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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 61

Doze anos antes…

Vivian

Eduardo continuava frio.

Frio e distante, como se tudo o que tivesse acontecido entre eles não passasse de uma ilusão da cabeça dela. Às vezes, Vivian se pegava se perguntando se ele realmente existia - se aquele garoto que arriscara a própria vida por ela no inverno passado era o mesmo que agora mal a olhava no corredor.

O garoto que, por um breve instante, deixara o coração à mostra, parecia ter desaparecido. No lugar, restara um Eduardo ainda mais fechado, cercado por garotas, risadas vazias e olhares de desafio.

Por meses, ela tentou se aproximar.

Tentou conversar, entender.

Mandava mensagens que ele não respondia, esperava nos corredores, sorria quando o via.

Ele retribuía com um aceno distraído - às vezes com um olhar que parecia pedir desculpas, outras com uma indiferença calculada.

Mesmo assim, o coração dela teimava em bater mais forte toda vez que o via.

- Você precisa seguir em frente, Vivian - dizia Alice, a melhor amiga, num tom que misturava carinho e exasperação. - Sério, ele não vai mudar. E você é linda, inteligente… ficar sofrendo por ele é jogar sua vida fora.

Elas estavam no último ano do ensino médio, e a vida parecia prestes a começar de verdade - menos pra Vivian.

Nunca tinha namorado, nunca tinha beijado ninguém. Sempre que ia a uma festa, acabava indo embora mais cedo, chorando no banheiro quando o via agarrando outra garota.

Quando Alice contou sobre a festa, Vivian achou que fosse brincadeira.

- É na casa do amigo do meu irmão - disse, animada. - Vão ter uns calouros da universidade.

- Calouros?

- É, e o melhor de tudo: Eduardo não foi convidado.

Alice e as outras amigas vibraram.

- Você precisa virar a página - insistiu Alice. - E, quem sabe, perder o BV hoje, hein?

Vivian ficou vermelha.

- Alice!

- Tô falando sério. Você vive presa nesse conto de fadas com o Eduardo. Tá na hora de viver algo real.

Ela quis protestar, mas algo dentro dela sabia que Alice tinha razão.

Talvez fosse mesmo hora de tentar.

A noite chegou rápido.

Henrique, o irmão mais velho de Alice, concordou em levá-las - mas, como todo irmão responsável, passou o caminho inteiro lembrando que elas deviam “se comportar”.

Vivian prometeu que sim, mesmo sem saber exatamente o que significava “se comportar” numa festa universitária.

Quando chegaram, a casa já estava cheia.

Luzes coloridas piscavam, a música vibrava nos alto-falantes, e o cheiro de bebida misturado a perfume doce preenchia o ar.

- Relaxa - sussurrou Alice, puxando a amiga pela mão. - A gente tá aqui pra se divertir.

Henrique ainda tentou segui-las, mas, quando encontrou uma garota que parecia interessada nele, esqueceu completamente o papel de guardião.

Vivian começou a relaxar.

A música era boa, o ambiente animado. Se permitiu sorrir. Provou uma bebida doce demais - o tipo que engana e sobe devagar - e, quando percebeu, estava dançando, rindo e conversando com um grupo de calouros simpáticos.

Um deles se destacou. Tinha olhos claros e um sorriso gentil - o tipo de sorriso que lembrava vagamente o Eduardo de antes. Conversaram, riram. Ele parecia leve, fácil de gostar.

Dançaram juntos por um tempo, e Vivian sentiu o coração flutuar - uma leveza estranha, meio embriagada, meio esperançosa.

E quando ele a beijou, ela não recuou.

O beijo foi suave, hesitante, quase tímido - meio desajeitado no início, mas terno. Vivian sentiu o coração acelerar e um impulso novo - o de continuar. Talvez fosse a bebida dando coragem, ou talvez fosse só a necessidade de provar que conseguia seguir em frente. O garoto a envolveu pela cintura, puxando-a um pouco mais pra perto, e os beijos começaram a se encaixar com uma naturalidade inesperada.

Mas algo mudou no ar - súbito, invisível. Vivian sentiu antes de ver. O peso daquele olhar.

O som à volta pareceu diminuir, as luzes ficaram mais fortes, e um arrepio percorreu sua espinha.

Quando se virou, o mundo parou.

Eduardo estava lá.

A expressão dele era sombria, o maxilar travado, os olhos faiscando.

Ele atravessou a sala como uma tempestade, ignorando todos os olhares.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele já segurava o braço dela. O rapaz com quem ela dançava mal teve tempo de entender o que estava acontecendo - Eduardo simplesmente a puxou para fora.

- Eduardo! - ela protestou, tropeçando no tapete do corredor. - Me solta!

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