— Srta. Rita, a Sra. Luana veio ver como você está. — Chamou a funcionária, com a voz mansa, bem perto da cama.
O silêncio reinou no quarto. Luana fez um sinal com a mão para que a empregada saísse e esperou a porta bater. Ela caminhou com cuidado até a cama e parou a uma curta distância. Precisava escolher bem as palavras.
— Rita, eu entendo a sua dor. Eu juro que também não queria acreditar em nada dessa bagunça toda. — Começou Luana, com muita delicadeza.
O corpo sob as cobertas se mexeu um pouco. Rita agarrou a beirada do lençol com força, e um choro baixo e abafado começou a escapar pelo quarto.
— A verdade é que o seu tio Carlos não é o seu tio. Se a história de ela ser filha do vovô for real, ela seria a sua tia. — Luana se sentou na beirada do colchão, mantendo o tom de voz calmo e acolhedor.
Rita foi abaixando a coberta bem devagar, revelando um rosto inchado e os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela olhou para a prima com pura confusão.
— Como assim tia, Luana? Do que você está falando?
— O Carlos é uma mulher, Rita.
A garota por fim se sentou na cama. As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto dela, caindo sem parar.
— Você está me dizendo que o tio Carlos é mulher? Então... aquele porta-retratos que eu achei no armário de roupas não era só porque ele gostava de se vestir com roupas femininas. Aquela era ela de verdade.
Luana apenas concordou com a cabeça, confirmando a triste realidade.
— Alguém colocou mentiras na cabeça dela, Rita. Ela alimentou um ódio contra a pessoa errada a vida inteira, e isso causou toda essa tragédia. Eu tenho certeza de que ela nunca quis machucar a sua mãe de verdade. Foi por isso que ela tentou esconder tudo de você. — Luana procurava as melhores palavras. Ela não queria destruir por completo a imagem boa que Rita ainda tinha de Carlos. Era a única forma de trazer um pouco de conforto.
Rita cobriu o rosto com as duas mãos. Os ombros dela sacudiam com força enquanto ela chorava com todo o fôlego que tinha. Luana ficou ali sentada, fazendo companhia em silêncio e passando a mão nas costas da prima, até que as lágrimas secassem e ela se acalmasse.
...
O final da tarde chegou pintando o céu. Luana voltou para a mansão Baía da Meia Encosta e logo deu de cara com Ricardo. Ele estava saindo de dentro da casa dela, sendo acompanhado até a porta pela funcionária da família.
— Boa noite, senhora Luana. — Cumprimentou a funcionária, percebendo o clima. Ela foi discreta, deu meia-volta e sumiu pelo corredor, deixando os dois sozinhos.
Os olhos de Ricardo se cravaram em Luana. A expressão no rosto dele parecia calma, mas havia um fogo escondido naquele olhar, uma intensidade difícil de explicar.
— Você ainda está com raiva de mim? — Perguntou ele, quebrando o silêncio.
— A raiva já passou. — Luana não desviou o olhar, encarando-o de frente. — Além disso, não vale a pena gastar energia brigando com alguém que estava bêbado.
— Não.
Ele levantou a mão e encostou os dedos no rosto gelado de Luana com uma delicadeza enorme. O carinho foi tão natural que parecia que ele já tinha feito aquilo mil vezes na vida. Luana ficou imóvel, pega de surpresa pelo gesto.
— Eu vim aqui atrás de você... — Ricardo guardou as mãos nos bolsos do casaco, diminuindo o volume da voz. — Eu precisava te pedir desculpas.
O vento da noite soprou trazendo um frio cortante de começo de inverno. Luana encolheu os ombros de forma automática para tentar se esquentar. Ricardo notou o incômodo dela e fechou a cara por um momento. Ele deu um passo para o lado e ficou bem na frente da direção do vento, servindo de escudo. De repente, o frio sumiu. A única coisa que Luana conseguia sentir era o calor do corpo dele, ali, tão perto do seu.
— Você também não fez nada de tão errado assim. — Sussurrou ela, com a voz embargada.
O passado precisava ficar no passado. Luana sabia que Ricardo só estava desesperado para ouvir uma resposta da boca dela. Ele não tocou nas feridas antigas por maldade. Ela mesma é quem acabou mergulhando nas lembranças ruins sem querer, criando uma guerra dentro da própria cabeça.
— Luana. — Chamou Ricardo, olhando no fundo dos olhos dela. Todo aquele sentimento guardado a sete chaves por fim transbordava. — Sei que a história com a família Freitas ainda te machuca muito. Mas eu quero ver você caminhar para a frente. Me dói ver você fugir da realidade, deixando isso virar uma pedra no seu caminho. Pensa no Luiz. Se ele soubesse que você passa os dias se culpando, ele ficaria com o coração partido.
Luana guardou um silêncio longo. Tão longo que Ricardo começou a achar que ficaria sem resposta. Foi então que ela levantou o olhar e perguntou com sinceridade:
— Você está tentando me confortar?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV
Eu só espero que não role um sequestro dos bebês, essa história já está longa demais!...
estou achando essa história de remédio adulterado muito cansativa, e está se alongando muito, já está na hora de por um ponto final nessa história ....
até que enfim, Luana e Ricardo...
Quantos capítulos tem esse livro, está parecendo novela mexicana, não tem fim, são quantas gerações????...
Como é bom ver Ricardo e Luana que amor lindo, amooo...
Sou negra e feia, mas me valorizo! As brancas deveriam se impor mais ainda e sendo lindas então......
Não consigo mais comprar moedas. Sempre aparece a mesma mensagem com a informação que a compra é inviável pelo lado cliente, mesmo o pagamento sendo por PIX...
Porque não consigo mais ler? Tem mais de 1 semana que li o capítulo 646 e não liberam os outros. Vejo que já tem até o 654....
Como faço pra ler o livro completo tem como comprar por aqui...
Como ler a partir do capítulo 596?...