Eduardo
O relógio digital no canto da tela piscava: 17h58.
Eduardo Braga ainda estava em videoconferência com os diretores de filial quando o assistente entrou, hesitante, com um bilhete.
“Dra. Alice Menezes está na recepção. Diz que é sobre Vivian.”
O nome bastou.
O ar pareceu rarefeito.
- Senhores, preciso encerrar por aqui. - anunciou, a voz firme apesar do nó na garganta. - Continuem a análise e me enviem o relatório amanhã cedo.
Encerrou a chamada e ficou alguns segundos parado, encarando o próprio reflexo na tela escura do notebook. Sabia o que estava por vir.
Fechou o computador, ajustou os punhos da camisa e respirou fundo antes de dizer:
- Peça pra ela entrar.
Alice entrou com a postura de quem não tem tempo a perder.
- Alice. - disse, tentando parecer controlado. - não imaginei que viesse pessoalmente.
Ela pousou uma pasta sobre a mesa e retirou um envelope pardo.
- Achei que fosse preferível tratarmos isso pessoalmente.
Eduardo olhou para o envelope por alguns segundos.
Não era surpresa. Ele vinha se preparando para isso. Mas ver o papel ali - concreto, oficial - doeu mais do que esperava.
Ele forçou um sorriso breve, sem humor. Abril o envelope, era o contrato original, sem indenizações ou qualquer compensação.
- Achei que você fosse redigir um acordo com suas recomendações de advogada e de amiga.
- Sim, eu fiz. - respondeu, seca. - Mas infelizmente ela não aceitou.
Eduardo desviou o olhar para a janela. A cidade se estendia diante dele - fria, indiferente.
- Eu não pretendo assinar. Pelo menos, não agora. Quero esperar que ela se recupere totalmente. Depois, conversamos.
Alice soltou um riso curto, sem alegria. Abriu a pasta novamente e retirou um pequeno pen drive metálico.
Ela o segurou entre os dedos, observando-o por um segundo antes de colocá-lo sobre a mesa.
- O que é isso?
- Um vídeo. - respondeu, com a calma de quem sabe o peso das próprias palavras. - O registro do dia em que seu avô a fez assinar o acordo pré-nupcial.
Eduardo sentiu o chão fugir por um instante.
- Eu assisti. - continuou ela. - É constrangedor. Mostra exatamente quem a sua familia é arrogante, fria… e cruel. - Alice continuou.- Você tem dois dias. Depois disso, vou divulgar o vídeo, assim que se tornar público. Você sabe o que isso significa pra imagem da sua família… e da sua empresa.
O silêncio que se seguiu era denso, sufocante.
Eduardo sentiu o corpo inteiro tensionar.
- Ela pediu pra você fazer isso? - perguntou, finalmente.
- Não. - respondeu Alice. - Vivian nunca pediria algo assim. Essa é uma decisão minha. Porque, sinceramente, já passou da hora de alguém te colocar no seu lugar.
Alice fechou a pasta, pronta para sair.
- Dois dias, Eduardo. - disse, pausadamente. - Depois disso, vou jogar a merda no ventilador.
Eduardo ficou sozinho.
O escritório, amplo e luxuoso, de repente parecia pequeno demais.
Ele olhou o pendrive sobre a mesa.
A luz da tarde o fazia brilhar como uma lâmina.
Por alguns segundos, ficou parado, apenas olhando.
Depois, com mãos trêmulas, pegou o objeto e conectou ao notebook.
O vídeo abriu.
Uma sala antiga, de decoração austera. Cortinas pesadas, a luz do fim de tarde filtrando-se por frestas douradas. Ao centro, uma mesa de madeira maciça. Sentado à cabeceira, o velho Gilbert - o patriarca, o homem que por toda a vida controlou o destino da família Braga.
Vivian estava ali também.
Eduardo se endireitou na cadeira sem perceber. Ela parecia tão jovem, tão frágil - mas havia firmeza nos olhos dela, uma coragem que ele nunca tinha notado antes. Vestia um vestido simples, o cabelo preso num coque apressado. As mãos, apoiadas no colo, tentavam esconder o nervosismo.
- Vamos resolver logo isso - a voz de Gilbert soou, seca, impaciente. - Os advogados já estão aqui. Ao lado dele, três homens engravatados folheavam papéis. Um deles colocou o contrato diante de Vivian.
- Este é o acordo pré-nupcial. - O tom era mecânico, indiferente. - O senhor Gilbert exige a assinatura para validar o casamento. Vou ler todas as cláusulas e você assina no fim se concordar com tudo.
Vivian mordeu o lábio inferior.
- Eu… já disse que assino. - Ela tentou sorrir. - Eu o amo. O resto é só papel.
Não havia justificativa.
Vivian estava sozinha naquela sala - cercada por homens que a julgavam, humilhada por sua causa. E, ainda assim, ela não vacilou.
O celular vibrou sobre a mesa, interrompendo o silêncio. Uma mensagem de Marcos: “Cliente da videoconferência está na linha.”
Eduardo não respondeu.
Desligou o monitor, empurrou a cadeira para trás e ficou ali, olhando pela janela do escritório. A cidade parecia distante, envolta em uma névoa cinza.
Pensou em Vivian, deitada em casa, com o braço ainda em recuperação, lutando para se reerguer sozinha.
E pensou no que ela teria sentido quando assinou aquele contrato - sozinha, humilhada, sem que ele sequer soubesse o que estava acontecendo.
O arrependimento veio em ondas.
Ele passou as mãos pelo rosto, respirou fundo e sussurrou, quase sem voz:
Eu nunca te mereci.
Dois dias.
Era o prazo que Alice havia lhe dado.
Dois dias para decidir se assinava o divórcio - ou se deixaria o mundo inteiro ver o vídeo.
Mas a decisão já estava tomada.
Não por medo da exposição.
Mas porque, pela primeira vez, ele enxergava as coisas como realmente eram.
Ele não era digno de amor.
Ela o amou, apesar de tudo.
E ele…
Ele destruiu isso com as próprias mãos.
Eduardo pegou a caneta e assinou o acordo de divórcio.
Quando terminou, olhou para o documento - o nome dela ao lado do dele - e percebeu que era o fim.
Mas, de algum modo, também era o começo do castigo que ele merecia.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....