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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 27

Eduardo

A sala de reuniões estava tomada por vozes monótonas, números projetados em gráficos coloridos e frases sobre crescimento de mercado que, em qualquer outra circunstância, manteriam Eduardo atento a cada detalhe. O departamento financeiro se esforçava para apresentar as métricas do último trimestre, mas, para ele, tudo soava distante, abafado, como se viesse debaixo d’água.

A pasta preta ao lado de sua cadeira parecia pulsar, exigindo atenção. Marcos a havia deixado discretamente, como se fosse um recado urgente. A curiosidade corroeu qualquer resquício de paciência corporativa. Eduardo a abriu com um gesto rápido, impaciente, ignorando as planilhas projetadas na tela.

À medida que as páginas passavam sob seus olhos, a expressão dele se transformava. Primeiro, um leve franzir de sobrancelhas. Depois, a mandíbula cerrada. O dossiê era direto, cirúrgico: tratava apenas de um nome. Matheus Azevedo. O jovem artista que, depois de algum sucesso inicial com suas próprias telas, fundara a galeria onde Vivian agora trabalhava.

Eduardo se recostou na cadeira, imóvel, com os olhos fixos em uma fotografia que mostrava Matheus sorrindo em uma vernissage. Reconheceu-o de imediato. Um dos bolsistas de sua antiga escola. Sempre cercado de professores, sempre carregando aquela aura de prodígio esforçado.

Mas o que lhe acendeu a memória de verdade não foi o currículo. Foi a lembrança incômoda: Matheus, anos atrás, seguindo Vivian pelos corredores, carregando livros para ela, tentando qualquer desculpa para começar uma conversa.

Um pigarro interrompeu o fio de lembranças.

- Senhor Braga… - a voz do executivo soou hesitante - estávamos mostrando o comparativo entre-

- Já vi o suficiente. - Eduardo cortou, a voz seca. Fechou o dossiê e bateu-o de leve sobre a mesa, sem se importar com a surpresa estampada nos rostos ao redor. - Reunião encerrada.

O silêncio caiu como uma lâmina. Olhares rápidos foram trocados entre diretores e gerentes, mas ninguém ousou contestar. Um a um, recolheram seus materiais e deixaram a sala em silêncio desconfortável. Eduardo esperou a porta se fechar antes de abrir novamente a pasta, encarar mais uma vez o rosto sorridente de Matheus e sentir a irritação crescer como um nó no estômago.

No caminho de volta à sua sala, encontrou a recepção tomada por funcionários. Conversas baixas cessaram no instante em que ele apareceu. Bastou um “bom dia” firme para que todos, como formigas em desespero, corressem para se ocupar. O motivo da aglomeração não tardou a se revelar: Elisa.

Ela esperava na porta de seu escritório, e, assim que Eduardo se aproximou, deslizou para dentro como se fosse dona do espaço. O salto marcava cada passo sobre o mármore. O perfume doce e pesado se espalhou pelo ambiente, invadindo mais do que deveria. O vestido justo abraçava suas curvas com provocação calculada.

- Eduardo, querido… preciso de alguns minutos do seu tempo. - A voz dela carregava bajulação melosa, a mesma que um dia o divertira. Agora, apenas o cansava.

Ele ergueu os olhos devagar, deixando que a irritação transparecesse.

- Elisa. Você não tinha horário.

Ela sorriu como quem ignorava a repreensão e caminhou até a mesa, depositando sobre ela uma pasta vermelha, chamativa.

- Eu sei. Mas não resisti. - Seus dedos deslizaram sobre a capa como se tocassem um segredo. - Tenho um projeto ousado. Um filme que pode transformar o mercado. Imagine: a marca Braga associada a um longa internacional. É arte, é influência, é poder.

Eduardo se deixou cair na cadeira, deliberadamente ignorando a pasta diante de si.

- Se busca investimento, sabe o procedimento. Marque reunião com o setor responsável. Não gosto de atropelos.

Elisa inclinou-se sobre a mesa, invadindo seu espaço. O decote estrategicamente exposto quase tocava o tampo de vidro.

- Eduardo… não me diga que precisa de intermediários para falar comigo. - O sorriso dela era uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo.

Ele sustentou o olhar, gélido.

- Elisa, negócios são negócios. - A voz cortante. - O setor de investimentos avaliará.

O sorriso dela vacilou por um instante, mas logo se recompôs. Recolheu a pasta com um gesto brusco, erguendo o queixo como se nada tivesse a afetado.

- Como quiser. - Deu alguns passos, mas parou antes de alcançar a porta. - Ah… a Vivi conseguiu o emprego na Global Bank?

Eduardo estreitou os olhos.

- Global Bank?

Vinte e sete 1

Vinte e sete 2

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