Eduardo
Foi criado para manter o controle - pessoas, negócios, emoções.
Mas naquela noite, nem mesmo a própria respiração parecia obedecer a ele.
Desde que vira Vivian entregar o presente de Matheus ao avô, o ciúme havia se instalado como uma farpa em sua garganta.
Ele não tinha direito de se sentir traído - ela não lhe devia nada, e em pouco tempo os dois estariam separados para sempre - mas isso não importava.
Era irracional, vergonhoso, e mesmo assim o dominava completamente.
Nos últimos dias, a distância entre eles deixara de ser apenas emocional - tornara-se uma muralha que ele mesmo havia erguido, tijolo por tijolo, e agora não sabia como derrubar.
Eduardo tentava se convencer de que era melhor assim, que o controle o manteria são, mas a verdade o corroía em silêncio: estava pagando o preço de ter fugido dela.
Cada vez que o olhar de Vivian o atravessava, frio e impassível, algo dentro dele se desfazia - um arrependimento surdo, constante, que lhe roubava o ar.
A ideia do divórcio o perseguia como um presságio. E bastava imaginar Vivian com outro homem para sentir o controle escorregar por entre os dedos - porque, por mais que tentasse negar, já não se reconhecia nas próprias reações.
Vou pôr um fim nisso.
Restaurar o que tinham - ou o que acreditava que ainda poderiam ter.
Mesmo que para isso precisasse forçar o destino com as próprias mãos.
Foi então que o azar, sempre pontual, resolveu cruzar o caminho dele.
Cristina surgiu à sua frente, tão repentina quanto indesejada, ladeada por uma jovem de sorriso plastificado e perfume doce demais.
- Eduardo! Que sorte encontrar você - cantarolou a madrasta, o olhar cintilando com aquela malícia que ele conhecia bem. - Quero que conheça Julia Botelho, ela estava curiosíssima pra conversar com você.
Julia inclinou levemente a cabeça, um gesto ensaiado.
- É um prazer finalmente conhecê-lo, senhor Braga.
Eduardo fez menção de responder, mas a presença dela o irritou mais do que deveria.
- O prazer é meu, - disse, por pura educação.
E antes que Cristina prosseguisse com suas insinuações, ele viu Vivian do outro lado do salão.
Ela o viu - ele teve certeza disso - mas não sustentou o olhar.
Nenhuma expressão, nenhuma reação. Apenas virou as costas e foi embora, como se ele não passasse de mais um entre tantos convidados.
Eduardo ficou imóvel por um instante, observando-a se afastar, e a sensação foi pior do que qualquer briga.
Preferia que ela fizesse uma cena, que tentasse reafirmar pra todos a sua posição como Sra. Braga- qualquer coisa seria melhor do que aquela indiferença.
Mas o silêncio... aquele simples gesto de desprezo... o atingiu com a força de um golpe.
Cristina continuava falando ao seu lado, a voz melosa escorrendo como veneno, mas ele já não escutava nada.
Sem se dar o trabalho de disfarçar, encerrou o assunto:
- Com licença.
Diminuiu a distância entre eles com passos largos.
Quando alcançou Vivian. Apenas segurou-lhe o braço, firme, e a conduziu para fora. Atravessaram o salão sob os olhares curiosos dos convidados, subindo as escadas em silêncio até o quarto. Assim que a porta se fechou atrás deles Eduardo inspirou fundo, tentando conter o tumulto que o corroía por dentro.
Vivian se desvencilhou dele com brusquidão. Mas não negou que era sua, quando ele reivindicou.
- Precisamos conversar, e vai ser agora. Cansei de você agir como se tudo estivesse acabado - a voz grave. - Eu não quero esse divórcio.
Vivian riu - um som curto, sem humor.
- Não quer? Por quê?
- Quero que a gente volte a ser como antes. - Ele deu um passo à frente. - Sem papéis, sem chantagens, sem essa guerra.

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