Treze anos antes…
Vivian
Pulou o muro da escola assim que saiu da sala de aula.
Nem pensou duas vezes.
A mochila bateu com força em suas costas quando aterrissou do outro lado, mas ela mal sentiu. A única coisa que queria era fugir - do olhar dos colegas, das risadas, do som da voz do professor lendo suas palavras em voz alta.
Sua vontade era cavar um buraco até o centro da Terra e nunca mais sair.
As lágrimas turvavam a visão, e os passos, rápidos e desordenados, a levaram quase automaticamente até o morro atrás da escola - o mesmo onde ela e Eduardo costumavam se esconder quando queriam fugir do resto do mundo.
Ironia cruel.
O lugar que ele havia mostrado pra ela agora era o único refúgio que lhe restava.
O morro era alto, coberto por vegetação irregular. De lá, dava pra ver quase toda a cidade - as casas pequenas se amontoando em blocos coloridos, o brilho distante dos carros.
Mas nada daquilo tinha graça.
A paisagem parecia embaçada, como se o mundo tivesse perdido as cores.
Vivian se deixou cair na grama, os joelhos abraçados, o rosto escondido entre os braços.
Não sabia quanto tempo ficou ali.
As lágrimas vinham em ondas - silenciosas, insistentes - e o peito ardia como se o coração estivesse tentando se libertar pelas costelas.
O vento frio batia em seu rosto, levando embora o pouco de calor que ainda restava.
Ela pensava no som das gargalhadas, no rosto de Eduardo - aquele olhar que antes a fazia sentir-se segura, agora distante, duro, cruel.
Por que ele disse aquilo?
As palavras dele ecoavam, cortantes.
“Vai que um dia falta papel higiênico no banheiro.”
Um riso forçado, uma máscara fria.
Mas o que mais doía era saber que, por trás daquilo, ainda existia o Eduardo que ela conhecia - o garoto que ria das próprias trapalhadas, que fingia não entender nada só pra que ela o ajudasse com as lições.
O Eduardo que ela amava, e que agora parecia odiá-la.
Ela respirou fundo, tentando conter o soluço.
Precisava se acalmar.
Só que não teve tempo.
Um estalo seco soou atrás dela - o som de galhos se partindo sob o peso de alguém.
Vivian se virou, o coração disparando.
Três, não… quatro rapazes.
Roupas escuras, rostos suados, olhares que não deixavam espaço para dúvidas.
O morro, isolado e afastado, agora parecia uma armadilha.
- Olha só o que temos aqui - disse um deles, aproximando-se com um sorriso torto. - Uma princesinha da escola dos riquinhos.
Vivian deu um passo para trás, o corpo inteiro tremendo.
Atrás dela, o precipício.
À frente, eles.
- Eu… eu só quero ir embora. - A voz dela mal saiu. - Podem ficar com minha mochila.
Ela tirou a bolsa das costas e a estendeu, as mãos trêmulas.
O homem riu.
- Viu só? Que educada. - Ele arrancou a mochila das mãos dela e começou a revirar o conteúdo. - Caderno, lanche… ah, um celular.
Os outros riram.
- Pra uma patricinha, você tá bem atrasada, hein? - disse outro, balançando o aparelho. - Esse modelo é uma bosta.
Vivian ficou imóvel, o coração acelerando tanto que ela jurava que eles podiam ouvir.
- Acho que isso não é o suficiente pra liberar você, gatinha. - O primeiro se aproximou, os olhos brilhando de um jeito perigoso. - Quanto dinheiro você tem?
- Nada… só o troco do lanche. Por favor, eu já vou embora.
Eles não ouviram.
Ou não quiseram.
O círculo em volta dela foi se fechando.
Passos lentos, risos abafados.
Vivian deu mais um passo pra trás - o pé escorregou na beira do barranco.
O medo tomou conta.
A dor no peito, que antes vinha do coração partido, agora era puro instinto de sobrevivência.
O corpo inteiro gritava corre, mas as pernas pareciam presas ao chão.
E foi então que tudo aconteceu de uma vez.
Um dos garotos agarrou seu braço.
Vivian gritou - e antes que pudesse reagir, o rapaz foi arremessado pro lado.
- Ela disse pra soltar.
A voz veio firme, furiosa.
Eduardo.
Por um segundo, Vivian achou que estava imaginando.
Mas não - ele estava ali, suado, ofegante, os olhos faiscando.
- Quem é você? - perguntou um dos homens.
Eduardo não respondeu.
O punho dele acertou o primeiro agressor com força. O som do impacto ecoou, seco.
O caos se instaurou.
Os quatro avançaram contra ele.
Vivian recuou, o coração martelando.
Eduardo era forte, rápido - mas eram quatro.
Ele lutava como podia, desviando, bloqueando, atacando, mas os socos vinham de todos os lados.
O homem caiu, desacordado.
Mas Eduardo mal teve tempo de respirar.
Outro veio por trás e o atingiu em cheio com um pedaço de madeira.
Vivian gritou o nome dele, tentando se levantar.
Eduardo cambaleou, caiu de joelhos, e logo os outros dois se juntaram - chutes, socos.
Ela correu, sem pensar, pegou outra pedra e jogou.
Nada.
Correu mais perto, tentando puxar um deles.
- Parem! - gritou. - Por favor, parem!
Um deles ergueu o braço, ameaçando-a.
E foi nesse momento que o som estridente das sirenes rompeu o ar.
Luzes.
Passos apressados.
As vozes dos seguranças ecoando enquanto os homens fugiam pelo mato.
Vivian caiu de joelhos ao lado de Eduardo.
Ele estava de bruços, respirando com dificuldade.
O rosto machucado, o sangue manchando a camisa branca do uniforme.
- Eduardo… - sussurrou, a voz embargada. - Por favor, fala comigo.
Ele abriu os olhos por um instante, o olhar perdido, mas ainda firme o bastante pra reconhecer o rosto dela.
- Eu… disse pra você correr. - A voz saiu rouca, quase um sussurro.
- E te deixar aqui? - ela retrucou, chorando. - Nunca.
Os seguranças chegaram, gritando ordens, pedindo pra ela se afastar.
Mas Vivian não se moveu.
Enquanto eles chamavam ajuda e tentavam conter o sangramento, ela segurava a mão dele com força, os dedos manchados de sangue.
- Me desculpa… - ela repetia, em meio ao pranto. - Por tudo, me desculpa.
Eduardo tentou responder, mas o som não veio.
Apenas fechou os olhos, exausto.
Vivian sentiu o desespero apertar o peito.
As luzes vermelhas da ambulância refletiam no rosto dele quando os socorristas chegaram.
Enquanto colocavam Eduardo na maca, ela ficou parada, o corpo tremendo.
O vento soprou, frio, e levou embora o último vestígio de coragem que ainda restava.
Tudo o que ela podia fazer era olhar enquanto o levavam.
O garoto que ela amava, ensanguentado, inconsciente.
O mesmo que, minutos antes, havia destruído seu coração… e ainda assim, arriscado a vida pra salvá-la.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....