CAPÍTULO 108
Laura Strondda
Eu nunca vi Alexander assim. As expressões do seu rosto pareciam mortas, ele nem olhava para mim, seus olhos eram para o chão, Salvatore e Tony.
Não acreditei que ele tomou uma decisão como essa. Confesso que tive pena de tio Salvatore, pois o entendi, mas estou casada com o Alex, jurei que iria até o fim com ele, que poderia confiar em mim olhando nos seus olhos, eu jamais perderia a minha palavra. Então se ele iria castigar o assassino do pai dele, independente de quem fosse o figlio de puttana do diavolo, eu prometi para mim mesma que estaria ali, e estou.
Todos aguardavam ansiosos e de boca aberta a decisão do Don. Eu estava tão preocupada com o Alex que nem ouvi a votação, só prestei atenção quando o Tony perguntou ao meu pai o seu voto.
— Eu jamais iria contra o meu próprio irmão, principalmente quando o seu erro se baseou em nos proteger! Só tenho a dizer que fico feliz que as coisas se acertaram. Alexander é como um filho, então não caberia a mim decidir, mas como ele também se recusou, a partir de hoje Salvatore será reconhecido com parte da família! Antony ainda será o Don, porém, na ausência dele ou em caso de votação, será Salvatore a auxiliar, e não eu! Já exerci o suficiente, darei a oportunidade a ele. Seja bem vindo, meu irmão! — eu não acreditei no que os meus olhos estavam vendo, meu pai abraçou o meu tio e o recebeu como parte da família.
— Sendo assim, podemos dar a reunião como encerrada, não temos mais motivos para prosseguir com esse assunto. E, caso tio Salvatore seja agredido ou atacado, a partir de agora terá a máfia Strondda à sua disposição! — Don Antony encerrou, e vi que Alex abaixou o olhar, deu um breve aceno e saiu devagar pela mesma porta onde entramos.
— Alex! Alex! — ele me prendeu no carro, me olhou profundamente e vi uma tristeza em seu olhar. — Eu estou aqui... estou com você! Lembra que eu disse que iríamos até o fim? — ele estava segurando o choro, a raiva, o desespero.
— Obrigado. — me soltou e entrou no banco do motorista, então entrei em seguida e fechei a porta.
Tentei puxar assunto, mas ele não respondeu quase nada. Quando chegamos em casa o vi pegar a garrafa mais forte de Whisky, eu precisava fazer alguma coisa.
Fui no quarto e vesti a minha lingerie branca da noite de núpcias e um roupão, guardei a minha faca na bainha, segurei mais duas, e peguei a pistola.
— ATENÇÃO TODOS! ESTÃO DISPENSADOS! — gritei duas vezes mostrando a arma, e foi funcionário correndo para todos os lados.
Alex veio até a mim no corredor, e sem pensar atirei a primeira faca, ele se esquivou.
— ESTÁ MALUCA? QUER ME MATAR?
— SIM! VEM ME PEGAR, OU VAI MORRER! — ele olhou diferente, tomou uma postura melhor, então com um meio sorriso eu atirei a outra faca do outro lado. Alex praticamente segurou no ar.
— PETER! LEVE A SUA NOIVA PARA SAIR! — gritou olhando para o escritório. — Terá que se esforçar mais, bela mia! Me parece que as suas habilidades estão enferrujadas! — sorriu pra mim e então numa estrela entrei em um dos quartos, quando ele apareceu atirei a terceira faca, e o maledetto a lançou de volta, cortando uma ponta do meu cabelo.
— Cortou o meu cabelo maledetto? Está mesmo querendo morrer! — ele gargalhou e me distraí, então ele rolou pelo chão e veio por trás de mim, cortando um pedaço com a minha própria faca.
— Você ficaria linda de cabelo curto, esposa! — sussurrou no meu ouvido me fazendo arrepiar, lhe dei uma cotovelada e ele me soltou.
— Cuidado, eu posso ser mais astuta do que pensa... — ameacei, pois eu conseguiria sair dele se realmente quisesse, mas devo confessar que estava adorando ser carregada como um saco nas costas dele, era excitante demais, e poderia apostar que o tinha feito esquecer da situação em que estava.
— É, só que agora eu já conheço você! — ouvi o barulho da porta batendo quando entramos, e vi que estávamos naquele quarto que prendeu meus pulsos e pernas na parede uma vez.
— Tenta a sorte! Da outra vez foram soldados que me prenderam, você não consegue sozinho! — provoquei.
Percebi que hoje não foi um bom dia para provocar tanto, o homem simplesmente me impressionou... ainda estou tentando descobrir como conseguiu me soltar, comigo já presa em uma das algemas. E quando olhei pra uma, antes que eu agisse ele já tinha prendido a outra.
O olhei espantada, ele me prendeu sem dificuldades, e quando fui chutar seu corpo usando as pernas, ele simplesmente as prendeu também, me deixando completamente imobilizada e nas mãos dele.
— Droga!
— Seja boazinha, esposa... hoje estou bem diferente de ontem, pode apostar! — chegou bem perto, dava para ouvir o barulho da sua respiração.
— Vai me machucar, Siciliano?
— Vou te matar! — arregalei os olhos. — Mas de prazer! — passou a língua na minha boca e quase esmureci.

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