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A Redenção do Ogro romance Capítulo 76

Bernardo Thomson

Eu a vejo de longe, e também vejo o exato momento que Daniel a suspende e beija a sua boca. Eu que devia estar fazendo isso, não esse moleque.

No casamento do Arthur eu tinha dúvidas de que os dois estavam juntos, agora eu tenho certeza. Passo a mão no coração, sentindo aquela dorzinha específica.

Porque ela resolveu se afastar de mim? Por causa dele não foi, essa hipótese já foi descartada, pois eles só resolveram compartilhar carinho agora. O que me leva a crer que isso é recente!

Eu estava imaginando coisas mesmo…

Ultimamente eu tenho pensado muito no motivo em que ela me largou, e nada faz sentido.

Lembro do diálogo que tive com Cézar na última sessão.

"Porque se afastar de mim e ficar com ele?"

"Porque provavelmente ele não provocará dor. É uma relação baunilha que ela queria. Você conseguiria abrir mão deste lado seu para dar o que ela queria?"

"Provavelmente não."

"Então você tem a sua resposta."

Mas ainda sim, isso me parece raso demais.

Eu costumo ser teimoso, eu confesso, mas com esta questão eu sei que ultrapassei meus limites.

O melhor é esquecer de uma vez essa história e prosseguir, como ela fez.

A melhor coisa que eu faço é me manter longe e deixar ela viver esse romance com Daniel. Ela está recomeçando.

-Pensando no que perdeu? -Fala Paulo.

Abusado!

Se não fosse seu dia japonês, você receberia uma resposta malcriada.

-Me distraia para que eu não pense…

-Não vai fazer besteira…

-Então me distraia…

Ele bufa:

-Hoje é meu dia! Quem tem que ser distraído sou eu…

Ele está uma pilha de nervos. É até engraçado! Logo ele que é o equilíbrio em pessoa.

-Tá com medo da Sabrina fugir? Mano... A sonsa conseguiu tudo que queria, um japonês bocó que já pôs um filho na barriga dela e ainda assumiu. -eu suspiro inconformado. - Acha que ela vai fugir? Vai nada... Se quiser ajuda pra fugir, ainda dá tempo... Meu carro é o mais veloz que tem aqui…

Ele faz cara feia pra mim…

-Bernardo... -chama atenção o Arthur.

Mas ele não estava com Duda? Logo vejo ela mais a frente conversando com Tia Eleonora. Eu nem vi ela se afastar.

-O quê? A Dudinha era maneira... Quando você quis fugir eu dei força pra ficar porque ela não merecia. Apesar que agora ela está uma pilantra. Mais Sabrina? É uma megera…

Arthur gargalha.

-Tudo isso porque ela não deixou Melissa vir... -Paulo fala revirando os olhos.

-É não é uma megera? Porque ela não proibiu Daniel de vir também... Aí eu ia gostar dela…

-Daniel não deu em cima do Paulo... -fala Arthur sério.

Eu reviro os olhos.

Melissa era meu escudo hoje... Se ela estivesse vindo eu não ia sofrer tanto quanto já estou sofrendo…

-Sabrina convidou algumas amigas do internato. Não quer tentar a sorte?

Olho para Paulo e descubro o plano diabólico que fizeram contra mim... Então é isso... Eles não convidaram Melissa para que eu me sentisse sozinho e saísse com outra submissa. Eu sabia que essa história de ciúmes estava muito mal contada.

-Canalhas!

-O quê? -os dois falam junto.

-Era pra isso que vocês não queriam que Melissa viesse? Para que eu desse em cima de outra submissa e depois pedisse a coleira da Melissa.

-Eu fico impressionado com a sua mente diabólica Bernardo…

-O quê! Na minha cabeça faz muito sentido.

-Só na sua... Melissa não foi convidada porque ela não se dá com a noiva. Não tinha porque ela vir.

-Então não tem nada a ver com a ojeriza que as duas pilantras tomaram dela?

Incluo Duda nessa história. Porque ela também está dificultando as coisas.

-Não. -os dois falam juntos.

