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A Redenção do Ogro romance Capítulo 78

Camila Coelho

Suspiro e lavo minha mão na pia da suíte do hotel. Quando estou enxugando a mão escuto a porta do quarto bater.

Será que Fernanda veio atrás?

-Já estou indo Fê... Demorei m…

Saio do banheiro e dou de cara com Bernardo sentado na cama, com a cinta liga rodando no dedo.

Ele já está sem a gravata e sem o paletó do terno. A manga de suas camisas está franzida nos braços e o colete todo aberto. O gel que estava nos cabelos, não existe mais. E seus olhos estão bem avermelhados.

Bebeu demais né bebezão?

O que é preocupante! Sabe porque?

Porque ele veio atrás de mim, e se eu não tomar cuidado com as minhas emoções eu vou acabar fazendo o que não devo fazer.

-O quê está fazendo aqui?

-Vim ver o que achou dessa coincidência toda. Você ganhou o buquê, e eu a liga da noiva. Acha que foi armação?

-Não... Eles não fariam isso…

-Eles não nos superaram Camila. A maior prova disso é que não aceitam Melissa, então eu acho que foi armação.

-Eles não aceitam Melissa porque ela deu em cima do Paulo.

-Hummm... -Ele se levanta e se aproxima de mim e eu ando para trás até encostar na parede, e ele se aproxima mais..- e você?

Eu engulo seco.

-O que tem eu?

-Você nos superou?

-Eu já disse a você que sim. Eu estou namorando o Daniel e estou feliz.

-Então porque seu corpo me diz outra coisa?-Ele cheira meu pescoço. Ele está com o corpo todo encostado em mim, e as mãos apoiadas na parede me cercando. Eu não tenho para onde fugir, e na verdade eu nem quero. Sinto minha pele arrepiar e ele geme no meu ouvido. -Porque sua pele se arrepia assim quando chego perto, Camila? Se você me superou, não é para acontecer. - eu suspiro fechando meus olhos e saboreando o seu cheiro. Aquele cheiro de homem que eu amo... -Ele beija o meu ombro indo para a curva do meu pescoço. Eu inclino a cabeça dando mais espaço para que ele faça o que ele quiser. Esqueço de todos os meus problemas e das decisões que tomei e que deveriam ser mais importantes do que isso. Só existe nós dois.

E é assim que ele beija a minha boca e agarra minha cintura me empurrando pra cima e me fazendo eu me encaixar na sua pélvis.eu travo minhas pernas na sua cintura e meus sapatos caem no chão.

O beijo se prolonga e ele não abandona a minha boca para nada. Eu só sinto ele levantando o meu vestido e procurando a minha bunda.

Quando sua mão afasta a minha calcinha, e me toca intimamente, eu gemo em seus lábios.

Como eu senti falta disso. Foram os cinco meses mais compridos da minha vida. Ele geme também quando senti toda minha umidade e sussurra.

-Malditamente molhada, passarinho. Você é minha e de mais ninguém.

Enquanto ele retorna o beijo da onde parou eu me perco novamente em seus braços.

Quando me dou conta o seu pau já está se empurrando para dentro de mim e eu gemo de dor e tesão.

Merda! Que gostoso!!!

Ele fica vermelho me olhando e morde meus lábios. Voltando a me beijar.

-Como você está apertada passarinho. Que delícia!!!

Eu gemo alto.

Não tenho para onde ir... Estou escorada na parede com o corpo dele à minha frente. Entrando e saindo de mim. Atacada pelos seus beijos. Eu só me entrego a ele. Acontece o que sempre acontece quando estamos assim. Eu me esqueço de tudo e só lembro que estou com ele.

"Você não devia fazer isso Camila."- minha consciência grita.

Foda-se ... Eu não devia... Mas é tão gostoso!

Amanhã eu penso nas consequências. Agora eu só quero esse momento com ele. Só isso…

Ele aumenta o entra e sai de dentro de mim e eu gemo mais alto.Ele abandona a minha boca e vai para o meu ombro, mordendo em seguida. Isso só me deixa mais acesa.

De repente escuto a porta abrir.

Não dá tempo de nada... Só vejo Daniel tirando ele de cima de mim e eu caindo no chão, ao me desequilibrar.

Por alguns segundos eu não entendo o que está acontecendo.

Quando vejo os dois se engalfinhando. Daniel dando porrada nele e ele dando porrada no Daniel. Aí percebo a merda que fiz…

O que eu fui fazer?

-Para... -eu grito.

-Você é um FDP! Você abusou dela..

-O chifre está doendo Daniel...Conta pra mim? -ele fala fechando a calça.

Daniel vai pra cima dele de novo.

E eu grito quando vejo ele acertando um murro no nariz do Bernardo.

-Por favor, parem!!!

Começo a me desesperar… O que vou fazer?Preciso chamar alguém…

Saio correndo do quarto descalço e desço as escadas rápido. Vejo Paulo e Arthur vindo, rindo e digo.

-Socorro! Ajudem!

-O quê foi? -fala Paulo de ficando em alerta

-Daniel e Bernardo estão brigando.

- Eu disse que ele ia fazer merda! -Paulo fala.

