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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 28

Vivian

Ela chegou à galeria se desculpando pelo atraso. O ar estava impregnado pelo cheiro de tinta fresca e madeira, sinal de que a equipe passou a noite preparando o espaço para a nova exposição. Logo na entrada, deparou-se com um amontoado de caixas grandes sendo abertas. Homens com luvas brancas retiravam, com extremo cuidado, esculturas envoltas em plástico bolha.

Reconheceu imediatamente aquelas formas. Eram as peças que vira no dia anterior, na casa do escultor Sr. Duarte - o artista que os embebedou, conhecido tanto pelo temperamento arredio quanto pela genialidade que transformava metal frio em figuras quase humanas, carregadas de emoção.

Vivian parou diante de uma das obras recém-desembalada: uma figura feminina curvada, como se estivesse prestes a se desfazer em pó. Havia algo de perturbador naquela fragilidade petrificada.

- Impressionante, não é? - a voz de Matheus soou atrás dela. Ele caminhava apressado, segurando uma prancheta, mas parou quando a viu. - O mestre Duarte conseguiu captar uma angústia quase palpável nessa série.

Vivian assentiu, ainda absorvida pela peça.

- É… como se ela fosse desmoronar diante dos nossos olhos. - Não deu pra perceber a imponência ontem com todas elas amontoadas naquele ateliê.

Matheus a observou em silêncio por alguns segundos. Havia uma sombra de preocupação em seu olhar.

- Vivian… sobre ontem à noite - começou ele, cauteloso. - Você teve algum problema por minha causa? Fiquei preocupado, você parecia… enfim, não queria que isso tivesse te prejudicado de alguma forma.

Ela se voltou para ele, surpreendida pela pergunta.

- Não aconteceu nada, Matheus. - Um sorriso breve, quase defensivo, surgiu em seus lábios. - Acredite, eu mesma já passei por coisas bem piores do que uma ressaca.

Ele relaxou visivelmente, embora ainda parecesse hesitar.

- Bom ouvir isso. Fiquei achando que talvez tivesse te colocado em uma situação complicada.

- Você não tem culpa de nada. - Vivian desviou o olhar para a escultura diante deles. - Aquele velhote é quem é bem resistente. - Ela lembrou das boas risadas que eles compartilharam com o escultor no dia anterior.

Matheus não insistiu, respeitando o espaço dela. Em vez disso, voltou a falar com entusiasmo:

- Pretendo abrir a exposição já no domingo. Sei que o prazo é apertado, mas quero aproveitar a disposição do mestre Duarte. Ele raramente aparece em público. - Eu tenho que te agradecer, se não fosse por sua ajuda ontem não teria nenhuma esperança de ver essas peças aqui.

Vivian percebeu o quanto ele estava emocionado com as obras, lia cada descrição enviada pelo escultor como um poema.

O extremo oposto disso era Tomás que surgiu, com o ar pragmático. Ele equilibrava uma pilha de papéis e não parecia minimamente impressionado pelas esculturas.

- Domingo, você acredita nisso? - repetiu, arqueando a sobrancelha. - Isso significa que precisamos fechar os custos até amanhã. - Voltou-se para Vivian, entregando-lhe as folhas. - Pode verificar todos os cálculos? Transporte, seguro das peças, catering, segurança… essa parte toda.

Vivian segurou os papéis, tentando disfarçar o frio na barriga.

- Pode deixar comigo.

Tomás, satisfeito, já se virava para outro funcionário, mas lançou por cima do ombro:

- Ah, e estou tentando convencer nosso galerista a organizar um leilão paralelo com as obras mais importantes. Me ajude a convencê-lo, Vivian. Você tem jeito com as palavras.

Ela piscou, surpresa com a confiança que depositavam nela, mas também sentiu uma pontada de entusiasmo. Pela primeira vez em muito tempo, estava sendo desafiada de verdade, e não apenas tratada como uma extensão de alguém mais poderoso.

As horas seguintes passaram em um turbilhão. Vivian corria entre caixas abertas, anotações apressadas e telefonemas. A cada minuto, percebia-se mais envolvida naquele trabalho. Sentia que tinha um propósito.

Vinte e oito 1

Vinte e oito 2

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