-Se conforme... Se quiser afundar as mágoas por Camila está acompanhada no meu casamento, escolha outra submissa. Mas Melissa não é bem vinda hoje aqui.

-Inferno!

Vejo Dona Paula vindo em nossa direção e diz.

-Vai começar. Sabrina está lá dentro esperando você, os padrinhos e as madrinhas. Só saem lá de dentro quando a cerimonialista permitir.

Paulo suspira do meu lado. O bichinho está nervoso.

-Ainda dá tempo! Podemos ir direto para o clube da Margô.

-Cala a boca Bernardo... -Ele rosna.

Arthur gargalha. Eu sei que ele não vai fugir... Japonês não... Ele é o único que se preparou a vida toda para isso... Ele sempre quis isso... Então ele está no lugar certo e na hora certa.

Nos encaminhamos para dentro e vimos Sabrina de costas para a porta.

Ela na mesma hora olha para ele parado perto da porta.

Sempre que vou a casamentos gosto de ver a reação do noivo quando vê a noiva. E é sempre impagável.

Ele está com os olhos cheios de lágrimas. E parece que está embasbacado.

Pego a mão de Duda e nos afastamos para que os dois possam se tocar e se falar. Eles se viram apenas 9h da manhã para a cerimônia de rosas. Precisam de um momento.

Paro perto da janela e olho para fora. Todos os convidados já estão se sentando nas cadeiras. E o celebrante já está no seu lugar. Ele parece ser um monge, pelo menos está vestido como um. Usa uma roupa laranja e mantém a sua cabeça brilhosa e reluzente. No altar baixo, sentado atrás da estátua de Buda.

Nós ensaiamos um pouco esta cerimônia, porque são muitos detalhes, um deles é que não devemos ficar de costas para a estátua do Buda. Por isso que o altar foi posto no meio do salão e as cadeiras estão nas duas laterais.

Os padrinhos também sentarão nas laterais e os noivos na frente do celebrante em puffs no chão. O vestido de Sabrina não poderia ser muito rodado como o de Duda e nem como uma cauda imensa, por causa desse detalhe na cerimônia.

Sinto a quentura de seu corpo e seu cheiro antes mesmo de ele se dirigir a mim.

-Você está linda!

Não é novidade nenhuma ele se aproximar aqui dentro, afinal vamos fazer par novamente. E daqui a pouco estaremos de mãos dadas indo para o altar. Será a última vez, sendo assim vale o sacrifício.

Minhas entranhas se reviram mediante sua proximidade e as borboletas que andavam muito quietas ultimamente, abrem suas asas, despertando de um sono profundo.

Eu suspiro e fecho os olhos.

-Obrigada!

Respondo sem olhar. Pra que olhar? Já é perturbador demais sentir a presença dele, imagine eu olhar para aqueles olhos que me hipnotizam. Eu tentarei não olhar para eles.

-Enfim mais um casamento. -Ele fala novamente

-Espero que seja o último. -depois que falo é que me dou conta do que disse. -quer dizer… não que eu ache que você não vai casar, eu espero que seja feliz... Mas… -eu me atrapalho toda. E acabo fazendo papel de idiota. -Merda!

Ele gargalha.

-Eu entendi... Você quis dizer que é o último que teremos que ser padrinhos.

Eu me virei para ele e falo sem olhar em seus olhos.

-Isso. -porque eu fico tão atrapalhada com sua presença?

A cerimonialista entra dentro da recepção e diz.

-Está na hora. Os noivos na frente e logo depois os padrinhos da noiva e os padrinhos do noivo.

Eu e Bernardo somos padrinhos do noivo, então somos os últimos da fila.

Ele coça a sobrancelha se pondo atrás de Arthur e estende a sua mão para mim.

Aquela mão enorme, que dá duas da minha mão. Com as unhas cortadas bem curtinhas e a palma da mão cheia de calos. Eu gostava quando ele me alisava com aquelas mãos ásperas e precisas. Respiro fundo e ponho a minha mão sobre a dele. Quente... E ali eu esqueço de tudo à minha volta.

Ele me hipnotiza com um simples toque.

E eu fico desejando que ele faça isso a vida toda.

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