Doze anos antes…
Vivian
Eduardo continuava frio.
Frio e distante, como se tudo o que tivesse acontecido entre eles não passasse de uma ilusão da cabeça dela. Às vezes, Vivian se pegava se perguntando se ele realmente existia - se aquele garoto que arriscara a própria vida por ela no inverno passado era o mesmo que agora mal a olhava no corredor.
O garoto que, por um breve instante, deixara o coração à mostra, parecia ter desaparecido. No lugar, restara um Eduardo ainda mais fechado, cercado por garotas, risadas vazias e olhares de desafio.
Por meses, ela tentou se aproximar.
Tentou conversar, entender.
Mandava mensagens que ele não respondia, esperava nos corredores, sorria quando o via.
Ele retribuía com um aceno distraído - às vezes com um olhar que parecia pedir desculpas, outras com uma indiferença calculada.
Mesmo assim, o coração dela teimava em bater mais forte toda vez que o via.
- Você precisa seguir em frente, Vivian - dizia Alice, a melhor amiga, num tom que misturava carinho e exasperação. - Sério, ele não vai mudar. E você é linda, inteligente… ficar sofrendo por ele é jogar sua vida fora.
Elas estavam no último ano do ensino médio, e a vida parecia prestes a começar de verdade - menos pra Vivian.
Nunca tinha namorado, nunca tinha beijado ninguém. Sempre que ia a uma festa, acabava indo embora mais cedo, chorando no banheiro quando o via agarrando outra garota.
Quando Alice contou sobre a festa, Vivian achou que fosse brincadeira.
- É na casa do amigo do meu irmão - disse, animada. - Vão ter uns calouros da universidade.
- Calouros?
- É, e o melhor de tudo: Eduardo não foi convidado.
Alice e as outras amigas vibraram.
- Você precisa virar a página - insistiu Alice. - E, quem sabe, perder o BV hoje, hein?
Vivian ficou vermelha.
- Alice!
- Tô falando sério. Você vive presa nesse conto de fadas com o Eduardo. Tá na hora de viver algo real.
Ela quis protestar, mas algo dentro dela sabia que Alice tinha razão.
Talvez fosse mesmo hora de tentar.
A noite chegou rápido.
Henrique, o irmão mais velho de Alice, concordou em levá-las - mas, como todo irmão responsável, passou o caminho inteiro lembrando que elas deviam “se comportar”.
Vivian prometeu que sim, mesmo sem saber exatamente o que significava “se comportar” numa festa universitária.
Quando chegaram, a casa já estava cheia.
Luzes coloridas piscavam, a música vibrava nos alto-falantes, e o cheiro de bebida misturado a perfume doce preenchia o ar.
- Relaxa - sussurrou Alice, puxando a amiga pela mão. - A gente tá aqui pra se divertir.
Henrique ainda tentou segui-las, mas, quando encontrou uma garota que parecia interessada nele, esqueceu completamente o papel de guardião.
Vivian começou a relaxar.
A música era boa, o ambiente animado. Se permitiu sorrir. Provou uma bebida doce demais - o tipo que engana e sobe devagar - e, quando percebeu, estava dançando, rindo e conversando com um grupo de calouros simpáticos.
Um deles se destacou. Tinha olhos claros e um sorriso gentil - o tipo de sorriso que lembrava vagamente o Eduardo de antes. Conversaram, riram. Ele parecia leve, fácil de gostar.
Dançaram juntos por um tempo, e Vivian sentiu o coração flutuar - uma leveza estranha, meio embriagada, meio esperançosa.
E quando ele a beijou, ela não recuou.
O beijo foi suave, hesitante, quase tímido - meio desajeitado no início, mas terno. Vivian sentiu o coração acelerar e um impulso novo - o de continuar. Talvez fosse a bebida dando coragem, ou talvez fosse só a necessidade de provar que conseguia seguir em frente. O garoto a envolveu pela cintura, puxando-a um pouco mais pra perto, e os beijos começaram a se encaixar com uma naturalidade inesperada.
Mas algo mudou no ar - súbito, invisível. Vivian sentiu antes de ver. O peso daquele olhar.
O som à volta pareceu diminuir, as luzes ficaram mais fortes, e um arrepio percorreu sua espinha.
Quando se virou, o mundo parou.
Eduardo estava lá.
A expressão dele era sombria, o maxilar travado, os olhos faiscando.
Ele atravessou a sala como uma tempestade, ignorando todos os olhares.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele já segurava o braço dela. O rapaz com quem ela dançava mal teve tempo de entender o que estava acontecendo - Eduardo simplesmente a puxou para fora.
- Eduardo! - ela protestou, tropeçando no tapete do corredor. - Me solta!
O mundo sumiu.
Não havia festa, nem música, nem passado.
Só o toque dele e o som do próprio coração disparado.
Quando se afastaram, ambos estavam sem fôlego.
Os olhos de Eduardo estavam diferentes - vulneráveis, quase desesperados.
Ela ficou em silêncio, o peito subindo e descendo rápido.
E, antes que a razão pudesse interferir, foi ela quem o puxou de volta.
O segundo beijo foi diferente.
Não havia raiva - só desejo.
Intenso, terno, quase doloroso.
Eduardo respondeu com a mesma fome, como se quisesse apagar meses de distância num único toque.
Os dedos dele se perderam nos cabelos dela, o corpo encostado ao dela, o mundo reduzido ao instante em que finalmente se encontravam.
Quando se afastaram outra vez, Vivian ainda tremia.
- Isso muda alguma coisa? - ela perguntou, a voz quase um sussurro.
Eduardo a olhou por um longo tempo.
- Eu queria que mudasse.
E, antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ele se virou e foi embora.
Sem explicação.
Sem olhar pra trás.
Vivian ficou ali, parada, o coração acelerado, os lábios ainda ardendo.
Sabia que deveria odiá-lo.
Mas o problema era simples - naquele beijo, ela tinha sentido tudo que sempre sonhou.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor
A história é boa, pena que hoje em dias, autores usem a IA para criar os enredos. Frases e modelo de escrita que estão saturadas. A gente lê e já sabe que houve uso da IA. Está difícil achar alguém que não use. Esses dias li uma história da Amazon, chamada "Um ponto de partida" da Jay Roslyn e do começo ao fim, fui lendo e dizendo pra mim mesma "se tiver indícios de IA, nem leio mais. Mas não tinha até pq quando a autora escreveu, era 2018. Pensa em como fiquei feliz por algo tão natural e bem elaborado. Essa daqui também está natural, mas infelizmente, os vícios de linguagem da IA, estão presentes. No mais, eu até que gostei bastante....
Também não consegui lê os últimos capítulos inteiros, mais amei a história, e o final, não teve enrolação! Parabéns pra quem escreveu 👏🏼...
Eu amei o livro, a plataforma não cobra em real?!Fiquei sem o ultimo capitulo, mas gostei muito da história....