Vivian
Vivian ajeitou a pasta de couro contra o peito enquanto atravessava o hall luxuoso do Grupo Braga. Apenas dois dias antes, fazia aquele mesmo trajeto com o coração cheio de esperança; agora, estar de volta àquele prédio trazia um peso sufocante.
As recepcionistas a reconheceram de imediato. Trocaram olhares discretos, alguns carregados de curiosidade, outros de pena. Vivian ergueu o queixo e manteve o passo firme. Não estava ali para mendigar nada, apenas para encerrar um ciclo.
Aproveitou que tinha sua primeira entrevista de emprego marcada para a tarde e veio cedo assinar a rescisão, além de devolver o celular e o cartão corporativo que usara nos últimos três anos. O Sr. Santos, do RH, parecia ter contado para todo mundo que ela apareceria. Assim que chegou, várias colegas de trabalho correram ao seu encontro.
- Senhora Vivian… - começou uma delas, hesitante, sem saber se a chamava pelo sobrenome Braga ou não. - Graças a Deus a senhora está de volta!
- Na verdade, eu só vim assinar a rescisão. - respondeu.
A decepção no rosto das mulheres era quase uma caricatura. Antes que ela pudesse se retirar, insistiram para que subisse até a copa da presidência. Queriam que ela ensinasse como fazer o café do chefe, talvez assim conseguissem manter o emprego. O clima no andar estava insuportável: nos últimos dois dias, Eduardo parecia ainda mais intragável que o habitual.
Vivian respirou fundo e, com um meio sorriso, aceitou. Explicou às colegas a quantidade exata do blend que precisavam moer, demonstrando a prática com naturalidade. Estava no meio da explicação quando uma voz inconfundível interrompeu o ambiente:
- Talvez seja melhor transferir o escritório para a copa… - Eduardo entrou falando, mas a frase morreu assim que seus olhos pousaram nela.
Ele estava impecável como sempre: terno escuro sob medida, gravata perfeitamente ajustada, cabelos alinhados. Ainda assim, havia algo diferente. A aparência cansada, as olheiras discretas e a tensão no maxilar denunciavam noites mal dormidas.
Ao lado dele estavam Gustavo, em seu habitual silêncio prudente, e Elisa, que se agarrava ao braço do vice-presidente como se fosse um troféu.
Vivian manteve-se firme, mesmo com o impacto.
- Se veio tentar o RH, pode desistir - disse Eduardo, ríspido. - Já proibi qualquer recontratação. Não aceito funcionários problemáticos.
Ela piscou devagar, surpresa com o ódio nos olhos dele. Estava acostumada ao Eduardo frio, distante, mas aquele olhar assassino era novidade.
- Vice-presidente, eu apenas mostrei às suas secretárias como preparar o café. - respondeu num tom neutro. - Já assinei minha rescisão e devolvi o que era da empresa.
As secretárias aproveitaram para desaparecer da copa, deixando o clima ainda mais pesado.
- Você devia ser profissional. - ele insistiu, aproximando-se. - Abandonar o emprego sem repassar suas funções é uma falta grave.
Vivian deixou escapar um sorriso sem humor.
- O herdeiro Braga nunca precisou se preocupar com leis trabalhistas, não é? Estagiários não têm que cumprir aviso prévio. - rebateu.
O silêncio que se seguiu era cortante. Gustavo pigarreou, visivelmente desconfortável. Elisa, por sua vez, sorriu com falsidade - o mesmo sorriso maldoso que Vivian conhecia desde a juventude.
O corredor ficou em silêncio. Gustavo tossiu, nervoso. Os funcionários que passavam diminuíram o passo, atentos à cena.
Vivian não se abalou. Estendeu o celular com o QR Code.
- Que atenciosa. Aproveita e me manda também o contato do seu cabeleireiro e do cirurgião plástico.
O sorriso de Elisa vacilou. Não era a reação que esperava. Se Vivian criasse uma cena Eduardo odiaria mais ainda a ex mulher. Procurando recuperar o controle, arriscou:
- Você está pensando em fazer algum procedimento? Eu poderia…
Vivian ergueu a mão, cortando-a no meio da frase.
- Não, querida. Prefiro o natural. Mas é sempre útil saber de quem não devemos procurar.
Dessa vez, Elisa empalideceu, sem encontrar réplica.
O elevador chegou, como previsto, no andar da presidência. Vivian entrou sem olhar para trás. As portas se fecharam, deixando no corredor o silêncio furioso de Eduardo, a decepção de Elisa e o desconforto visível de Gustavo.
Só então, a sós, Vivian deixou os ombros caírem. Fingira serenidade diante de todos, mas o coração batia apertado. Por mais firme que estivesse, aquele reencontro ainda doía.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....