguntando coisas simples, como se o momento precisasse ser protegido de qualquer outra realidade.
E, depois do susto que tivemos com o acidente, talvez ela, assim como nós, tenha aprendido a valorizar ainda mais cada segundo com ele.
Então, como esperado, Oliver volta a dormir antes mesmo de Lucas voltar. O corpo dele ainda está em modo de recuperação, e o esforço de ficar acordado claramente cobrou o preço.
Diana beija a testa dele com cuidado, se levanta devagar… e se vira para mim.
Me preparo, instintivamente, para o que quer que venha. A observação disfarçada, o comentário com duplo sentido, o silêncio que diz mais do que deveria.
— Ivy, como está?
— Estou bem — respondo, com cuidado. — Obrigada.
Diana assente, ficando em silêncio por um segundo.
— Eu sei o que você fez no dia do acidente — ela diz, por fim, baixo o suficiente para só eu ouvir. — O sangue.
Balanço a cabeça, sem saber o que responder.
É a primeira vez que Diana parece gentil, sem aquele olhar analítico que ela sempre me dá quando estou por perto.
E eu simplesmente… não sei como reagir.
— Lucas me contou — continua, como se precisasse explicar de onde veio a informação. — Disse que, numa situação como aquela, o hospital precisava de um tipo específico… e que você era a melhor opção.
Assinto, já ciente da explicação vaga que Lucas deu a todos. Neste momento, em que Oliver é o foco principal, Lucas achou melhor omitir a verdade sobre a paternidade.
— Eu faria qualquer coisa pelo Oliver — digo, por fim. — Sangue, tempo, meu coração, o que for preciso.
— Eu sei — murmura, ajeitando discretamente a manga do casaco. — Nem todo mundo faria isso. Principalmente sem pensar duas vezes.
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Vinte minutos depois, a porta se abre de novo e Sophia entra, com John logo atrás.
Sophia para na entrada, observando Oliver por um segundo, enquanto seus olhos se enchem de lágrimas imediatamente. Ela não faz nenhum esforço para esconder isso.
— Meu Deus do céu — Sophia murmura, se aproximando da cama. — Oliver, meu amorzinho.
— Titia — ele responde, baixinho.
Ela ri, enxugando as lágrimas, e o beija com cuidado. John se aproxima de Lucas, colocando a mão brevemente no ombro dele.
O quarto fica cheio, mas o silêncio se mantém.
Aquele silêncio de quem tem muito o que dizer, muito o que comemorar, mas que entende que agora não é hora disso. Que o mais importante já aconteceu, e o resto pode esperar.
Oliver olha para cada um, depois sorri.
— Todo mundo veio me ver — ele diz, por fim.
— E ainda tem mais pessoas querendo vir — Lucas responde, se sentando ao lado do filho.
O pequeno o encara por um momento.
— Quando a Sra. Mallory vem? Eu quero panquecas, papai!
É impossível não rir, e todos fazem o mesmo, porque, às vezes, o alívio só encontra saída assim, pelo absurdo pequeno e perfeito de uma criança de quatro anos que quase não estava aqui, querendo panquecas.

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