Vanessa havia mandado uma série de mensagens para Luana, todas repletas de ameaças disfarçadas e um tom debochado de superioridade. Já se passava meia hora sem resposta, mas ela não sentia incômodo algum por isso. No fundo, sabia que já tinha atingido seu objetivo. Era como se a ausência de resposta já confirmasse sua vitória silenciosa.
De repente, o celular vibrou e a tela mostrou o nome de Catarina. Com impaciência, Vanessa atendeu, deixando claro na voz que não queria conversa à toa:
— Eu não disse para só me ligar se fosse algo importante?
Do outro lado, Catarina parecia prestes a desabar, totalmente diferente do tom submisso de antes. — Sra. Vanessa, você acabou com a minha vida! — Ela exclamou, quase sem conseguir respirar. — Você disse que o senhor Ricardo não iria se importar se eu me envolvesse nos assuntos da família Freitas! E agora? A família do meu marido virou as costas para mim! Querem obrigar ele a pedir o divórcio! Devo ter enlouquecido ao acreditar nas suas bobagens!
Vanessa ficou em silêncio por um segundo, sentindo o sangue gelar. Forçou a voz num tom calmo, tentando suavizar a situação:
— Catarina, que história é essa? Onde você está agora?
— Onde você acha que estou? O senhor Ricardo foi me confrontar ontem mesmo! Não aguento mais viver assim, escondida, com medo de tudo! Se vire com seus problemas, me esqueça! Só pode ser azar meu ter cruzado com uma pessoa paranoica como você!
Sem dar tempo para resposta, Catarina despejou toda a raiva e desligou, deixando Vanessa atônita, sem reação. O rosto da mulher perdeu a cor, como se tivesse acabado de ver um fantasma, e ela ficou ali parada, tentando recobrar o equilíbrio.
Foi então que escutou o som suave da porta do quarto se abrindo. Ricardo entrou devagar, com o olhar sombrio.
— Ricardo? O que você está fazendo aqui? — Questionou Vanessa, esforçando-se para não deixar transparecer o pânico enquanto desenhava um sorriso sem graça.
Ricardo lançou um olhar em direção ao celular que ela tentava esconder na mão.
— Quem estava te ligando? — Perguntou ele, com a voz fria.
— Ah, foi só uma amiga, Ricardo. Ela soube que eu estava internada e quis saber como eu estava, nada demais. — Respondeu Vanessa, tentando soar natural, enquanto arriscava um novo sorriso. Depois, o observou intensamente e mudou de assunto. — Ricardo, já faz um tempo que não vejo o Leo. Estou morrendo de saudade dele. Assim que eu tiver alta, queria poder passar uns dias ao lado do meu filho.
Ela sabia que Leonardo ainda era sua maior carta na manga. Ricardo amava o menino e, ainda que guardasse mágoas antigas, Vanessa acreditava que, cedo ou tarde, a situação poderia mudar. Afinal, já tinham sido tão próximos em outro tempo.
Ricardo desviou o olhar para o buquê de flores sobre o criado-mudo, mexendo distraidamente nos caules.
— Você mandou alguma mensagem para Luana?
Vanessa perdeu o sorriso no mesmo instante e segurou o celular com força.

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