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A Esposa Desprezada: O CEO Vai Implorar Por Amor romance Capítulo 64

Dez anos antes…

Eduardo

Os últimos dois anos tinham passado como um borrão.

Eduardo já nem sabia mais o que era dormir oito horas seguidas, ou sair sem pensar no peso do sobrenome que carregava.

Se não estava na faculdade, estava no estágio. Se não estava no estágio, estava com o avô - ouvindo discursos intermináveis sobre disciplina, legado, e a importância de não decepcionar os Braga.

O tempo livre havia se tornado uma lenda.

Vivian era uma das poucas pessoas que ainda orbitavam seu mundo.

Eles dividiam algumas cadeiras de economia, e mesmo que ele fingisse indiferença, sabia que só conseguia se manter no topo da turma por causa dela.

Era ela quem o ajudava a completar relatórios, enviava as anotações das aulas que ele perdia, quem deixava seus trabalhos revisados discretamente sobre a mesa antes da entrega.

Nunca cobrava nada.

Nem sequer esperava um “obrigado”.

Ela estava diferente - mais segura, mais confiante.

Agora estagiava em um banco de investimentos e, entre os melhores do departamento, era sempre citada como exemplo de dedicação.

Eduardo tentava se convencer de que isso não o afetava. Que não importava.

Mas importava.

Mais do que ele gostaria de admitir.

Naquele fim de semana, o avô finalmente lhe concedeu um presente raro: folga.

Era seu aniversário e, pela primeira vez em meses, teria um dia livre.

Os amigos organizaram uma festa num hotel da cidade universitária.

Prometeram algo simples, “só pra descontrair”.

Mas, quando ele chegou, o ambiente estava lotado - música alta, garrafas espalhadas, risadas ecoando pelos corredores.

Todos queriam falar com ele - colegas, funcionários da empresa do avô, garotas que viam nele o troféu perfeito.

Mas a atenção dele estava em outro lugar.

Vivian estava lá.

Ela estava perto do bar, rindo.

O som da risada cortou o burburinho como uma lembrança antiga - viva demais pra ser ignorada.

Ela usava um vestido simples, mas nele, qualquer coisa parecia extraordinária.

Ao lado dela, um rapaz gesticulava, contando algo animado.

Eduardo o reconheceu: Felipe, um dos estagiários do mesmo banco.

Os dois pareciam próximos - íntimos até demais.

Ele tentava desviar o olhar, mas não conseguia.

Cada sorriso dela, cada toque leve no braço do outro cara, parecia cutucar uma ferida que ele nem sabia que ainda doía.

- Você tá bem? - Gustavo perguntou, entregando-lhe um copo.

Eduardo assentiu, sem realmente ouvir.

Tomou um gole da bebida. Depois outro.

O álcool queimava na garganta, mas não era o suficiente pra anestesiar o incômodo que crescia no estômago.

A gastrite vinha o acompanhando nos últimos meses, um lembrete físico de que ele nunca relaxava.

Mas, naquela noite, ele não se importou.

Continuou bebendo.

Até que Vivian se afastou do grupo, indo em direção ao corredor dos banheiros.

E antes que pudesse pensar, ele foi atrás.

Ele hesitou - sabia que não tinha o direito - mas algo dentro dele rugia.

Ela não podia estar com outro homem.

Não ela.

Deixando o copo sobre uma mesa, ele a seguiu.

O corredor estava vazio, abafado pelo som distante da música.

Eduardo encostou na parede, tentando respirar fundo, mas o estômago se contorcia.

Uma dor aguda começou a crescer, irradiando até o peito.

O suor escorria pela nuca.

Droga.

Tinha bebido demais.

Quando Vivian saiu do banheiro, deu de cara com ele - pálido, encurvado, ofegante.

- Eduardo? - o susto foi imediato. - O que aconteceu?

Ele tentou falar algo, mas o corpo o traiu.

O corpo, exausto, relaxava.

Ela ajeitou a bolsa térmica sobre ele e ficou ali, observando-o adormecer.

O rosto dele, normalmente tão rígido, agora parecia mais leve, quase sereno.

Sem as máscaras que usava pra se proteger do mundo.

Vivian suspirou.

Não sabia por que ainda se importava tanto.

Talvez porque, apesar de tudo, ele ainda fosse o mesmo garoto -

aquele que fingia ser frio, mas carregava mais sentimentos do que sabia lidar.

O relógio marcava duas e quinze da manhã quando ela finalmente adormeceu também.

Sentada ao lado dele, a cabeça recostada na borda da cama, uma das mãos ainda pousada sobre o estômago dele.

A bolsa térmica havia caído, o quarto estava silencioso.

Eduardo despertou pouco depois, o corpo pesado, a mente confusa.

Demorou alguns segundos pra entender onde estava.

O quarto do hotel.

A festa.

Vivian.

Virou o rosto devagar e a viu dormindo ao seu lado.

O cabelo dela espalhado pelo lençol, o rosto tranquilo, iluminado pela luz suave.

Aquela visão o atingiu com uma força inexplicável.

O peito dele se apertou, um calor estranho o percorreu.

Ela estava ali.

Por um momento, pensou em afastar a mão dela de seu corpo.

Mas não conseguiu.

A palma dela ainda estava quente sobre sua pele - o toque leve, quase protetor.

Eduardo ficou imóvel, o corpo reagindo involuntariamente.

O coração batia acelerado, e ele percebeu, com um misto de vergonha e desejo, que nada nele conseguia permanecer indiferente àquele toque.

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