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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 46

Vivian

O primeiro som que ela ouviu foi o bip compassado das máquinas.

Depois, o cheiro de álcool e desinfetante.

E, por fim, o peso de algo quente segurando sua mão.

Vivian piscou devagar. A luz branca do quarto de hospital a cegou por um instante. Tentou se mover, mas uma dor aguda atravessou o braço - um gemido escapou de seus lábios.

- Ei... calma. - A voz era grave, rouca, conhecida demais. - Você está no hospital. Está tudo bem agora.

O mundo girou, mas, quando o foco voltou, ela o viu.

Eduardo.

Sentado na poltrona ao lado da cama, o rosto pálido, a barba por fazer, as olheiras profundas. O cabelo desalinhado denunciava noites sem dormir.

Mas o que mais a atingiu foi o olhar dele - uma mistura de alívio e culpa que ela nunca tinha visto antes.

Vivian tentou afastar a mão, mas ele a segurou com firmeza.

- Não faz isso - murmurou. - Eu achei que tinha te perdido.

Ela piscou algumas vezes, confusa, a voz falhando:

- O... o que aconteceu?

- O carro. - Ele hesitou. - Vocês sofreram um acidente na estrada.

O coração dela disparou.

- Meus pais! - tentou se erguer, mas a dor no braço a impediu. - E o meu avô? Eles estão bem?

Eduardo se inclinou rápido, tentando acalmá-la.

- Estão, Vivian. - A voz dele era baixa, quase um sussurro. - Seu pai teve algumas costelas trincadas, mas já está se recuperando. Sua mãe só teve escoriações leves. E o seu avô... ele também vai ficar bem. Já está consciente, inclusive perguntou de você.

As lágrimas vieram de imediato, silenciosas.

Vivian respirou fundo, deixando o alívio tomar conta.

Por um momento, esqueceu de tudo o resto - só conseguia agradecer mentalmente por estarem vivos.

Mas então, quando voltou a encará-lo, a lembrança de tudo o que ele a fizera passar reapareceu, como uma ferida que se abre de novo.

A presença dele ali, tão próxima, doía de um jeito diferente.

- Por quanto tempo eu... - a voz saiu rouca. - Estou aqui?

- Dois dias - respondeu ele, quase num sussurro. - Você ficou inconsciente depois da cirurgia.

Ele hesitou, os olhos marejados. - Teve muita perda de sangue.

O silêncio que se seguiu foi denso, quase palpável.

Ela voltou a encarar o teto, os olhos fixos no nada.

O som do monitor cardíaco preenchia o espaço entre eles, medindo cada segundo daquela distância que nem a tragédia parecia capaz de encurtar.

- Obrigada pela sua preocupação e ajuda - murmurou, fria. - Mas já pode ir embora cuidar das suas coisas.

- Vivi, eu não vou te deixar...

Ela arrancou a mão do aperto dele, mesmo que a dor lancinante no braço direito quase a fizesse gritar. Aquele apelido - o mesmo que ela implorou em silêncio para voltar a ouvir durante anos - agora soava como um deboche cruel.

- Quero descansar. Saia. - O tom dela não dava espaço para discussão.

Nos dias em que ela esteve desacordada, o hospital inteiro testemunhou o desespero dele.

Eduardo não deixou o lado dela nem por um instante. Dormiu em uma cadeira dura, recusou comida, recusou conselhos.

Quando o pai de Vivian conseguiu vê-la, a fúria foi imediata.

- Saia daqui, Eduardo! - a voz de Augusto ecoou pelo corredor, atraindo olhares. - Já fez minha filha sofrer o suficiente!

- Eu não vou embora. - A resposta foi baixa, firme.

- Não vai? - o homem se aproximou, com os olhos marejados e a voz trêmula. - Você acha que lágrimas agora vão apagar o que fez? As humilhações, o abandono?

Ele não esperou resposta. Os ferimentos não o impediram. O soco veio antes - um golpe seco, que o fez cambalear para trás.

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