-Eu vou chamar Barreto. -Arthur diz correndo para o salão.

E eu subo as escadas correndo com um Paulo aflito atrás de mim.

Quando chegamos lá em cima a cara do Bernardo já está toda arrebentada. A do Daniel não é diferente. Paulo segura o Daniel e tira ele de cima .

-Me larga, ele abusou dela.

Bernardo cai na gargalhada.

-Eu abusei dela? - ele ri novamente. -mas é um corno manso mesmo.

-Seu FDP!

-Para Daniel... - fala Paulo gritando.

Barreto chega e ajuda Paulo a segurar ele. Fernanda vem para o meu lado e me abraça. Eu não havia percebido, mas estou chorando. Isso tudo é culpa minha, só minha.

-Alguem pode me dizer o que aconteceu aqui? -Arthur fala.

-O corninho pegou eu e a passarinho num momento íntimo.

-Você abusou dela. Ela estava encurralada.

-Ahhh não... O baunilha nunca viu uma trepada hardcore. Será que o tempo que ficou lá em casa não aprendeu nada?

-Eu sabia que isso não ia dar certo. Eu sabia que você não ia manter a sua palavra. Aliás, você não é homem suficiente para isso…

Bernardo levanta e olha para ele.

-O quê você disse?

-Você não suporta ver a Camila recomeçando e quis mostrar para o mundo que você ainda domina ela. Eu vou denunciar você a polícia, seu FDP! Eu aposto que você ludibriou para conseguir o que queria.

-Para de falar besteira, seu corno manso.

-Barreto acabou de me mandar uma mensagem e disse que está tudo sob controle. Então relaxa... Você não vai prejudicar o hospital. Mais pra quem me zoou porque eu meti a porrada no velhinho, você está se saindo um belo ciumento. E pior... Ela nem é sua submissa. -fala Arthur sério.

Bufo

-Eu só me defendi… Quem estava com ciúmes era ele.

-O quê aconteceu aqui Bernardo?- fala Arthur sério.

-O quê aconteceu quando a química é gigantesca e não conseguimos nos controlar. Ficamos cinco meses sem nos tocar. Quase aconteceu no seu casamento, óbvio que ia acabar acontecendo uma hora. Como ela disse foi só isso... Química!

Falo meio contrariado.

Não foi só química. Foi como retornar pra casa depois de cinco meses vivendo no limbo.

Eu preciso encontrar uma maneira de trazer Camila de volta. Porque eu descobri hoje que não consigo viver sem ela.

É... Tô parecendo o japonês falando de Sabrina. Tô pagando a língua.

Vocês não tem ideia da sensação que foi ter Camila nos meus braços.

Foi como se eu estivesse no paraíso. Mais precisamente no mundo dos unicórnios.

Eu nunca quis isso pra mim... Mas se aconteceu eu não posso simplesmente ignorar…

Eu quero viver uma vida com ela...

Só com ela…

Por mais que eu queira retornar a minha vida da onde eu parei quando a conheci. Não conseguiria. Porque parece uma outra época que não se encaixa mais. Só que ela não quer voltar pra mim… Que inferno!

-Bernardo...-Volto a Terra com Paulo me chamando.- parou de sangrar. Agora eu vou te dar um conselho… se afaste de Camila. Ela não quer mais nada com você ... Ela sim pode meter um processo em você se ficar pressionando uma aproximação.

-Eu já disse que não estava trepando sozinho.

-Mano, não importa! Será que você não entendeu! ELA NÃO QUER...Não importa que exista química ou que você esteja apaixonado. Ela não quer. Não é não.

Eu suspiro.

Ele tem razão.

Mas como vou conseguir viver longe depois do que rolou nesse quarto. Se só em conversar com ela já fico abalado. Que inferno!

*******

Camila Coelho

Tento mais uma vez mandar mensagem para Daniel, mas não consigo. A foto do aplicativo desapareceu. E eu ligo e a ligação nem completa, ou seja, ele me bloqueou. Eu não queria que ele fosse para sua missão amanhã sem conversar com ele.

-Quer mandar uma mensagem pelo meu celular?

Eu me encosto no sofá fechando os olhos.

-Não... Ele não quer falar comigo, então... Não vou insistir... Eu vou dormi Fernanda, amanhã é outro dia…

Me levanto do sofá e vejo meu celular apitar. Olho com a esperança de que seja Daniel, mas é Duda e Sabrina para saber se eu estou bem. Provavelmente o boato já correu o casamento inteiro. E eu estou na boca da família deles. Alguns devem estar animados porque Bernardo e eu estávamos juntos, outros nem tanto.

Na boa, não estou a fim de aguentar isso novamente. No casamento de Duda já foi um auê por causa daquele beijo.

-Posso deixar meu celular com você? Responde com uma mensagem gravada... Sei lá... Mas eu preciso de um tempo.

-Ok!

Me levanto para ir ao quarto e ela diz.

-Não esqueça dos remédios, Cami.

Eu confirmo e vou para a minha cama. Me sinto tão esgotada e arrasada que acho que dessa vez não vou ter problema nenhum em dormir.

Daniel não merecia isso. E isso se transforma em mais uma culpa que eu preciso carregar.

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