Vivian
Vivian estava sentada à mesa principal dos Braga, lugar que sempre lhe parecia o mais sufocante. Ali estavam reunidos os parentes mais velhos, aqueles que cultivavam uma antipatia quase declarada por ela. Os olhares críticos, os cochichos velados, a sensação constante de ser avaliada como quem examina uma peça defeituosa em meio a um conjunto de relíquias.
E, para piorar, Eduardo não estava ali. Ele havia se afastado sob o pretexto de que precisava tomar ar. Isso já fazia tempo, e Vivian sentia cada minuto de sua ausência como uma condenação. Sentada sozinha, sem a barreira da presença dele, estava exposta ao julgamento direto dos que nunca a aceitaram.
Cristina, como sempre, aproveitou a oportunidade.
- Meus caros, permitam-me apresentar Julia Botelho. - A madrasta de Eduardo ergueu a voz doce demais, carregada de malícia. Ao seu lado, uma jovem alta, elegante, com os cabelos castanhos caindo em ondas perfeitas, sorria com desenvoltura. - Julia acaba de regressar da Europa. É filha dos Botelho, vocês se lembram… uma das famílias mais tradicionais do país.
Um burburinho satisfeito correu pela mesa. Julia inclinou a cabeça com graça, como quem sabia exatamente o efeito que causava. Cristina prosseguiu baixando a voz, sem disfarçar a intenção:
- E não poderia haver par mais perfeito para Eduardo. - A pausa foi calculada, o olhar deslizando até encontrar o de Vivian. - Uma união entre duas famílias de nome irrepreensível.
As tias Braga se apressaram em concordar, fingindo falar baixo, mas fazendo questão de serem ouvidas:
- Uma jovem distinta, sem dúvida.
- E vejam só, trouxe para o Presidente Gilbert um relógio exclusivo, feito sob encomenda. Um presente à altura.
- Diferente de certas pessoas que, neste ano, nem se preocuparam em manter as aparências…
Cada palavra atravessou Vivian como uma agulha. Ela manteve a postura ereta, o olhar firme, mas sentia o estômago se contrair. A ausência de Eduardo ao seu lado tornava tudo pior. Estava ali sozinha, diante de um tribunal que já havia decidido seu veredito antes mesmo do julgamento começar.
Não suportando mais, levantou-se da mesa e foi em direção ao pequeno grupo onde seus pais e o avô conversavam. Bastou se aproximar para sentir o peso do mundo aliviar dos ombros.
- Está tudo bem, filha? - a mãe perguntou de imediato, tocando de leve a mão dela. Vivian forçou um sorriso, não querendo transparecer a dor.
- Claro, mamãe… só precisei de um pouco de ar.
Ela não queria preocupá-los, e eles, talvez por respeito ao silêncio da filha, não insistiram. A mãe então puxou outro assunto, com um brilho orgulhoso nos olhos:
- Eu vi as fotos da sua exposição na galeria, saíram em todos os jornais. Você estava maravilhosa.
Vivian corou, balançando a cabeça, mas o pai não deixou a oportunidade escapar:
- E eu gostei mesmo foi de saber do seu novo emprego. - disse firme, quase como uma defesa. - Já era hora. Alguém com as suas qualificações não podia se contentar em ser apenas secretária de um homem… mesmo que fosse seu marido.

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