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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 45

Eduardo

Ficou parado, imóvel, encarando a porta que Vivian acabara de fechar atrás de si. As palavras dela ecoavam como um tiro dentro de sua cabeça - curtas, frias, definitivas.

“Vou me divorciar de você.”

Por alguns segundos, ele simplesmente… não respirou.

Era como se o chão tivesse desaparecido. O silêncio do quarto pesava sobre seus ombros, sufocante, enquanto o som distante da festa se tornava apenas um zumbido indistinto.

Quando finalmente conseguiu se mover, levou as mãos ao rosto, os dedos tremendo.

O ar parecia rarefeito, e o coração batia descompassado - cada batida lembrando a estupidez que acabara de cometer.

Ele havia tido uma chance - a última - e, covarde, desperdiçou.

Ela não pediu muito, só uma resposta sincera. E ele, mais uma vez, escolheu o orgulho.

Agora, a ideia de que ela realmente pudesse ir embora - de verdade, dessa vez - o atingia com a força de um soco no estômago.

Eduardo respirou fundo, tentando se recompor. Precisava consertar aquilo. Precisava falar com ela.

Ainda dava tempo… não dava?

Saiu do quarto quase tropeçando nos próprios pés, o peito em chamas.

Mas, ao descer para o andar de baixo, o avô o interceptou - o semblante grave, preocupado.

- Eduardo… o que aconteceu com vocês? - perguntou o velho, apoiando-se na bengala. - Ela saiu daqui apressada, com os pais. Não estava nada bem.

- O quê? - o tom dele saiu mais alto do que pretendia. - Eles já foram embora?

- Foram. Ela pediu para ir junto - o avô suspirou. - Estava pálida, abatida...

Eduardo não respondeu. O nó na garganta o impedia até de falar.

Tudo dentro dele gritava que algo estava errado. Muito errado.

Virou-se sem dizer mais nada, pegou as chaves do carro e saiu.

A noite estava especialmente escura, e o vento frio cortava o rosto quando ele atravessou o pátio até a garagem.

O motor rugiu assim que ele girou a chave.

Sem pensar, acelerou.

A estrada estreita, molhada pela chuva fina e constante.

Os faróis cortavam a escuridão, mas Eduardo mal enxergava o caminho - o coração batia alto demais, abafando qualquer raciocínio.

As imagens vinham em flashes dolorosos: o som seco da bofetada, o tremor em suas mãos, e - mais do que tudo - o olhar dela, carregado de ódio.

E ele, idiota, incapaz de dizer uma palavra sequer.

“Por que eu não consegui dizer que te amo?” murmurou, a voz falhando.

A pergunta que o corroía.

A resposta que ele mesmo não sabia dar.

O limpador de para-brisa riscava o vidro freneticamente. A chuva se intensificava a cada quilômetro.

Não podia deixar as coisas terminarem assim.

Não daquele jeito.

Não sem que ela soubesse o quanto ele…

Um farol distante piscou à frente - e algo em seu peito se contraiu.

Reconheceu de imediato: o carro da família dela. O sedã prateado, inconfundível, parado no meio da estrada.

Mas havia algo errado.

O coração de Eduardo gelou.

Um segundo depois, viu o outro veículo - uma caminhonete escura atravessada no acostamento, o capô fumegando, o vidro estilhaçado.

O sedã estava amassado, a lateral do passageiro completamente destruída.

O impacto o atingiu antes mesmo de entender o que via.

Pisou com tudo no freio; o carro derrapou e parou de lado, a poucos metros do desastre.

- Meu Deus... Vivian!

A chuva agora era uma tempestade, as gotas batendo contra o asfalto em um som que parecia aplauso para o desespero.

Eduardo correu, tropeçando, o sapato escorregando na lama.

O cheiro de combustível e ferro queimado impregnava o ar.

O vidro do carro estava estilhaçado, as portas amassadas.

Ele viu o pai de Vivian inconsciente no banco do motorista, o avô caído para o lado, com o rosto ferido.

Mas foi o banco de trás que o fez gritar.

Vivian.

O corpo dela estava inclinado, o rosto pálido demais, os cabelos colados ao sangue que escorria pela têmpora.

O cinto de segurança ainda a prendia, e o vidro ao redor cortava-lhe o braço, que parecia estranhamente retorcido.

- Vivian! - Eduardo puxou a porta, que não se movia. - Vivian, fala comigo!

Nenhuma resposta.

Desesperado, tentou abrir com mais força.

- Droga! - chutou o metal, que gemeu. - Fala comigo, por favor!

Abaixou o rosto, o coração disparado.

Conseguiu ouvir um som leve - uma respiração fraca, quase imperceptível.

Ela estava viva.

- Aguenta, meu amor, aguenta... - murmurou, a voz embargada. - Eu tô aqui, tá me ouvindo? Eu tô aqui...

Com um último esforço, conseguiu forçar a porta até ela se abrir com um estalo metálico.

- Estão fazendo o possível - respondeu a mulher, gentil. - Ela perdeu muito sangue, mas chegou a tempo.

Eduardo assentiu, tentando conter o tremor.

Mas quando ela se afastou, ele finalmente desabou em uma das cadeiras do pronto-socorro.

O chão girava, o zumbido das sirenes ainda ecoava em seus ouvidos. Tudo que podia ver eram flashes - Vivian sendo levada na maca, o sangue nas mãos dele, o olhar dela se perdendo antes de fechar os olhos.

O relógio marcava minutos, mas para ele pareciam horas.

A enfermeira surgiu novamente.

- O senhor é da família? - perguntou.

Eduardo levantou-se de imediato. - Sou o marido.

Ela hesitou por um instante, depois falou:

- A paciente está em cirurgia. Teve fraturas no braço e uma perda considerável de sangue. O problema é que o banco do hospital está com o estoque baixo... Estamos tentando contato com outros centros, mas pode demorar.

Ele não pensou duas vezes.

- Eu sou compatível - disse, a voz firme, cortando o ar como uma sentença.

Eduardo ergueu o braço, já arregaçando a manga da camisa. - Quanto antes começar, melhor.

Em poucos segundos, ele já estava sentado, o torniquete apertando o braço, o som do sangue escorrendo para o tubo transparente.

O ambiente parecia se estreitar, as luzes ficando mais brancas, mais frias.

Enquanto o sangue fluía, Eduardo encarava o teto sem realmente vê-lo.

Era a única coisa que podia fazer por ela - e era tão pouco.

Minutos depois, um médico apareceu no corredor, e Eduardo se levantou com dificuldade, as pernas trêmulas, o corpo frio.

- E então, doutor? - perguntou, antes mesmo que o homem pudesse falar.

O médico respirou fundo, retirando a máscara.

- Estamos fazendo o possível. Ela perdeu muito sangue, mas a transfusão ajudou. A cirurgia ainda está em andamento. Vai ser longa.

Eduardo fechou os olhos, a exaustão o tomando de assalto.

Não sabia se o que sentia era culpa, medo ou amor - talvez os três.

Mas sabia que, se ela não acordasse, nenhuma justificativa bastaria.

Nenhum controle, nenhum império, nada.

Apoiado na parede, deixou a cabeça cair para trás, respirando com dificuldade.

O braço doía, mas era um alívio comparado ao que apertava o peito.

Ali, no corredor frio de um hospital de cidade pequena, Eduardo Braga - o homem que sempre tivera respostas, que nunca se permitira fraquejar - finalmente se deu conta de que poderia perder a única coisa que realmente importava.

E, pela primeira vez na vida, rezou.

Baixo, quase sem voz, como quem não sabe por onde começar.

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