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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 34

Vivian

O salão da galeria estava transformado num templo em honra às esculturas. As paredes brancas destacavam cada obra sob luzes estrategicamente posicionadas, de modo que cada peça parecia respirar. Metais refletiam a iluminação em tons quentes, pedras escuras projetavam sombras enigmáticas, madeiras entalhadas exibiam marcas de tempo e talento. O ar tinha um peso reverente, como se cada convidado soubesse que estava diante de algo raro, talvez irrepetível.

Vivian percorreu o espaço com passos firmes, mas discretos. O vestido azul-marinho, sóbrio e elegante, conferia-lhe o equilíbrio perfeito entre sofisticação e neutralidade profissional. Naquela noite, ela não era esposa de ninguém - não era a neta do mordomo, não era a Sra. Braga. Era a responsável por aquela exposição. E não permitiria que nada ofuscasse seu trabalho.

- Está impecável. - disse Matheus ao surgir ao seu lado.

Ele usava apenas calça preta e camisa de linho clara, as mangas arregaçadas, os cabelos desalinhados de propósito. Em meio a tantos ternos caros e vestidos engomados, Matheus parecia deslocado - e, paradoxalmente, era isso que o tornava magnético, sua postura era relaxada, como sempre. Os olhos castanhos traziam uma cumplicidade que a fazia sentir-se menos sozinha naquele mar de gente.

- Ainda bem que você acha. - Vivian sorriu de leve, mas sua atenção ainda saltava de detalhe em detalhe: iluminação, garçons, disposição de convidados. - A cada minuto, sinto que algo pode dar errado.

- Relaxe. - ele murmurou, com aquela calma irritantemente natural. - Essas esculturas já falam por si. Você só precisou dar a elas um palco.

Vivian quis agradecer, mas não teve tempo. Uma presença mais pesada se aproximou, e ela soube antes mesmo de vê-lo.

Eduardo.

Ele entrou no salão com a imponência herdada do próprio sobrenome. O terno sob medida moldava seu corpo atlético, o olhar sério impunha respeito antes mesmo que dissesse uma palavra. Mas naquela noite, havia algo além da aura habitual: uma dureza, uma tensão quase palpável.

Ao avistar Vivian conversando com Matheus, seus olhos se estreitaram. Cumprimentou o artista com um aceno frio, quase hostil, e voltou-se à esposa, a voz carregada de gelo:

- Você vai ficar trabalhando o evento todo? Vem sentar co…

- Sim, Eduardo. - ela interrompeu, firme. - Preciso acompanhar os convidados.

Ele pareceu querer dizer mais, mas conteve-se. Virou-se bruscamente e se afastou, deixando atrás de si um rastro de tensão.

Vivian respirou fundo, tentando recompor-se. Não percebeu que, mesmo enquanto falava com outros convidados, Eduardo continuava a segui-la com os olhos. Ele podia estar de pé ao lado de investidores, trocando palavras com conhecidos, mas seus olhares recaíam sobre ela como um peso constante. Vivian sentia - como quem sente o calor de uma chama próxima demais - mas fingia não notar. Não podia se dar ao luxo de perder o foco.

Foi então que o ar se encheu de um riso agudo, cristalino, impossível de ignorar.

Elisa.

Vestida num vermelho vibrante que desafiava todas as tonalidades sóbrias ao redor, ela surgiu como uma tempestade calculada. O vestido colado ao corpo ressaltava cada curva, e o batom rubro combinava com o brilho provocador dos olhos.

- Eduardo! - exclamou, avançando até ele e o envolvendo num abraço exageradamente íntimo. - Eu sabia que iria te encontrar por aqui.

Ele não a afastou. Ao contrário, correspondeu com um sorriso discreto. Havia nele algo de satisfeito, quase vaidoso, como se apreciasse a atenção repentina.

Vivian observou de longe, sem se permitir reagir. Ela tinha um evento para conduzir. Artistas, compradores e críticos aguardavam por ela. Não deixaria que Elisa roubasse sua noite.

Mas Elisa não estava ali apenas para roubar a cena. Tocava o braço de Eduardo com familiaridade, inclinava-se para falar-lhe ao ouvido, ria alto em momentos inoportunos. E, vez ou outra, lançava olhares rápidos e calculados em direção a Vivian - uma mensagem silenciosa: ele ainda me pertence.

Enquanto isso, Eduardo seguia cada passo da esposa com os olhos. Mesmo quando Elisa monopolizava sua atenção, ele não conseguia deixar de encarar Vivian ao atravessar o salão. Era como se quisesse certificar-se de onde ela estava, com quem falava, como sorria.

Vivian, consciente desse olhar, manteve-se fiel ao papel de anfitriã. Conversava com colecionadores, explicava detalhes técnicos, sorria para jornalistas. Mas em momento algum cedeu à tentação de encará-lo de volta. Se seus olhares se cruzassem, seria como admitir que ele havia conseguido atingi-la.

- Lance para o senhor Gilbert Braga! - ecoou o leiloeiro.

Um murmúrio percorreu o salão. O patriarca não estava presente, mas sua sombra pairava. O representante não recuava, elevando o valor cada vez que outro ousava aumentar. Em pouco tempo, os concorrentes desistiram. O martelo desceu: a peça mais valiosa da noite pertencia agora ao homem que, mesmo ausente, comandava.

Vivian sentiu um misto de alívio e apreensão. O interesse de Gilbert pela exposição poderia ser uma oportunidade - ou mais uma forma de controle.

Enquanto os aplausos discretos ecoavam, ela percebeu novamente o olhar de Eduardo fixo nela. Mesmo com Elisa pendurada em seu braço, mesmo rodeado de bajuladores, seus olhos estavam nela. Havia raiva, havia desejo, havia algo incontrolável naquele olhar.

Vivian aproveitou um momento de respiro para se afastar discretamente da sala principal. Precisava retocar a maquiagem, mas, acima de tudo, precisava de alguns minutos longe dos olhares insistentes.

No banheiro, o silêncio contrastava com o burburinho elegante que ecoava do salão. Vivian apoiou as mãos na pia de mármore, respirando fundo, tentando recuperar a compostura. Mas a porta rangeu e, no reflexo do espelho, a figura de Elisa surgiu atrás dela.

- Você realmente leva jeito para anfitriã - disse Elisa, ajeitando o batom diante do espelho. - Mas, me diga… não é estranho trabalhar tanto e, no fim, ver seu marido aproveitar a noite com outra?

Vivian manteve o olhar fixo em seu próprio reflexo, sem dar a Elisa a satisfação de uma resposta imediata. Apertou os lábios, recolheu a bolsa e se virou.

- O estranho, Elisa, é você ainda achar que precisa da aprovação dos outros para existir. - sua voz saiu firme, sem tremer.

Por um segundo, os olhos de Elisa brilharam com uma fúria contida, mas ela logo sorriu, venenosa.

- Veremos até onde dura essa sua confiança. - respondeu em tom doce, antes de sair, deixando no ar apenas o perfume forte e a ameaça velada.

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