Eduardo
O escritório estava silencioso, exceto pelo zumbido constante do ar-condicionado e pelo clique frenético das teclas.
Eduardo Braga se inclinou sobre os papéis, rabiscando números e revisando relatórios que já não significavam nada. O trabalho era a única coisa que ainda conseguia preencher o vazio desde o divórcio. Cada contrato fechado, cada planilha organizada, era apenas uma tentativa de não encarar o buraco que se abriu dentro dele.
As luzes frias refletiam na gravata ligeiramente afrouxada e no rosto cansado. O estômago ardia, lembrando-o de que o corpo não acompanhava a obsessão pelo excesso de trabalho e álcool. Ele ignorava a dor. Cada novo e-mail ou relatório urgente era mais um pretexto para se manter ocupado - para não pensar no que realmente importava: o que havia perdido.
- Eduardo, você está mesmo tentando se matar? - a voz de Gustavo cortou o silêncio, firme, mas carregada de preocupação.
O amigo entrou no escritório segurando duas xícaras de café e parou por alguns segundos, avaliando a cena: garrafas vazias empilhadas sobre a mesa, papéis espalhados, e a tela do computador iluminando o rosto exausto de Eduardo.
Ele ergueu os olhos e apoiou a testa nas mãos.
- Não estou tentando me matar - respondeu baixo, quase resignado. - Só tenho muito trabalho a fazer… preciso me manter ocupado.
Gustavo pousou a xícara sobre a mesa e se encostou à borda.
- Não me faça ficar bravo contigo. Você sabe que não está sozinho, certo? - Ele olhou em volta, para as garrafas, para os olhos fundos do amigo. - Nesse ritmo, você não vai aguentar.
- É a única coisa que posso fazer. - Eduardo deu um sorriso amargo. - Minha vida sempre teve essa utilidade: trabalhar. Afinal, eu sou o grande herdeiro, não é?
Gustavo sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos.
- “Utilidade”? Eduardo, você está falando bobagem. - Fez uma pausa. - Seu avô e seu pai estão muito preocupados com você. Eles me pedem notícias suas a cada poucas horas.
- Diga a eles que eu não estou morrendo. Não precisam se preocupar em perder o herdeiro. - A amargura na voz era quase palpável.
Ele fechou os olhos, e a lembrança veio como um golpe: a voz fria da madrasta, na infância.
"Você não merece amor, Eduardo. Você é apenas o herdeiro."
- Eu não acho que essa seja a preocupação deles, Edu. - disse Gustavo suavemente. - Sua família é distante, mas… eles te amam, do jeito deles.
- Ela… - Eduardo murmurou. - Ela foi a única que me amou. E mesmo assim, eu a perdi. Porque nunca fui digno. Nunca.
Gustavo inclinou-se para frente, tentando alcançar o olhar do amigo.
- Você acha que tudo acabou? Não é que tudo acabou, é que você deixou acabar. E agora está se destruindo por isso.
- Eu sei. - A voz de Eduardo estava mais firme, mas carregada de tristeza. - E vou pagar. Até o último dia. Porque ela merece alguém melhor, alguém que eu nunca fui. - Empurrou a cadeira para trás e voltou a encarar a tela. - Pode fazer o seu relatório pra eles, Gustavo. Ainda tenho contratos pra revisar.
- Deixa isso pra amanhã - insistiu o amigo. - Vamos tomar alguma coisa naquele bar que você gosta. Se é pra ficar embriagado até dormir… - ele apontou para as garrafas - …que seja com companhia.
Cada nova foto era um punhal, e ainda assim ele não conseguia parar de olhar.
Quando voltou para a mansão, já passava da meia-noite. O silêncio e a decoração austera combinavam com ele - sombrio e moribundo. Subiu para o quarto com duas garrafas de uísque e o iPad. Sentou-se no chão, encostado na cama, e abriu o álbum de fotos que Vivian havia feito para eles.
Bebeu direto da garrafa até que a embriaguez o apagasse.
Na manhã seguinte, acordou com o estômago em chamas e a cabeça latejando.
Mas não havia espaço para lamentações.
E-mails de investidores, telefonemas de diretores, ajustes de estratégia internacional - tudo era urgente.
E ele mergulhou, como sempre, sem hesitar.
Cada decisão certeira, cada documento assinado, era um lembrete cruel de que, apesar do sucesso, havia perdido o que realmente importava.
À noite, antes de dormir, olhou mais uma vez para o iPad.
A foto de Vivian, sorrindo para ele sob o sol de uma tarde antiga, parecia o paraiso. Ele não poderia perturbá-la. Não merecia o perdão dela.
Enquanto a cidade dormia lá fora, Eduardo, exausto, sentiu que o trabalho poderia consumi-lo para sempre. Cada cifra, cada decisão corporativa, cada reunião virtual com investidores, era apenas um substituto do que realmente o torturava: a lembrança constante de que ele nunca fora digno do amor que perdeu, e que agora só podia acompanhar, à distância, a vida de Vivian renascendo sem ele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....