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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 60

Treze anos antes…

Vivian

Pulou o muro da escola assim que saiu da sala de aula.

Nem pensou duas vezes.

A mochila bateu com força em suas costas quando aterrissou do outro lado, mas ela mal sentiu. A única coisa que queria era fugir - do olhar dos colegas, das risadas, do som da voz do professor lendo suas palavras em voz alta.

Sua vontade era cavar um buraco até o centro da Terra e nunca mais sair.

As lágrimas turvavam a visão, e os passos, rápidos e desordenados, a levaram quase automaticamente até o morro atrás da escola - o mesmo onde ela e Eduardo costumavam se esconder quando queriam fugir do resto do mundo.

Ironia cruel.

O lugar que ele havia mostrado pra ela agora era o único refúgio que lhe restava.

O morro era alto, coberto por vegetação irregular. De lá, dava pra ver quase toda a cidade - as casas pequenas se amontoando em blocos coloridos, o brilho distante dos carros.

Mas nada daquilo tinha graça.

A paisagem parecia embaçada, como se o mundo tivesse perdido as cores.

Vivian se deixou cair na grama, os joelhos abraçados, o rosto escondido entre os braços.

Não sabia quanto tempo ficou ali.

As lágrimas vinham em ondas - silenciosas, insistentes - e o peito ardia como se o coração estivesse tentando se libertar pelas costelas.

O vento frio batia em seu rosto, levando embora o pouco de calor que ainda restava.

Ela pensava no som das gargalhadas, no rosto de Eduardo - aquele olhar que antes a fazia sentir-se segura, agora distante, duro, cruel.

Por que ele disse aquilo?

As palavras dele ecoavam, cortantes.

“Vai que um dia falta papel higiênico no banheiro.”

Um riso forçado, uma máscara fria.

Mas o que mais doía era saber que, por trás daquilo, ainda existia o Eduardo que ela conhecia - o garoto que ria das próprias trapalhadas, que fingia não entender nada só pra que ela o ajudasse com as lições.

O Eduardo que ela amava, e que agora parecia odiá-la.

Ela respirou fundo, tentando conter o soluço.

Precisava se acalmar.

Só que não teve tempo.

Um estalo seco soou atrás dela - o som de galhos se partindo sob o peso de alguém.

Vivian se virou, o coração disparando.

Três, não… quatro rapazes.

Roupas escuras, rostos suados, olhares que não deixavam espaço para dúvidas.

O morro, isolado e afastado, agora parecia uma armadilha.

- Olha só o que temos aqui - disse um deles, aproximando-se com um sorriso torto. - Uma princesinha da escola dos riquinhos.

Vivian deu um passo para trás, o corpo inteiro tremendo.

Atrás dela, o precipício.

À frente, eles.

- Eu… eu só quero ir embora. - A voz dela mal saiu. - Podem ficar com minha mochila.

Ela tirou a bolsa das costas e a estendeu, as mãos trêmulas.

O homem riu.

- Viu só? Que educada. - Ele arrancou a mochila das mãos dela e começou a revirar o conteúdo. - Caderno, lanche… ah, um celular.

Os outros riram.

- Pra uma patricinha, você tá bem atrasada, hein? - disse outro, balançando o aparelho. - Esse modelo é uma bosta.

Vivian ficou imóvel, o coração acelerando tanto que ela jurava que eles podiam ouvir.

- Acho que isso não é o suficiente pra liberar você, gatinha. - O primeiro se aproximou, os olhos brilhando de um jeito perigoso. - Quanto dinheiro você tem?

- Nada… só o troco do lanche. Por favor, eu já vou embora.

Eles não ouviram.

Ou não quiseram.

O círculo em volta dela foi se fechando.

Passos lentos, risos abafados.

Vivian deu mais um passo pra trás - o pé escorregou na beira do barranco.

O medo tomou conta.

A dor no peito, que antes vinha do coração partido, agora era puro instinto de sobrevivência.

O corpo inteiro gritava corre, mas as pernas pareciam presas ao chão.

E foi então que tudo aconteceu de uma vez.

Um dos garotos agarrou seu braço.

Vivian gritou - e antes que pudesse reagir, o rapaz foi arremessado pro lado.

- Ela disse pra soltar.

A voz veio firme, furiosa.

Eduardo.

Por um segundo, Vivian achou que estava imaginando.

Mas não - ele estava ali, suado, ofegante, os olhos faiscando.

- Quem é você? - perguntou um dos homens.

Eduardo não respondeu.

O punho dele acertou o primeiro agressor com força. O som do impacto ecoou, seco.

O caos se instaurou.

Os quatro avançaram contra ele.

Vivian recuou, o coração martelando.

Eduardo era forte, rápido - mas eram quatro.

Ele lutava como podia, desviando, bloqueando, atacando, mas os socos vinham de todos os lados.

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