Doze anos antes…
Vivian
A escola estava em clima de despedida.
Os corredores pareciam menores, os risos mais altos, e cada conversa carregava um tom de última vez.
Última aula. Última prova. Última chance.
Vivian nunca gostou de finais - e aquele parecia doer mais do que todos.
Desde o beijo, tudo entre ela e Eduardo havia se tornado um campo minado.
Ele dissera que o beijo não mudaria nada.
E, de fato, parecia não ter mudado.
Mas, ao mesmo tempo… mudara tudo.
Porque, desde aquele dia, ela não o viu mais cercado de garotas.
Eduardo, o mesmo que costumava trocar de companhia a cada semana, agora mantinha uma distância gélida de qualquer uma que tentasse se aproximar.
Era como se tivesse estendido o tratamento frio que antes era exclusivo pra ela - a todos ao redor.
Duas semanas antes da formatura, os corredores fervilhavam de conversas sobre o baile.
Quem iria com quem. O que vestiriam. Onde fariam as fotos.
Vivian fingia desinteresse, mas cada menção à festa lhe apertava o peito.
Alice e Helena, suas amigas, tentaram convencê-la a chamar Eduardo.
- É só o baile - dissera Alice. - Não precisa ser nada mais que isso.
- E se ele rir da minha cara de novo?
- Então você finalmente fecha esse ciclo - Helena respondeu, firme. - Às vezes a gente precisa levar o último tombo pra levantar de vez.
Vivian não queria admitir, mas sabia que as amigas tinham razão.
Talvez não fosse sobre ele - fosse sobre ela.
Sobre encerrar um capítulo que arrastava há tempo demais.
Respirou fundo e escreveu o convite.
A caligrafia tremia. O papel parecia pesar uma tonelada.
Entregou no intervalo, na frente dos colegas.
Ele estava sentado no banco do pátio, com Gustavo e Marcos ao lado, rindo de algo.
Quando a viu se aproximar, o riso dele sumiu - como se tivesse visto um fantasma.
- Eduardo - ela começou, estendendo o envelope. - É o convite pro baile.
Os olhares curiosos se voltaram para eles.
Ele pegou o envelope com expressão indecifrável, pesou-o na mão por um segundo… e, sem dizer nada, jogou-o na lixeira ao lado.
O som do papel amassado ecoou mais alto que qualquer gargalhada.
Ninguém teve coragem de rir.
Vivian ficou parada por um instante, o rosto em chamas, o coração latejando.
Mas, diferente das outras vezes, ela não chorou.
Não saiu correndo. Não implorou explicações.
Apenas se virou e foi embora - a cabeça erguida, o silêncio como escudo.
Depois daquele dia, ela simplesmente deixou de falar com ele.
Nos corredores, fingia que ele não existia.
Não o cumprimentava, não desviava o olhar, apenas passava reto.
E Eduardo… não tentou impedir.
Continuou frio, distante, como se aquilo não o afetasse.
Mas às vezes, quando ela não estava olhando, seus olhos a seguiam - rápido demais para que alguém notasse.
O tratamento de gelo que ela deu nele funcionou melhor do que qualquer tentativa de conversa.
E talvez, por isso mesmo, tenha doído tanto.
Vivian fingia seguir a vida.
Estudava, saía com as amigas, ria quando precisava.
Mas dentro dela, uma pergunta insistia: por quê?
Por que ele a beijara com tanta intensidade naquela noite - e depois a humilhara de novo?
Por que parecia lutar contra algo que ela nem compreendia?
Por que a fazia acreditar e, logo em seguida, quebrava o que restava dela?
Ela não sabia.
E, a cada dia, aprendia a não querer mais saber.
Na véspera da formatura, Vivian chegou em casa exausta.
Passara o dia ajudando na decoração do salão e tentando ignorar o burburinho das garotas comentando sobre vestidos, limusines e pares.
Ela, por sua vez, nem havia comprado um vestido ainda.
Decidira que iria apenas com as amigas - nada de contos de fadas dessa vez.

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