Eduardo
A sala de reuniões estava tomada por vozes monótonas, números projetados em gráficos coloridos e frases sobre crescimento de mercado que, em qualquer outra circunstância, manteriam Eduardo atento a cada detalhe. O departamento financeiro se esforçava para apresentar as métricas do último trimestre, mas, para ele, tudo soava distante, abafado, como se viesse debaixo d’água.
A pasta preta ao lado de sua cadeira parecia pulsar, exigindo atenção. Marcos a havia deixado discretamente, como se fosse um recado urgente. A curiosidade corroeu qualquer resquício de paciência corporativa. Eduardo a abriu com um gesto rápido, impaciente, ignorando as planilhas projetadas na tela.
À medida que as páginas passavam sob seus olhos, a expressão dele se transformava. Primeiro, um leve franzir de sobrancelhas. Depois, a mandíbula cerrada. O dossiê era direto, cirúrgico: tratava apenas de um nome. Matheus Azevedo. O jovem artista que, depois de algum sucesso inicial com suas próprias telas, fundara a galeria onde Vivian agora trabalhava.
Eduardo se recostou na cadeira, imóvel, com os olhos fixos em uma fotografia que mostrava Matheus sorrindo em uma vernissage. Reconheceu-o de imediato. Um dos bolsistas de sua antiga escola. Sempre cercado de professores, sempre carregando aquela aura de prodígio esforçado.
Mas o que lhe acendeu a memória de verdade não foi o currículo. Foi a lembrança incômoda: Matheus, anos atrás, seguindo Vivian pelos corredores, carregando livros para ela, tentando qualquer desculpa para começar uma conversa.
Um pigarro interrompeu o fio de lembranças.
- Senhor Braga… - a voz do executivo soou hesitante - estávamos mostrando o comparativo entre-
- Já vi o suficiente. - Eduardo cortou, a voz seca. Fechou o dossiê e bateu-o de leve sobre a mesa, sem se importar com a surpresa estampada nos rostos ao redor. - Reunião encerrada.
O silêncio caiu como uma lâmina. Olhares rápidos foram trocados entre diretores e gerentes, mas ninguém ousou contestar. Um a um, recolheram seus materiais e deixaram a sala em silêncio desconfortável. Eduardo esperou a porta se fechar antes de abrir novamente a pasta, encarar mais uma vez o rosto sorridente de Matheus e sentir a irritação crescer como um nó no estômago.
No caminho de volta à sua sala, encontrou a recepção tomada por funcionários. Conversas baixas cessaram no instante em que ele apareceu. Bastou um “bom dia” firme para que todos, como formigas em desespero, corressem para se ocupar. O motivo da aglomeração não tardou a se revelar: Elisa.
Ela esperava na porta de seu escritório, e, assim que Eduardo se aproximou, deslizou para dentro como se fosse dona do espaço. O salto marcava cada passo sobre o mármore. O perfume doce e pesado se espalhou pelo ambiente, invadindo mais do que deveria. O vestido justo abraçava suas curvas com provocação calculada.
- Eduardo, querido… preciso de alguns minutos do seu tempo. - A voz dela carregava bajulação melosa, a mesma que um dia o divertira. Agora, apenas o cansava.
Ele ergueu os olhos devagar, deixando que a irritação transparecesse.
- Elisa. Você não tinha horário.
Ela sorriu como quem ignorava a repreensão e caminhou até a mesa, depositando sobre ela uma pasta vermelha, chamativa.
- Eu sei. Mas não resisti. - Seus dedos deslizaram sobre a capa como se tocassem um segredo. - Tenho um projeto ousado. Um filme que pode transformar o mercado. Imagine: a marca Braga associada a um longa internacional. É arte, é influência, é poder.
Eduardo se deixou cair na cadeira, deliberadamente ignorando a pasta diante de si.
- Se busca investimento, sabe o procedimento. Marque reunião com o setor responsável. Não gosto de atropelos.
Elisa inclinou-se sobre a mesa, invadindo seu espaço. O decote estrategicamente exposto quase tocava o tampo de vidro.
- Eduardo… não me diga que precisa de intermediários para falar comigo. - O sorriso dela era uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo.
Ele sustentou o olhar, gélido.
- Elisa, negócios são negócios. - A voz cortante. - O setor de investimentos avaliará.
O sorriso dela vacilou por um instante, mas logo se recompôs. Recolheu a pasta com um gesto brusco, erguendo o queixo como se nada tivesse a afetado.
- Como quiser. - Deu alguns passos, mas parou antes de alcançar a porta. - Ah… a Vivi conseguiu o emprego na Global Bank?
Eduardo estreitou os olhos.
- Global Bank?
- Hum. - Gustavo ergueu a sobrancelha. - Então é isso. Você fala como se tivesse ciúme.
- Não é ciúme. - A negativa veio rápida, talvez demais. - É questão de conveniência. Você já viu uma secretaria ou mesmo uma assistente tão competente?
- Conveniência? - Gustavo riu. - Conveniência não explica essa sua cara. Então me diz: você está apaixonado?
Eduardo soltou uma risada fria.
- Não seja ridículo. Faz menos de uma semana que ela saiu e meus arquivos parecem organizados por um lunático. Minha dor de estômago voltou. E eu estou com insônia.
Gustavo cruzou os braços.
- Parece paixão disfarçada de gastrite.
Eduardo ignorou a piada.
- Preciso que você me ajude a fazê-la voltar pra casa. Quando estiver em casa, vai ser fácil se acalmar. A Alice deve estar fazendo a cabeça dela.
Gustavo ficou alguns segundos em silêncio, avaliando. Depois, inclinou-se para a frente.
- Tem um jeito fácil de fazer ela voltar. Mas… talvez atrapalhe os negócios por um tempo.
Eduardo permaneceu em silêncio, fitando o horizonte pela janela. Os olhos escurecidos, a mente trabalhando em velocidade máxima.
- Fala.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....