Lucas não responde de imediato.
Mantém os olhos na estrada, mas aperta o volante, como se estivesse calculando cada palavra antes mesmo de deixá-la existir.
— Fazer o quê? — pergunta, por fim.
— Inventar uma desculpa para eu não sair com o Eric.
Ele solta uma risada curta, sem humor.
— Não inventei nada. Estamos indo embora, não estamos?
— Mas não precisava ser tão rápido — rebato, virando o rosto para encará-lo. — Você só disse isso para…
— Para quê, Ivy? — ele insiste quando paro de falar. — Termina a frase.
Aperto os punhos no colo.
— Para me impedir de ir.
— E funcionou — ele responde, voltando a atenção para a estrada.
— Você não manda em mim, Lucas.
— Eu sei — concorda, calmo demais. — Mas enquanto você trabalha para mim, enquanto está sob minha responsabilidade, tenho o direito de tomar algumas decisões.
— Decisões? — repito, incrédula. — Você está falando sério?
— Completamente. Alguém precisa agir como adulto aqui.
Balanço a cabeça, soltando uma risada sem qualquer humor.
— Você fala como se eu fosse uma criança.
— Não. Não estou tratando porque sei que não é — responde, me olhando rapidamente. — Mas também não está agindo como adulta.
— Sério? Você acabou mesmo de dizer isso?
— Disse — ele confirma, num tom controlado demais. — Porque você continua testando meus limites, mesmo sabendo quais são as consequências.
— Testando seus limites? — repito, e minha voz sai mais baixa do que eu gostaria. — Engraçado… porque, até onde eu sei, foi você quem cruzou os meus primeiro.
O maxilar dele se contrai na mesma hora, mas, mesmo assim, continuo.
— Você não pode simplesmente aparecer no meu quarto no meio da noite, me beijar, quase… — paro, respirando fundo. — E depois agir como se pudesse mandar em mim.
Lucas abre a boca para responder, mas um resmungo baixo no banco de trás nos interrompe.
Olho por cima do ombro e vejo Oliver se mexer, ajeitando a cabeça contra a janela. Ele murmura algo incompreensível antes de voltar a respirar pesado.
Quando me viro para frente, Lucas me lança um olhar rápido, mas é o bastante para eu perceber algo perigoso ali.
— Chega desse assunto — diz, baixo e firme. — O Oliver está no carro.
— Ele está dormindo.
— Não importa — ele corta, voltando os olhos para a estrada. — Essa conversa já foi longe demais. Não vamos terminá-la agora.
O tom é definitivo. Não é um pedido.
Respiro fundo, tentando puxar de volta a razão, a mesma que sempre me abandona quando Lucas está por perto.
Ele está certo, Oliver está aqui com a gente. Dormindo, mas está.
Mesmo assim…
Cruzo os braços e me viro para a janela, tentando ignorar o calor que sobe pelo pescoço, o jeito como meu coração acelera só por ouvir esse tom mandão.
— Você sempre decide quando começa e quando termina — resmungo, irritada.
Lucas não responde. Apenas aperta o volante com mais força e acelera, o que só me irrita ainda mais.

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