Treze anos antes…
Eduardo
O professor de matemática arrancou a folha das mãos de Vivian.
Uma entre tantas que ela já havia lhe entregue ao longo dos últimos anos.
Uma sensação familiar - e incômoda - se espalhou pelo peito dele.
Aqueles bilhetes já tinham sido o ponto alto dos seus dias.
Agora, pareciam apenas uma piada cruel.
Mas daquela vez não era um bilhete qualquer.
Era uma confissão.
Vivian estava imóvel, pálida, os olhos fixos na mesa.
O professor segurava o papel como se fosse uma prova de crime.
Eduardo sentiu o estômago se contrair.
- Então é isso que está mais interessante que minha aula, senhorita Vivian? Tão brega? - perguntou o professor, com aquele tom ácido que fazia todo mundo se encolher.
As risadas começaram a pipocar pela sala.
Ele podia ter deixado por isso mesmo.
Podia ter apenas recolhido o bilhete e mandado Vivian para a direção.
Mas não - o senhor Brandão decidiu ler em voz alta.
A voz grave dele ecoou pelas paredes:
“Eduardo, eu sei que você anda diferente. E talvez eu não devesse dizer nada, mas sinto sua falta…”
O nome dele soou alto, nítido, inconfundível.
O riso abafado de alguns colegas veio logo depois.
Vivian continuou imóvel, o rosto corando até as orelhas.
Eduardo sentiu o estômago se contrair novamente.
Não precisava olhar pra saber que todos agora observavam os dois.
“Eu não quero que isso acabe. E se o motivo for eu… me desculpa. Eu quero te contar há muito tempo que…”
As palavras o atingiram como lâminas.
Vivian seguia com o rosto abaixado, os dedos apertando a borda da carteira.
Eduardo sentiu um nó na garganta.
Por um segundo, pensou em defendê-la - dizer algo, qualquer coisa.
Mas o que diria?
Que também sentia falta dela?
Que guardava todos os bilhetes numa caixa escondida no fundo da gaveta?
Que relia cada palavra, nas madrugadas em que a solidão o sufocava?
Não.
Não podia.
Porque agora aquilo - aquilo que antes era consolo - parecia um lembrete cruel do quanto ele era um objeto de pena.
Ela mesma havia dito: “Quero que se sinta amado por alguém.”
Aquela frase ecoava na cabeça dele como veneno.
Pena.
O avô o via como um fracasso em potencial. A madrasta, como um estorvo.
E ela… ela o via com pena.
Vivian, a única que um dia o fizera sentir digno, agora o reduzia àquilo - um garoto quebrado que precisava de compaixão.
E ele, idiota, acreditou que era algo mais.
As mãos dele se fecharam em punhos sobre a carteira.
Enquanto o professor dobrava o bilhete, um dos colegas - provavelmente o idiota do Renato - gritou:
- Professor, dá pra ele guardar como lembrança!
Mais risadas.
Eduardo sentiu o rosto queimar.

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