Doze anos antes…
Eduardo
Ele não sabia o que estava fazendo naquela festa.
Conhecia metade das pessoas dali - colegas de time, amigos de amigos, garotas que já tinha beijado e esquecido o nome.
Normalmente, se misturava sem esforço. O rótulo de popular lhe caía fácil, quase automático.
Mas naquela noite, tudo o irritava. As risadas, as vozes, o cheiro de álcool misturado a perfume barato.
Nada fazia sentido. Algo estava faltando.
Até que ouviu.
Estava encostado na varanda, fingindo interesse na conversa de dois colegas, quando a voz de Lucas chamou sua atenção.
- Cara… não acredito em uma festa… até que enfim ela desencanou daquele idiota. Uma garota tão linda... vai destruir muitos corações… Acho que eu ainda vou ter uma chance.
Eduardo não precisou perguntar de quem ele falava.
O corpo reagiu antes da mente - o punho se fechou, o maxilar travou.
O estômago se contraiu.
Vivian.
A garota que ele passava os dias tentando esquecer - e as noites, tentando não sonhar.
Ele não devia ligar. Não depois de tudo o que fizera para afastá-la. Mas o coração ignorava a razão.
Antes que pudesse pensar, já estava fora dali. Pegou o carro, ligou para dois conhecidos e, em poucos minutos, descobriu onde acontecia a festa da qual Lucas falava.
O endereço ficava do outro lado da cidade - uma casa enorme, cercada de carros caros e risadas de universitários.
Eduardo estacionou longe, atravessou o portão com passos firmes e o mesmo maxilar travado.
Não sabia o que esperava encontrar.
Talvez Vivian sorrindo com as amigas, talvez dançando - o tipo de cena que via todos os dias na escola e fingia não notar.
Mas o que viu o atingiu como um soco.
As luzes piscavam num ritmo frenético, o cheiro de bebida e cigarro impregnava o ar. Gente dançando, tropeçando, rindo alto.
E então, no meio da sala, ela.
Vivian.
Linda. Com o cabelo solto, as bochechas coradas e o olhar leve.
E nos braços de outro cara.
Eduardo parou. O tempo pareceu congelar.
O garoto segurava a cintura dela, os lábios colados.
O mundo sumiu.
Só restou o som da própria respiração e o gosto metálico da raiva.
Ele não pensou. Não planejou.
Simplesmente atravessou a multidão, o coração martelando nos ouvidos.
Quando chegou perto, tudo à volta perdeu o foco.
E antes que alguém pudesse reagir, agarrou o braço dela e a puxou.
O toque dela queimava. O ar parecia mais denso.
E, quando chegaram ao jardim, longe dos olhares, ele não aguentou mais.
Beijou-a.
Não como um garoto apaixonado, mas como alguém que segurou o próprio desejo por tempo demais.
O gosto dela - doce, familiar e completamente novo - o desarmou.
Cada segundo daquele beijo parecia um castigo e uma recompensa ao mesmo tempo.
Não houve espaço para pensar, nem tempo para respirar.
Foi um beijo urgente, carregado de raiva, de desejo, de arrependimento.
Um beijo que dizia tudo o que ele passara anos tentando negar.
Vivian ficou imóvel no início - chocada demais para reagir.
Mas o toque dele, a força contida, o calor, tudo era familiar e desconhecido ao mesmo tempo.
Quando percebeu, seus dedos já se agarravam à camisa dele, e a raiva se dissolveu em um arrepio.
Eduardo aprofundou o beijo, como se precisasse dela para respirar.
Nenhuma das garotas com quem ficara antes se comparava àquilo.
Vivian o deixava completamente vulnerável - e isso o apavorava.
Por um instante, Eduardo esqueceu de tudo.
Do nome, da festa, do mundo.
Só existia ela.
Vivian.
O gosto dela ainda estava em sua boca.
O cheiro, na pele.
A lembrança, no peito.
Quantas vezes imaginara aquele momento?
Desde os doze anos - desde o dia em que os hormônios o fizeram perceber que a melhor amiga era uma garota.
Mas a realidade sempre o empurrava de volta ao mesmo ponto:
Ele não podia tê-la.
O avô o lembrava disso com palavras frias, ameaças veladas, planos que não incluíam uma garota sem sobrenome influente.
Vivian não fazia parte do mundo dele - e Eduardo acreditava que a única forma de protegê-la era mantendo distância.
E, no entanto, ali estava ele. Perdendo o controle, beijando-a como se o ar dependesse disso.
Encostou o carro à beira de uma estrada deserta, desligou o motor e apoiou a testa no volante.
Respirou fundo, tentando se acalmar.
Mas a mente não parava.
Repassava cada segundo do beijo, cada toque, cada suspiro.
E, quanto mais lembrava, mais certeza tinha de que estava perdido.
- Idiota - murmurou. - Você é um idiota.
Porque sabia o que viria a seguir: a distância.
A indiferença fingida.
O ciclo de sempre - machucá-la antes que ela tivesse chance de fazê-lo.
A noite avançou, e ele não pregou os olhos.
Ficou ali, no escuro, vendo as primeiras luzes do amanhecer tingirem o céu e se perguntando quando, exatamente, perdera o controle sobre o próprio coração.
Talvez tenha sido quando ela sorriu pela primeira vez.
De uma coisa ele tinha certeza:
Nunca mais conseguiria beijar outra garota sem pensar nela.
E, por mais que tentasse fugir, o gosto de Vivian ficaria com ele - como uma lembrança e uma maldição.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor