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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 55

Eduardo

O carro alugado cortava as curvas da estrada de Serra Azul em alta velocidade. As mãos de Eduardo apertavam o volante com força, os olhos fixos na pista, mas a mente vagando entre as lembranças que ele tentava apagar.

Do lado de fora, o anoitecer tingia o céu. Do lado de dentro, o silêncio era absoluto - só o som do motor e o eco dos pensamentos.

Ele não viu o beijo, mas viu o suficiente.

Vivian rindo, o olhar brilhante diante de Matheus, o corpo inclinado na direção dele. Aquilo bastava.

A imagem se repetia como um disco arranhado. Cada vez que ele piscava, via de novo - o rosto dela iluminado por velas, o gesto suave de tocar o cabelo atrás da orelha, o olhar cúmplice.

Era como se tudo que fora dele agora pertencesse a outro homem.

O rádio, sintonizou uma estação, e os acordes de uma canção de amor começou a preencher o silêncio do carro. Eduardo desligou o som de imediato, o maxilar tenso.

- Droga... - murmurou, com os olhos marejados.

O peito doía, mas não era só de ciúme - era o peso de uma vida inteira construída sobre orgulho e arrependimento.

No acostamento, viu a placa indicando o aeroporto. Acelerou.

“Acabou”, pensou. “Agora sim acabou de verdade.”

O jatinho particular o esperava na pista. Eduardo subiu as escadas com um ar cansado, o corpo pesado como se cada passo custasse um pedaço de vida.

O piloto o cumprimentou com respeito, mas ele apenas acenou em silêncio e foi direto para a poltrona de couro. Pediu uísque antes mesmo da decolagem.

Enquanto o avião ganhava o céu, Eduardo afrouxou a gravata e olhou pela janela. As nuvens pareciam lençóis brancos encobrindo o mundo abaixo.

Lá embaixo, deixava tudo: Serra Azul, o restaurante, Vivian.

E, talvez, o último pedaço do seu coração.

O primeiro gole de uísque queimou a garganta, o segundo já parecia água. Ele queria apagar, esquecer, desaparecer dentro daquele copo. Mas a memória era mais forte.

Veio o primeiro bilhete de amor.

Eles tinham quatorze anos.

Ela colocou o papel dobrado dentro da caixa de lápis de cor no dia do aniversário. “Pra colorir o mundo”, dizia, com a letra delicada e o desenho de um coração.

Ele nunca jogou fora aquele bilhete - ainda o guardava, amarelado pelo tempo, dentro de uma gaveta trancada.

Lembrou-se também das tardes no parque, das risadas fáceis, do toque suave das mãos dela sobre as dele quando o mundo ainda parecia simples.

E o primeiro beijo… doce, hesitante, cheio de promessas que o tempo se encarregaria de destruir.

Eduardo fechou os olhos e suspirou.

- Eu destruí tudo… - sussurrou para si mesmo, a voz rouca.

O jatinho tremia levemente, atravessando uma faixa de turbulência, mas ele mal percebia.

A dor era outra - vinha de dentro, no lugar que ele passou anos ignorando.

Quando o orgulho se desfaz, sobra só o vazio.

Pegou mais uma dose.

O uísque queimava menos do que a lembrança.

Aos poucos, o corpo começou a reagir. Uma dor aguda subiu do estômago para o peito, depois para a garganta. Tossiu. Uma vez. Duas. Quando limpou a boca com o lenço, o vermelho manchou o tecido.

Eduardo olhou a mancha, incrédulo.

- Não… não agora… - murmurou, tentando engolir o pânico.

O piloto, sem perceber o que acontecia atrás, anunciou a previsão de pouso em menos de uma hora.

Eduardo apenas encostou a cabeça no encosto e fechou os olhos, a respiração entrecortada.

Mas o único som era o apito constante das máquinas.

- Pressão caindo!

- Vamos preparar a transfusão!

Eduardo tentou levantar a mão, mas o corpo não obedeceu.

Apenas murmurou algo imperceptível.

Horas depois, o quarto estava em silêncio.

Eduardo dormia, ligado a tubos e monitores. O rosto pálido contrastava com os fios escuros do cabelo desalinhado.

Do lado de fora, o médico conversava com o Gilbert Braga:

- O quadro é grave. Ele precisa de repouso absoluto.

- Façam tudo o que for necessário.

- Os melhores especialistas estão em regime de plantão, Senhor não se preocupe, apesar da gravidade ele vai ficar bem.

Na penumbra, Eduardo se remexeu, preso entre o sonho e a dor.

Vivian aparecia diante dele - sorrindo, como antes, com o mesmo vestido do dia do pedido de casamento.

- Não posso… morrer agora… - sussurrou, quase implorando ao vazio. - Você precisa saber que eu… que eu…

O que queria dizer, ele mesmo não sabia. Que a amava? Que se arrependera? Que tinha falhado miseravelmente? Que ele a amava muito antes que ela? Talvez tudo junto.

Ele estendeu a mão, tentando tocar, mas ela se afastou.

E o vazio voltou a abraçá-lo.

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