Vivian
A estrada até a casa de campo pareceu interminável. Vivian não trocou uma única palavra com Eduardo durante o trajeto. Sentada no banco do passageiro, o corpo ainda tenso pela forma como fora arrancada do bar, mantinha os olhos fixos na janela. As luzes da pequena cidade ficaram para trás, e o silêncio dentro do carro era sufocante.
Eduardo dirigia com os maxilares travados, os dedos batendo no volante em um ritmo impaciente. A respiração dele era pesada, quase irregular, como se estivesse lutando consigo mesmo.
Quando finalmente estacionaram diante da mansão, Vivian abriu a porta do carro antes mesmo de ele desligar o motor. Desceu com passos rápidos e firmes, ignorando completamente os convidados que ainda conversavam no terraço, alguns com taças de vinho na mão, observando a cena com olhos curiosos.
- Boa noite, Vivian - um dos tios Braga tentou cumprimentá-la, surpreso com a pressa dela.
Ela não respondeu. Passou direto, o queixo erguido, sem dar atenção a ninguém. Eduardo, logo atrás, fez o mesmo, e o ar no ambiente pareceu congelar. As conversas diminuíram até virar murmúrios.
Vivian subiu os degraus da escada principal e entrou. Seguiu direto para o corredor dos quartos. O coração dela estava em disparada - não de vergonha pelo escândalo no bar, mas de pura indignação pela forma como ele a tratara.
Eduardo a alcançou no final do corredor.
- Onde você pensa que vai? - a voz dele soou baixa, carregada de ameaça.
Vivian não diminuiu o passo. - Para o quarto da Clara.
Ele a segurou pelo braço com firmeza, obrigando-a a parar. - Seu quarto é aqui. - disse, sem deixar margem para discussão. - Se preferir, posso te carregar de novo.
Ela o encarou, os olhos faiscando. - Você não ousaria.
- Experimente. - Eduardo aproximou o rosto, o tom frio, quase um sussurro.
O sangue de Vivian ferveu. Ela puxou o braço com força, mas ele não a soltou. Por fim, ele a empurrou suavemente para dentro do quarto que deveriam dividir naquela estadia e fechou a porta atrás de si, trancando-a com um clique seco.
Vivian cruzou os braços, o olhar desafiador. - O que foi isso, Eduardo? Está tentando provar que é dono de mim? Eu não sou mais a sua empregada.
- Mas é minha mulher. - ele passou a mão pelos cabelos, respirando fundo. - Estou tentando não enlouquecer aqui, Vivian… não testa a minha paciência.
Ela soltou uma risada amarga. - Estamos prestes a nos divorciar.
Ele deu um passo à frente, os olhos fixos nela. - Você continua sendo minha mulher, e eu não suporto que outros toquem no que é meu.
- E o que isso tem a ver comigo? - Vivian retrucou. - Isso é sobre você, Eduardo. O seu ego. O seu orgulho ferido.
Ele a agarrou pelos ombros, aproximando-a. - Se você está sentindo falta de homem, Vivian, eu estou aqui.
Os olhos dela se arregalaram. - Você não tem o direito de…
- Claro que tenho. - ela avançou em direção à porta. - Eu vou dormir em outro lugar.
Antes que pudesse girar a maçaneta, ele segurou o braço dela mais uma vez, o olhar duro. - Você não vai sair.
Ela se virou, a respiração acelerada. - Você não pode me manter presa aqui.
- Não vou. - ele respondeu, soltando o braço dela com brusquidão. - E já que você parece detestar tanto a minha presença, vou dormir no escritório.
Vivian sentiu o estômago se revirar. Ele cuspira as palavras como se fosse a vítima, como se tivesse todo o direito de estar magoado com ela. Aquilo a feriu ainda mais do que o tom de ameaça de minutos antes - porque mostrava, de novo, que Eduardo nunca enxergava o quanto a feria. Para ele, sempre parecia que era ela quem errava.
Virou-se para a porta, abriu-a com brusquidão e saiu, deixando Vivian sozinha.
O silêncio que ficou no quarto era ensurdecedor. Vivian respirou fundo, sentindo o coração martelar contra o peito.
Antes, pelo menos, ele era previsível: frio e distante. Agora, cada oscilação de humor era um novo drama.
Foi até a janela, abriu-a e deixou que o vento frio da noite entrasse. Olhou para o céu pontilhado de estrelas, sem a interferência das luzes da cidade grande.
- Quando foi que a vida virou essa bagunça? - murmurou para si mesma.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....