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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 51

Eduardo

O escritório estava silencioso, exceto pelo zumbido constante do ar-condicionado e pelo clique frenético das teclas.

Eduardo Braga se inclinou sobre os papéis, rabiscando números e revisando relatórios que já não significavam nada. O trabalho era a única coisa que ainda conseguia preencher o vazio desde o divórcio. Cada contrato fechado, cada planilha organizada, era apenas uma tentativa de não encarar o buraco que se abriu dentro dele.

As luzes frias refletiam na gravata ligeiramente afrouxada e no rosto cansado. O estômago ardia, lembrando-o de que o corpo não acompanhava a obsessão pelo excesso de trabalho e álcool. Ele ignorava a dor. Cada novo e-mail ou relatório urgente era mais um pretexto para se manter ocupado - para não pensar no que realmente importava: o que havia perdido.

- Eduardo, você está mesmo tentando se matar? - a voz de Gustavo cortou o silêncio, firme, mas carregada de preocupação.

O amigo entrou no escritório segurando duas xícaras de café e parou por alguns segundos, avaliando a cena: garrafas vazias empilhadas sobre a mesa, papéis espalhados, e a tela do computador iluminando o rosto exausto de Eduardo.

Ele ergueu os olhos e apoiou a testa nas mãos.

- Não estou tentando me matar - respondeu baixo, quase resignado. - Só tenho muito trabalho a fazer… preciso me manter ocupado.

Gustavo pousou a xícara sobre a mesa e se encostou à borda.

- Não me faça ficar bravo contigo. Você sabe que não está sozinho, certo? - Ele olhou em volta, para as garrafas, para os olhos fundos do amigo. - Nesse ritmo, você não vai aguentar.

- É a única coisa que posso fazer. - Eduardo deu um sorriso amargo. - Minha vida sempre teve essa utilidade: trabalhar. Afinal, eu sou o grande herdeiro, não é?

Gustavo sentou-se, apoiando os cotovelos nos joelhos.

- “Utilidade”? Eduardo, você está falando bobagem. - Fez uma pausa. - Seu avô e seu pai estão muito preocupados com você. Eles me pedem notícias suas a cada poucas horas.

- Diga a eles que eu não estou morrendo. Não precisam se preocupar em perder o herdeiro. - A amargura na voz era quase palpável.

Ele fechou os olhos, e a lembrança veio como um golpe: a voz fria da madrasta, na infância.

"Você não merece amor, Eduardo. Você é apenas o herdeiro."

- Eu não acho que essa seja a preocupação deles, Edu. - disse Gustavo suavemente. - Sua família é distante, mas… eles te amam, do jeito deles.

- Ela… - Eduardo murmurou. - Ela foi a única que me amou. E mesmo assim, eu a perdi. Porque nunca fui digno. Nunca.

Gustavo inclinou-se para frente, tentando alcançar o olhar do amigo.

- Você acha que tudo acabou? Não é que tudo acabou, é que você deixou acabar. E agora está se destruindo por isso.

- Eu sei. - A voz de Eduardo estava mais firme, mas carregada de tristeza. - E vou pagar. Até o último dia. Porque ela merece alguém melhor, alguém que eu nunca fui. - Empurrou a cadeira para trás e voltou a encarar a tela. - Pode fazer o seu relatório pra eles, Gustavo. Ainda tenho contratos pra revisar.

- Deixa isso pra amanhã - insistiu o amigo. - Vamos tomar alguma coisa naquele bar que você gosta. Se é pra ficar embriagado até dormir… - ele apontou para as garrafas - …que seja com companhia.

Cada nova foto era um punhal, e ainda assim ele não conseguia parar de olhar.

Quando voltou para a mansão, já passava da meia-noite. O silêncio e a decoração austera combinavam com ele - sombrio e moribundo. Subiu para o quarto com duas garrafas de uísque e o iPad. Sentou-se no chão, encostado na cama, e abriu o álbum de fotos que Vivian havia feito para eles.

Bebeu direto da garrafa até que a embriaguez o apagasse.

Na manhã seguinte, acordou com o estômago em chamas e a cabeça latejando.

Mas não havia espaço para lamentações.

E-mails de investidores, telefonemas de diretores, ajustes de estratégia internacional - tudo era urgente.

E ele mergulhou, como sempre, sem hesitar.

Cada decisão certeira, cada documento assinado, era um lembrete cruel de que, apesar do sucesso, havia perdido o que realmente importava.

À noite, antes de dormir, olhou mais uma vez para o iPad.

A foto de Vivian, sorrindo para ele sob o sol de uma tarde antiga, parecia o paraiso. Ele não poderia perturbá-la. Não merecia o perdão dela.

Enquanto a cidade dormia lá fora, Eduardo, exausto, sentiu que o trabalho poderia consumi-lo para sempre. Cada cifra, cada decisão corporativa, cada reunião virtual com investidores, era apenas um substituto do que realmente o torturava: a lembrança constante de que ele nunca fora digno do amor que perdeu, e que agora só podia acompanhar, à distância, a vida de Vivian renascendo sem ele.

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