Ricardo segurou a xícara de chá com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, e sua voz saiu rouca, carregada de tensão:
— Pareço alguém que a protege?
— Mas a própria senhora Vanessa me garantiu que o senhor jamais se meteria nos assuntos dela. — Explicou Catarina, nervosa, mas tentando se justificar. — Ela mesma disse que o senhor detestava a família Freitas. Por isso achei que, mesmo se eu mexesse com alguém daquela família, o senhor não jogaria a culpa nela!
Catarina estava sendo sincera. Afinal, se não fosse pela promessa de Vanessa, ela jamais teria coragem de fazer aquilo.
Assim que terminou de falar, o silêncio tomou conta do ambiente. Ricardo não disse mais nada. A atmosfera no reservado ficou pesada, sufocante.
Como ele continuava calado, Catarina não ousou abrir a boca novamente. Após alguns minutos que pareceram eternos, Ricardo acenou finalmente com a cabeça, dispensando-a.
Quando Catarina saiu do reservado, finalmente conseguiu respirar com alívio. Ela não estava traindo Vanessa... estava apenas se protegendo.
Ricardo permaneceu sentado no sofá por um bom tempo, o rosto sombrio e abatido. Então era assim que os outros o viam? Ele era tão condescendente com Vanessa a ponto de todos acreditarem que ela podia fazer qualquer coisa sem consequências?
Luana também o enxergava dessa forma. E talvez fosse justamente por isso que ela o odiava tanto.
Naquele momento, ele não conseguia distinguir se o que doía era a ferida ainda fresca da faca no abdômen ou o aperto no peito que parecia não ter fim. De qualquer forma, o desconforto era total.
Fernanda, que assistia tudo em silêncio, soltou um suspiro discreto.
"Só agora percebe o quanto mimou aquela vadia? Nem vou comentar."
...
Ricardo voltou para Bela Vista tarde da noite. As luzes da sala estavam apagadas. Acendeu apenas a luz ambiente e seguiu direto para o quarto. Quando tentou abrir a porta, percebeu que estava trancada por dentro.
Franziu a testa. Não era a primeira vez que Luana fazia isso.
Provavelmente ainda guardava ressentimento por tudo o que havia acontecido.
Ele não bateu na porta. Não quis acordá-la nem forçar uma conversa naquele momento. Em vez disso, foi dormir no quarto de hóspedes.
Na manhã seguinte, Ricardo passou pelo quarto principal. Imaginando que Luana já estivesse acordada, bateu na porta algumas vezes, decidido a conversar com ela de uma vez por todas e tentar resolver as coisas.
Mas bateu por um bom tempo sem obter resposta alguma.
Maria também não havia aparecido para trabalhar naquele dia.
Algo não estava certo. Ele pegou o celular e ligou para a empregada.
— A Luana saiu ontem de casa? — Perguntou Ricardo, direto ao ponto.
— A senhora Luana? Não sei, não, senhor. Só sei que ela me deu dois dias de folga. — Respondeu Maria, aparentemente confusa.
Luana havia dado folga para ela sem avisar? Isso era estranho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV