Vivian abriu os olhos devagar, a cabeça latejando como se martelos a golpeassem por dentro. A primeira sensação foi de estranhamento: a maciez excessiva do colchão, o cheiro amadeirado misturado a um perfume masculino familiar. Virou-se e, ao reconhecer os móveis imponentes de linhas sóbrias, sentiu o estômago despencar.
O quarto de Eduardo.
Um barulho de água cessou no banheiro. A porta se abriu e ele surgiu envolto apenas em uma toalha, os cabelos úmidos escorrendo pelas têmporas e pelo pescoço até desaparecerem no peito largo. O coração de Vivian disparou quando notou que estava vestindo apenas uma camisa dele - larga demais, caindo até o meio das coxas.
- O que eu… o que eu estou fazendo aqui? - murmurou, a voz rouca, ainda embargada de ressaca. - Onde estão minhas roupas?
Eduardo arqueou uma sobrancelha, divertido com a expressão dela.
- Onde deviam estar: no cesto da lavanderia. - Afastou-se um pouco, abrindo o closet com a calma de quem tinha o controle da cena. - E, antes que pergunte outra besteira, não tenho fetiche em necrofilia.
Vivian o encarou, confusa. Ele sorriu malicioso, aproximando-se devagar, cada passo carregado de uma provocação silenciosa.
- Mas me diga, Vivian… por que tanta preocupação? Quantas vezes já dormimos nessa cama?
O rubor subiu às bochechas dela como fogo. Inspirou fundo, tentando recuperar a compostura.
- Isso foi antes. Agora é diferente. Nós estamos separados. Então, por favor… me respeite.
Eduardo soltou uma risada baixa, grave, carregada de ironia. Então, sem qualquer aviso, deixou a toalha escorregar dos dedos e cair ao chão.
Vivian ofegou, os olhos arregalados. Lutou contra o impulso de encarar o corpo dele, mas foi inútil: cada linha daquele abdômen rígido, a pele ainda úmida, a arrogância natural com que ele se exibia… tudo a desnorteava. O calor subiu pelo rosto, e ela praguejou entre dentes, virando-se depressa.
- Você é… insuportável!
Ele inclinou-se mais perto, a voz baixa, carregada de provocação:
- Interessante… porque eu me lembro muito bem de você pedindo por mais. Justamente nessa cama.
Vivian pulou da cama e disparou para o banheiro, batendo a porta com força. Precisava de um banho gelado urgente. Precisava apagar da pele aquela lembrança incômoda de desejo.
Dentro do box, deixou a água fria escorrer por todo o corpo, tentando recuperar a sobriedade e, principalmente, a sanidade. Mas, a cada segundo, a imagem de Eduardo surgia em sua mente: o corpo escultural, a confiança insolente, o jeito que a desarmava com apenas uma frase.
Minutos depois, já com as roupas da noite anterior, saiu do quarto decidida a ir embora.
No andar de baixo, encontrou Eduardo impecável em um terno cinza-claro, sentado à cabeceira da mesa de café. Lia alguns papéis como se a cena de minutos atrás não tivesse acontecido.
- Eu vou indo. - anunciou, ajeitando a bolsa no ombro.
Eduardo suspirou, mas manteve o olhar fixo nela, como quem calcula a próxima jogada.
- Tudo bem, eu admito. Foi meu erro. Você sempre foi uma profissional que merecia mais reconhecimento. Então estipule o valor que quiser.
Vivian cruzou os braços.
- Você não entende, não é? Eu não trabalho mais para você, Eduardo. E isso é tudo.
Girou nos calcanhares e saiu sem esperar resposta, cumprimentando Dona Lúcia rapidamente na porta. O motorista de aplicativo já a esperava em frente a mansão.
Por alguns segundos, Eduardo ficou parado, confuso, como se não estivesse acostumado a ouvir a palavra “não”. Mas a hesitação durou pouco. Logo voltou ao controle.
- Siga aquele carro - ordenou ao motorista.
O veículo preto deslizou atrás do carro de Vivian pelas ruas ainda molhadas da manhã. Ela, alheia, entrou na galeria onde trabalhava, tentando manter a mente focada no que vinha pela frente.
Dentro do carro, Eduardo já digitava uma mensagem para Marcos:
"Reúna tudo o que puder sobre esse lugar. Hoje ainda."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor