Vivian
A mudança ou melhor o retorno do CEO arrogante e frio foi perceptível nos dias que se seguiram aquela noite em que Eduardo, bêbado, havia mostrado sua vulnerabilidade. Por algumas horas, ela chegou a acreditar que havia fissuras naquela armadura de arrogância - e isso, contra toda a lógica, a havia comovido.
Agora ele também evitava qualquer contato, acordava muito antes dela, saía de casa ainda de madrugada e voltava tarde, sempre com o rosto cansado e o olhar distante. Mal dirigia-lhe a palavra, e quando o fazia era apenas por educação, como se fossem dois estranhos dividindo o mesmo teto.
Uma noite, levantou-se para beber água e o encontrou na cozinha. Eduardo estava diante da geladeira, a luz amarelada iluminando o rosto abatido. Quando a viu, apenas assentiu com a cabeça, murmurou um “boa noite” apressado e voltou para o quarto como se fugisse dela.
Vivian ficou parada por alguns segundos, segurando o copo nas mãos. Ela deveria estar satisfeita com esse arranjo, era pra eles se separarem em pouco tempo. O silêncio da mansão pesava como chumbo. Ela sentiu uma pontada amarga de frustração consigo mesma: por que, afinal, tinha permitido que a vulnerabilidade dele a abalasse? Por que seu coração ainda reagia a um homem que só sabia mantê-la à distância?
Era mais fácil quando ele era apenas frio. Doía menos do que oscilar entre breves lampejos de humanidade e esse abismo gélido que agora voltava a separá-los.
A preocupação de Vivian só aumentava conforme o fim de semana se aproximava. Como todos os anos, a família Braga se reuniria na casa de campo para comemorar o aniversário de Gilbert. Ela nunca gostara da ocasião: as festas eram sempre um desfile de hipocrisia e bajulação. Mas, naquele ano, tudo parecia ainda mais sufocante.
O único consolo era que Clara havia retornado do exterior apenas para celebrar o avô. A prima sempre fora seu ponto de apoio entre os Braga, e só de saber que estariam juntas, Vivian se sentia menos sozinha.
Na sexta-feira pela manhã, Vivian desceu com a mala pronta. Para sua surpresa, encontrou Clara já à porta, encostada num conversível vermelho de capota abaixada. O vento bagunçava seus cabelos dourados, e a alegria estampada no rosto era contagiante.
- Prima! - Clara correu para abraçá-la com entusiasmo. - Finalmente juntas outra vez. Você não faz ideia de como eu senti sua falta.
- Clara… - Vivian sorriu, apertando o abraço. - Você não sabe como é bom te ver aqui.
- E olha só, vim te buscar pessoalmente. - Clara anunciou, tentando manter a animação. - Pedido do seu marido. Ele disse que vai depois.
Clara observou de perto a reação da prima, receosa de que ela ficasse chateada. Eduardo sempre fora distante, e aquilo poderia soar como mais uma rejeição.
- Eu amei o carro. - disse Vivian, desviando a atenção. - A viagem vai ser bem mais interessante.
Clara relaxou, surpresa com a leveza da resposta. Era como se tivesse diante dela a mesma garota animada de anos atrás, aquela que a ajudava a fugir da casa do avô para se jogar nas festas.
- Então vamos fazer esse caminho ser divertido. - Clara aumentou o volume do rádio, e os acordes de Worth It invadiram o ar, levando as duas direto para a adolescência.
O vento batia nos cabelos, trazendo uma sensação de liberdade que Vivian não experimentava havia muito tempo. Aos poucos, o peso no coração parecia se dissolver.
- Você está diferente, Vivi. - Clara comentou, lançando-lhe um olhar rápido enquanto dirigia. - Mais parecida com você mesma. Acho que, finalmente, aprendeu a não deixar os Braga te esmagarem.
Vivian soltou uma risada curta.
- Talvez… ou talvez eu só esteja cansada demais para me importar.
- Então vamos aproveitar esse fim de semana! - Clara completou, determinada a arrancar da prima pelo menos alguns sorrisos verdadeiros.
Duas horas depois, o carro entrou pelos portões da imensa propriedade dos Braga. A casa de campo erguia-se majestosa, cercada por jardins bem cuidados e árvores antigas.
Já havia movimento no pátio: empregados carregavam caixas, parentes chegavam em carros luxuosos, todos com o mesmo sorriso ensaiado para bajular o patriarca.
Vivian respirou fundo ao descer do carro. O ambiente, embora deslumbrante, lhe trazia mais ansiedade do que conforto.
- Vamos sobreviver a isso juntas. - Clara cochichou em seu ouvido, apertando sua mão. - Como sempre.
Vivian sorriu, agradecida.
Enquanto atravessavam a entrada, ouviram risadas altas vindas do salão principal. Os primos de Eduardo já estavam lá, cercando o velho Gilbert como abelhas em volta do mel. O patriarca observava tudo com olhar severo, mas era impossível não notar o orgulho que sentia em ter a família reunida.
Vivian se curvou respeitosamente diante do sogro, trocou cumprimentos com alguns parentes e deixou-se levar por Clara até os quartos. O que mais lhe incomodava era saber que Eduardo ainda não havia chegado. A ausência dele era um peso constante. E, ao mesmo tempo, a perspectiva de dividir um quarto com ele naquela viagem fazia seu estômago se contrair.
Mal haviam pousado as malas quando a voz de Cristina ecoou pelo corredor.
- Vivian! - a madrasta de Eduardo surgiu elegante como sempre, usando um vestido leve, mas o olhar era duro. - Ainda bem que você chegou. Há muito a ser feito. A equipe está perdida sem você.
- Eduardo! - um deles acenou. - Vem jogar com a gente! Precisamos de um reforço.
Logo outros se juntaram, os mesmos bajuladores de sempre, ávidos em puxar conversa e agradar o herdeiro do clã.
Eduardo não respondeu. Apenas ficou parado, o olhar preso em Vivian.
Em outros tempos, ela teria corrido até ele, tentando envolvê-lo na partida, insistindo até que aceitasse. Mas não agora. Vivian apenas recolheu a raquete, entregou a Clara e ajeitou os cabelos com calma.
- Vou me arrumar para o jantar. - disse, sem olhar para ele.
- Eu vou com você. - Clara seguiu a amiga.
Eduardo a acompanhou com os olhos até ela deixar a quadra.
No quarto de Clara, Vivian escolheu um vestido leve, deixando que a prima a ajudasse com os detalhes. Estava decidida: se ele queria evitá-la, ela não se imporia mais. O silêncio dele não a feriria novamente.
No jantar, a longa mesa estava repleta de parentes. Vivian se sentou ao lado de Clara, rindo das histórias dela.
Entre uma taça de vinho e outra, um dos primos comentou animado:
- Ouvi dizer que uma banda local vai tocar no bar da cidade esta noite. Devíamos ir!
- Eu topo. - disse Clara na mesma hora, olhando para Vivian. - E você também, prima. Vai ser divertido.
Vivian hesitou por um instante, mas depois assentiu.
- Claro. Vamos.
Enquanto combinavam os detalhes, Vivian percebeu: pensou que ignorar Eduardo seria uma luta… mas, surpreendentemente, não foi.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....