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A Mulher que Fez o CEO Mais Frio Chorar na TV romance Capítulo 628

Vinícius ergueu o olhar, deixando-o repousar no rosto de Luana por alguns instantes, como se buscasse alguma confirmação silenciosa. Quando finalmente quebrou o silêncio, sua voz soou rouca e visivelmente exausta.

— O pai já te contou tudo, não é?

— Já. — Respondeu Luana, sentando-se ao lado dele com um suspiro. Ela manteve uma distância respeitosa, perto o suficiente para oferecer apoio, mas sem invadir seu espaço. Naquele momento, as palavras fugiam de sua mente. Ela simplesmente não fazia ideia de como confortá-lo diante de tamanha tragédia.

— Eu estou bem, não precisa se preocupar comigo. — Vinícius forçou um sorriso pálido que não chegou aos olhos.

Luana, porém, conhecia-o bem demais para se deixar enganar por aquela falsa demonstração de força e sabia o caos que se passava dentro dele.

Independentemente da natureza dos sentimentos que ele nutria por Carlos, o fato era que ela havia morrido nas mãos do avô deles, bem ali, diante dos seus olhos. Era natural que o choque e a dor daquela cena demorassem a passar.

Após um longo e pesado silêncio, Luana decidiu falar, com a voz carregada de uma esperança sutil:

— Vinícius, as coisas sempre acabam se ajeitando, não acha? O tempo cura tudo.

Ele permaneceu calado por alguns segundos antes de exibir um sorriso resignado, desviando o olhar.

— É... Tudo passa.

Luana preferiu não insistir no assunto e muito menos fazer novas perguntas para não machucá-lo ainda mais. Com a intenção de distraí-lo, mudou o rumo da conversa e o convidou para dar uma volta por Macondo no dia seguinte.

Ao ver a expressão animada e cheia de expectativa no rosto da irmã, Vinícius não teve coragem de dizer não, acabando por aceitar o convite mesmo sem ter a menor vontade de sair de casa.

Assim que retornou ao seu quarto, Luana pegou o celular e ligou para Vitor para acertar os detalhes do que fariam.

...

Na manhã seguinte, a notícia de que Afonso havia sido levado para a delegacia vazou para a imprensa de forma incontrolável.

Como era de se esperar, os jornalistas não perderam tempo e logo começaram a cavar e espalhar todo tipo de especulação e boato pelos jornais e portais de fofoca. Em questão de horas, a trágica morte de Carlos também tomou conta das redes sociais, alcançando o topo dos assuntos mais comentados da internet.

Com sua astúcia habitual, Emanuel já havia previsto essa tempestade midiática e se encarregado de mover os pauzinhos necessários nos bastidores para proteger a imagem do clã. Com isso, os escândalos antigos do passado de Carlos vieram à tona como uma avalanche para desviar o foco, incluindo o terrível envolvimento dela no assassinato de Yasmin.

De um dia para o outro, aquelas notícias explodiram como uma bomba na alta sociedade. Todos os grandes veículos de comunicação de Macondo disputavam a exclusividade das reportagens, e alguns repórteres mais ousados chegavam a insinuar em rede nacional que a família Souza estava promovendo uma espécie de "limpeza" interna para eliminar as próprias ovelhas negras.

Na espaçosa sala de estar da mansão da família Souza, Danilo jogou o tablet sobre a mesa de centro com irritação. A tela ainda brilhava, exibindo uma enxurrada de manchetes sensacionalistas sobre eles. Ele massageou as têmporas, sentindo uma dor de cabeça iminente, e se virou para Emanuel, que observava a paisagem pela grande janela.

— Olha, sei que a gente conseguiu abafar as fofocas sobre o nosso pai, mas e a verdadeira identidade da Carlos? Por que você não deu nenhuma explicação para a imprensa? — Danilo questionou, o tom de voz misturando frustração e pena. — A gente sabe que ela não era nenhuma santa, mas no fim das contas, foi manipulada pela Érica a vida inteira. A garota acabou de morrer e a internet inteira está massacrando a imagem dela de um jeito desumano... Isso não me parece certo.

Para Danilo, o respeito aos mortos era sagrado. Por piores que fossem os erros que Carlos tivesse cometido em vida, a morte deveria ser o ponto final daquelas cobranças. A dívida estava paga e era hora de virar a página para que ela descansasse em paz.

Luana havia acabado de passar pela porta da frente e, ao ouvir as palavras do pai, parou de supetão no corredor, preferindo ficar quieta para não interromper a conversa dos dois homens.

— Ela nunca foi da nossa família de verdade. — Rebateu Emanuel, com uma frieza cortante.

A resposta seca e direta deixou Danilo atordoado, sem saber o que argumentar. Antes que ele pudesse formular uma frase, Emanuel continuou, mantendo a postura inabalável:

— Ela foi forçada a viver como o nosso "irmãozinho" por anos. Você acha mesmo que, depois de morta, ela ainda precisa carregar o fardo de ser uma Souza?

Danilo engoliu em seco, confuso com a lógica do irmão.

— E o que a gente deveria fazer, então?

— Deixá-la ser ela mesma, finalmente.

A explicação de Emanuel deu um nó na cabeça de Danilo. Foi naquele exato momento que Luana decidiu entrar na sala, caminhando com passos firmes em direção a eles.

— O que o tio Emanuel quer dizer, pai, é que ninguém conhece a verdadeira história da Carlos, e é melhor que continue assim para sempre. — Ela disse, encarando os dois de forma serena. — Ela morreu e agora está livre das amarras de quem a obrigaram a ser. Aquela pessoa com fama terrível que a mídia está crucificando não tem mais nada a ver com a garota que partiu. Foi isso que o senhor quis dizer, não foi, tio Emanuel?

Emanuel abriu um sorriso aprovador e acenou com a cabeça.

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