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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 44

Vivian

Ainda havia uma fagulha de esperança, uma última teimosia da alma que se recusava a aceitar o fim.

Se ele dissesse que sentia falta dela, que se importava, que gostava da companhia dela - mesmo que mentisse - talvez aquilo bastasse.

Mas a resposta veio fria, seca, calculada:

“Porque é conveniente.”

Conveniente. A palavra ecoou como um soco no peito. Ele não a queria, não a amava, não sentia falta dela. Tudo não passava de uma jogada estratégica, agora ele queria garantir que a família não ia pressioná-lo a se casar com a jovem Botelho ou com qualquer outra herdeira que garantisse alianças e fortuna.

Vivian sentiu o mundo desabar em silêncio.

O coração não se partiu num estalo - foi um rompimento lento, sufocante, como se algo dentro dela se apagasse de vez.

Não houve mais nada a dizer.

O último fio que a prendia àquela relação se rompeu.

Saiu do quarto, atravessando o corredor como quem foge de um incêndio.

Não pegou as malas. Não podia ficar naquele ambiente nem mais um segundo.

Só queria sair. Respirar. Escapar do peso de ser sempre a mulher errada na história de um homem que nunca a quis de verdade.

Lá fora, o ar da noite estava pesado, úmido, com cheiro de chuva.

As risadas distantes da festa soavam como zombaria.

Vivian caminhou pelo jardim, o vestido arrastando na grama molhada, até ver ao longe o carro dos pais e do avô, que se despediam de Gilbert.

- Vocês ainda estão aqui… - disse, a voz embargada.

A mãe foi a primeira a perceber, bastou um olhar.

- Vivian, o que aconteceu? - aproximou-se, preocupada.

Ela balançou a cabeça, incapaz de falar.

- Eu… preciso ir embora. Posso voltar com vocês?

O pai não fez perguntas. Apenas abriu a porta do carro.

Gilbert observou em silêncio, o semblante duro, mas os olhos denunciavam inquietação. Até ele, sempre tão contido, parecia entender que algo terrível havia acontecido.

Durante os primeiros quilômetros, ninguém disse uma palavra.

O som dos pneus na estrada de terra era a única coisa que preenchia o carro.

Vivian olhava pela janela, tentando conter o tremor das mãos.

- Não precisa se desculpar minha filha - disse a mãe, segurando sua mão. - Você fez o que seu coração mandou.

- Meu amor, você é a criança mais doce que existe e merece ser feliz. Amar não é motivo para se envergonhar - disse o pai, tentando manter a voz firme, mas um leve tremor denunciava que estava à beira das lágrimas.

O avô soltou um suspiro cansado.

- Pelo menos você sabe que não tem nada do que se arrepender. Você tentou. Se ele não valorizou seu amor, azar o dele. Estamos com você.

Vivian virou o rosto para a janela, os olhos ardendo.

As luzes da cidade começavam a surgir ao longe, borradas pela névoa.

A viagem seguiu em silêncio, mas era um silêncio diferente - não o da frieza, mas o da compreensão.

Ela encostou a cabeça no ombro da mãe, e o choro veio manso, exausto.

Nenhuma palavra dita naquela noite seria suficiente para apagar o que viveu com Eduardo, mas não se sentia sozinha.

Não precisava mais fingir que estava bem, nem sustentar o papel da esposa perfeita.

Avisou os pais sobre a ameaça da multa. Como sempre, o apoio deles era incondicional.

O carro seguia pela estrada, o som do motor embalando o sono que veio devagar.

Vivian adormeceu no ombro da mãe, sentindo o calor do colo que sempre fora lar.

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