Vivian
A velha mansão Braga erguia-se imponente, um verdadeiro oásis no meio da cidade. Postes coloniais iluminavam os vastos jardins, projetando sombras que lembram pinturas antigas. O casarão respirava tradição e elegância, mas também exalava o peso sufocante de uma linhagem que se orgulhava demais do próprio sobrenome.
Era ali, todos os meses, que o patriarca Gilbert Braga reunia sua linhagem direta seu filho e neto e os irmãos, sobrinhos, sobrinhas e agregados, apenas para reforçar uma verdade: quem comandava tudo ainda era ele.
Vivian chegou com alguns minutos de atraso. Viera direto do trabalho, consciente de que quebrava uma das regras tácitas de etiqueta e vestimenta para aquele tipo de evento. Mal cruzou o hall quando foi interceptada pela voz cortante de Glória, uma das tias-avós de Eduardo.
- Até que enfim, menina. - a idosa ergueu o queixo, os olhos severos. - Numa família de verdade, pontualidade é respeito.
Vivian inspirou fundo. No passado, teria pedido desculpas, teria se encolhido. Mas naquela noite não.
- Boa noite, dona Glória. Cumprimentar os recém-chegados também é. - disse apenas, sustentando o olhar antes de seguir até o salão.
A mulher ficou perplexa.
A mesa estava posta com talheres de prata, guardanapos de linho bordados e arranjos florais que exalavam um perfume enjoativo. Primos, tios e tias ocupavam seus lugares e, assim que Vivian entrou, uma onda de olhares percorreu o ambiente. Muitos avaliavam, outros julgavam, a maioria simplesmente torcia o nariz.
Vivian sabia o motivo. Podia usar vestidos caros, falar fluentemente algumas línguas e ter se formado com honras em Economia, mas nada apagava o fato de ser neta de um mordomo. Para aquela família, sua origem era uma mancha que jamais seria lavada.
A única que a tratava com afeto era Clara, prima de Eduardo. Mas Clara estava no exterior e, portanto, naquela noite, Vivian estava sozinha.
Gilbert Braga sentava-se à cabeceira, o porte ainda firme apesar da idade avançada. Quando Vivian tomou lugar ao lado de Eduardo, o velho a encarou longamente e, em seguida, sua voz grave soou pelo salão.
- Quero parabenizar o empenho da Vivian em projetos sociais e doações que levam o nome da empresa. - disse, com um meio sorriso. - Fez muito mais pela imagem do Grupo Braga do que muitos aqui jamais sonharam fazer.
O comentário foi como gasolina jogada sobre brasas. Alguns sussurraram, outros desviaram o olhar com desdém. A família Braga não aceitava bem elogios direcionados a quem consideravam uma intrusa.
Raquel, prima de Eduardo, não resistiu à oportunidade de alfinetar. Falou alto o suficiente para que Vivian ouvisse com clareza:
- A propósito, estou procurando uma nova escola para o Danielzinho. - disse, a voz doce demais para esconder o veneno. - Mas está difícil encontrar uma instituição que não aceite bolsistas. Não quero que ele misture as classes e acabe confuso.
O silêncio foi imediato. Todos entenderam a indireta. Vivian sempre havia sido bolsista.
No passado, ela teria engolido a afronta. Teria forçado um sorriso, teria mudado de assunto para não incomodar Eduardo nem irritar ainda mais a família. Mas aquela Vivian não existia mais.
- Eu acho que você tem razão, Raquel. - respondeu, a voz tranquila, mas firme. - Pode traumatizar crianças mimadas se elas forem colocadas junto daquelas que usam a massa cinzenta.
A mesa inteira ficou em choque. Copos foram pousados com força, olhares se ergueram, respirações ficaram presas nas gargantas. A sempre dócil e amável Vivian… retaliando?
Raquel corou, os olhos faiscando.
- O que você está querendo dizer com isso, Vivian?
Vivian ergueu a taça de vinho, calmamente.
- Exatamente o que você ouviu. - disse sem alterar o tom. - Eu jamais teria que explicar ironia para uma bolsista.
O ar ficou denso, quase palpável. Eduardo encarou a esposa em silêncio, surpreso, talvez até impressionado.
O silêncio foi imediato. Poucos ousavam confrontar Cristina, mas Eduardo havia encerrado o assunto.
Vivian respirou fundo, já sem vontade de continuar naquele teatro. Levantou-se.
- Com licença. Ainda tenho trabalho a fazer vou me retirar.
Antes que desse um passo, a voz de Glória cortou o ar:
- Sair da mesa antes dos familiares mais velhos é uma grande falta de respeito.
Vivian se virou, calma, mas sem recuar.
- Respeito se conquista, dona Glória, não vem junto com a artrose. E, com todo respeito, vocês são familiares de Eduardo, não meus. Prefiro não manchar a minha árvore genealógica.
Um murmúrio escandalizado percorreu a mesa.
Vivian deixou o salão sem olhar para trás, a postura ereta, o coração em chamas. Eduardo se moveu instintivamente para segui-la, mas não chegou a dar dois passos.
- Eduardo. - a voz grave de Gilbert ecoou, chamando-o. - Precisamos conversar. A sós.
Não era convite. Era ordem.
Eduardo parou, dividido entre correr atrás da esposa ou obedecer ao patriarca. Mas o olhar de Gilbert não permitia recusas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....