Acordo com a sensação de que dormi, no máximo, duas horas.
O que não está muito longe da verdade.
Passei a madrugada inteira me revirando na cama, repassando cada segundo do que aconteceu. A boca dele. As mãos dele. Mas, principalmente, as palavras.
“Você merece mais do que isso.”
Aperto os olhos, como se isso fosse suficiente para apagar a lembrança. Mas não é.
Meu corpo ainda lembra dos toques, dos beijos… de cada segundo antes dele parar.
E a pior parte?
Parte de mim queria que ele não tivesse parado. Mesmo sabendo que ele estava certo. Mesmo sabendo que seria errado.
Eu queria.
Solto um suspiro pesado e me levanto, arrastando os pés até o banheiro.
O espelho confirma o desastre: olheiras fundas, cabelo completamente fora de controle, pele pálida. Um zumbi emocional, versão deluxe.
Lavo o rosto, escovo os dentes e visto a primeira roupa que encontro. Depois, saio do quarto e desço as escadas devagar, torcendo para não cruzar com ninguém.
Especialmente com Lucas.
Porque não faço a menor ideia do que dizer quando o vir.
“Oi, bom dia, obrigada por não ter transado comigo ontem porque você teve pena da virgem?”
Bem espontânea. Um poço de charme.
Ouço vozes vindo da sala de estar, mas nem cogito ir até lá. Mudo a rota imediatamente e sigo para a cozinha.
— Um café antes de enfrentar a vida — murmuro, andando pelo corredor.
Quando entro, uma funcionária termina de lavar a louça, mas, pelo menos, a cafeteira ainda está ligada.
Pequenas vitórias.
— Bom dia — digo, sem muita convicção.
— Bom dia, senhorita — ela responde, sorrindo. — O café da manhã já foi recolhido. Quer que eu prepare algo?
— Não precisa. Só… café mesmo.
Ela assente e volta à louça enquanto me sirvo.
Demoro o máximo possível, enrolando até o café quase esfriar completamente. Qualquer coisa para adiar o inevitável.
Mas quando a moça termina e me lança um olhar educado, porém claramente do tipo “pode terminar isso?”, deixo a xícara na pia e saio da cozinha.
Hora de enfrentar o dia. Ou, pelo menos, fingir que consigo. Afinal, não posso ficar trancada no quarto pelo resto do dia.
Sigo o som das vozes até a sala de estar e paro na entrada, observando a cena.
Diana e John estão sentados no sofá maior, conversando em voz baixa. Blair ocupa uma das poltronas, completamente focada no celular. Do outro lado da sala, Sophia e Helen riem de alguma coisa.
Oliver está no tapete, cercado de brinquedos, concentrado em montar algo com blocos de Lego.
E Lucas… Ele está de pé em frente à janela, com uma xícara de café na mão, olhando para fora.
— Bom dia — digo, entrando na sala.
Todos se viram para mim, incluindo Lucas, claro.

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