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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 54

Vivian

A solução veio fácil demais.

Vivian mal acreditava quando o colecionador pediu desculpas, explicando que a confusão havia sido “um mal-entendido de transporte”. O problema teria acontecido durante o envio da obra - uma falha de logística, segundo ele, sem qualquer responsabilidade da galeria.

As palavras pareciam ensaiadas, mas ninguém quis contestar.

Depois de dias de tensão, manchetes negativas e advogados por todos os lados, aquilo soava como um milagre.

Vivian ouviu as desculpas em silêncio, com um sorriso contido, sem saber se devia agradecer ou apenas aceitar e seguir.

Matheus, ao seu lado, estava radiante. O alívio estampado no rosto, ela também estava aliviada, mas uma ponta de dúvida fervia dentro dela.

Quando saíram do hotel, o céu de fim de tarde tingia o horizonte de um laranja suave. Vivian inspirou o ar frio e sentiu os ombros finalmente relaxarem.Conseguiu respirar sem o peso de um processo e da culpa sobre os ombros.

- Acabou - disse Matheus, abrindo um sorriso largo, quase menino. - Conseguimos, Vivian.

Ela assentiu, o olhar perdido no chão de pedras.

- É… acabou.

Mas a voz dela não tinha a mesma convicção.

O jantar veio como uma comemoração espontânea.

Matheus insistiu para que fossem a um pequeno restaurante francês nas redondezas do hotel.

Parte dela queria apenas um banho e silêncio, mas a outra - exausta, emocionalmente vazia - cedeu à gentileza dele.

A mesa era pequena, coberta por uma toalha de linho branca. Havia flores num vaso de cristal e duas taças de vinho tinto.

Matheus fez questão de escolher o vinho - o mesmo que, segundo ele, haviam servido no primeiro evento que fizeram juntos na galeria.

Vivian sorriu educadamente, tentando corresponder à leveza dele.

Durante os primeiros minutos, o jantar foi realmente uma comemoração.

Eles riram, lembraram dos dias tensos, falaram sobre os próximos planos da galeria.

Vivian se sentia grata - Matheus havia sido um amigo, um apoio constante desde que voltaram a se encontrar, um refúgio na fase em que tudo desabava.

Mas, conforme o céu escurecia, ela percebeu que algo mudava.

O olhar dele demorava demais sobre ela.

As palavras vinham mais suaves, o tom mais baixo.

O sorriso dele não era mais de amigo, era de homem.

E ela soube - antes mesmo que ele fizesse qualquer gesto - que aquele momento estava prestes a mudar.

- Você merece estar feliz, Vivian - disse Matheus, com a voz rouca. - Tudo isso que passou… já era hora de as coisas darem certo pra você.

Ela baixou os olhos, desconcertada.

- Ainda estou tentando entender o que é dar certo - respondeu, com um sorriso frágil.

- É simples - ele disse, aproximando-se um pouco. - Dar certo é poder sorrir de novo… sem o peso do passado. As palavras dele pairaram no ar, doces e perigosas.

Vivian quis responder, mas a garganta travou.

Matheus estendeu a mão, roçando de leve os dedos nos dela sobre a mesa.

Ela não recuou - e talvez esse tenha sido o erro.

Por um instante, deixou-se envolver pela delicadeza do toque.

Era agradável, seguro.

Não havia tensão, nem promessas quebradas.

Era o tipo de carinho que ela merecia - simples, sincero.

Mas quando ele se inclinou sobre a mesa e seus rostos ficaram próximos, o coração dela reagiu antes da razão.

Uma lembrança atravessou sua mente com força: o toque firme de Eduardo, o timbre rouco dizendo seu nome, o calor de um beijo que ainda queimava na memória.

E então tudo ruiu.

Vivian desviou o rosto, o corpo rígido.

- Matheus… eu… - murmurou, sem conseguir concluir.

Ele recuou, sem disfarçar o embaraço.

- Desculpa. Eu… achei que você quisesse também.

- Não - disse rápido demais, e depois suavizou. - Quer dizer… eu não sei. Só não estou pronta, Matheus.

O silêncio que se seguiu foi constrangedor.

Os dois desviaram o olhar, o clima leve do jantar se desfez no ar como fumaça.

Matheus respirou fundo, tentando sorrir, mas o sorriso morreu pela metade.

- Tudo bem - disse, finalmente. - Eu entendo.

Vivian quis acreditar que ele realmente entendia. Mas o olhar dele, por um breve instante, mostrou a frustração de quem desejava mais do que amizade.

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