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A Babá Virgem e o Viúvo que Não Sabia Amar romance Capítulo 210

O sol já se inclinava no céu, tingindo o horizonte de tons dourados e alaranjados que se refletiam na superfície cristalina do riacho. Aquele cenário bucólico parecia saído de um quadro: a relva macia ainda úmida pelo orvalho da manhã, o cheiro fresco da água correndo preguiçosa entre as pedras, e o canto distante dos pássaros que regressavam às copas das árvores.

Na toalha estendida sobre o gramado, Isabella tentava se entregar ao momento. O chapéu de palha, caído de leve sobre o rosto, a protegia do sol poente, enquanto os óculos escuros escondiam seus olhos atentos. Para quem observasse de longe, ela parecia tranquila, mas por dentro seus pensamentos giravam em torno de um certo homem que, a poucos metros dali, deixava o corpo exposto à luz dourada do fim de tarde.

Giulia também olhava intensamente para o namorado, que brincava com a sobrinha dentro do riacho. A visão era ao mesmo tempo encantadora quanto excitante, Theo usava apenas um short simples e estava completamente molhado, o que fazia a mente de Giulia vagar por um terreno perigoso. Um suspiro escapou de seus lábios e foi justamente nesse instante que a voz arrastada de Beatriz cortou o ar.

— E aí, Gi… — ela começou, com um sorriso malicioso, como quem prepara uma armadilha. — Não vai aproveitar a água pra se refrescar?

Giulia, que até então se distraía encarando a imagem do namorado, piscou surpresa. Endireitou a postura e tentou soar casual:

— Tô de boa aqui… só curtindo a vista.

Isabella ergueu uma sobrancelha, intrigada, e ajeitou-se sobre a toalha para acompanhar a cena. Já sabia que Beatriz não largaria tão fácil.

— Curtindo a vista, né? — repetiu a prima, inclinando-se para frente e apoiando o cotovelo no joelho, os olhos brilhando de travessura. — Da água… ou do Theo sem camisa ajudando o Lorenzo ali?

O efeito foi imediato. Giulia tossiu desajeitada, quase engasgando com o gole de suco, batendo no próprio peito enquanto o rubor lhe subia pelas bochechas. Isabella mordeu o lábio para não rir, mas já se ajeitava para assistir ao espetáculo.

— Beatriz! — protestou Giulia, arregalando os olhos. — Claro que eu posso olhar pro meu namorado, não?

Beatriz arqueou a sobrancelha, satisfeita com a reação.

— Pode, Gi. Mas… o jeito que você está olhando é outro assunto. Esse olhar aí sugere intenções bem mais intensas do que só admirar a paisagem.

— E o que meu olhar sugere, Beatriz?! — Giulia rebateu, tentando disfarçar a risada.

Beatriz deu uma risadinha vitoriosa e apontou descaradamente para o riacho.

— Sugere que essa cachoeira aí seria cenário perfeito pra um sexo ao ar livre.

Isabella, que levava a garrafa d’água à boca, engasgou e quase deixou o chapéu cair.

— Bia! — exclamou, rindo e chocada. — Você fala essas coisas assim… do nada?!

— Ué — ela deu de ombros, com inocência fingida. — Alguém tem que deixar a conversa interessante. Quer que eu fale de quê? Receita de bolo de fubá?

Giulia semicerrava os olhos, mas de repente virou-se lentamente para Isabella, como se tivesse feito uma descoberta.

— Peraí… — disse devagar, com a voz carregada de suspeita. — Isa, por acaso… você ficou vermelha?

O coração de Isabella disparou. Ela tentou olhar para o nada, mas seu silêncio a entregava. Giulia arregalou os olhos e quase gritou:

— VOCÊ e o MEU IRMÃO… nesse riacho?!

O tom ecoou mais alto do que deveria. Lá dentro da água, Lorenzo virou a cabeça, franzindo o cenho. Isabella fez sinal desesperado de silêncio, enquanto Beatriz rolava na grama, gargalhando até perder o fôlego.

— Shhh! — Isabella sussurrou, rindo nervosa. — Não fala tão alto! A Aurora tá ali!

— Eu não acredito! — Giulia bateu na perna, entre indignada e divertida. — O meu irmão, tão metódico, certinho… transando ao ar livre? Ele?! Nunca!

Beatriz, ainda rindo de lágrimas nos olhos, completou:

— E detalhe: foi a Isabella quem arrastou ele pra cá, pode apostar.

Lorenzo arqueou a sobrancelha, claramente desconfiado.

— Bolo de fubá? Vocês riem desse jeito por causa de bolo?

— Claro! — Beatriz sorriu com doçura ensaiada. — Estamos… discutindo novas receitas.

Lorenzo arqueou uma sobrancelha, agora ainda mais curioso:

— Novas receitas? — Um sorriso surgiu no canto da boca. — Interessante… então por que Giulia tá parecendo que correu uma maratona, hein?

— Porque… — Giulia balbuciou, tentando inventar algo. — Porque… tá muito calor.

— Calor, é? — Lorenzo disse, estreitando os olhos, desconfiado. — Então beleza… mais tarde a gente conversa, Isabella.

O rubor voltou com força, e dessa vez nem Giulia nem Beatriz conseguiram se segurar: caíram na risada escandalosa. Benjamin, no colo do pai, começou a bater palminhas, sem entender nada, tornando tudo ainda mais doce.

Lorenzo se afastou devagar, mas não sem antes lançar um último olhar carregado de promessa para Isabella. Foi o suficiente para fazê-la sentir o estômago despencar.

Assim que ele se distanciou, Beatriz se inclinou para Giulia e murmurou, maliciosa:

— Ih, Gi… pelo visto, essa cachoeira hoje vai ser disputada.

As duas caíram novamente na risada, enquanto Isabella escondia o rosto com o chapéu, morta de vergonha. Mas lá no fundo, entre a confusão de risadas e provocações, uma parte dela não conseguia ignorar a sensação estranha que aquele olhar de Lorenzo havia deixado. Um aviso silencioso. Uma promessa.

E enquanto o sol descia no horizonte, tingindo a água de ouro líquido, Isabella sentiu que aquela tarde ainda estava longe de terminar…

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