Vivian
Ainda havia uma fagulha de esperança, uma última teimosia da alma que se recusava a aceitar o fim.
Se ele dissesse que sentia falta dela, que se importava, que gostava da companhia dela - mesmo que mentisse - talvez aquilo bastasse.
Mas a resposta veio fria, seca, calculada:
“Porque é conveniente.”
Conveniente. A palavra ecoou como um soco no peito. Ele não a queria, não a amava, não sentia falta dela. Tudo não passava de uma jogada estratégica, agora ele queria garantir que a família não ia pressioná-lo a se casar com a jovem Botelho ou com qualquer outra herdeira que garantisse alianças e fortuna.
Vivian sentiu o mundo desabar em silêncio.
O coração não se partiu num estalo - foi um rompimento lento, sufocante, como se algo dentro dela se apagasse de vez.
Não houve mais nada a dizer.
O último fio que a prendia àquela relação se rompeu.
Saiu do quarto, atravessando o corredor como quem foge de um incêndio.
Não pegou as malas. Não podia ficar naquele ambiente nem mais um segundo.
Só queria sair. Respirar. Escapar do peso de ser sempre a mulher errada na história de um homem que nunca a quis de verdade.
Lá fora, o ar da noite estava pesado, úmido, com cheiro de chuva.
As risadas distantes da festa soavam como zombaria.
Vivian caminhou pelo jardim, o vestido arrastando na grama molhada, até ver ao longe o carro dos pais e do avô, que se despediam de Gilbert.
- Vocês ainda estão aqui… - disse, a voz embargada.
A mãe foi a primeira a perceber, bastou um olhar.
- Vivian, o que aconteceu? - aproximou-se, preocupada.
Ela balançou a cabeça, incapaz de falar.
- Eu… preciso ir embora. Posso voltar com vocês?
O pai não fez perguntas. Apenas abriu a porta do carro.
Gilbert observou em silêncio, o semblante duro, mas os olhos denunciavam inquietação. Até ele, sempre tão contido, parecia entender que algo terrível havia acontecido.
Durante os primeiros quilômetros, ninguém disse uma palavra.
O som dos pneus na estrada de terra era a única coisa que preenchia o carro.
Vivian olhava pela janela, tentando conter o tremor das mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor