Camila Coelho
Continuamos comendo e de repente ele me olha e diz:
-Quanto a questão do sexo em público. É um dos meus fetiches. Eu amooo... E confesso que quando são lugares frequentados por casais baunilhas, minha adrenalina aumenta bastante. Alguma objeção?
-Não mestre!
Ele concorda e continua comendo.
-Me adiante algo que está aqui e que não cheguei ainda na minha leitura.
-Sobre cabia. Não me importo com isso. Aceito uma irmã de coleira sem problemas.
-É mesmo?!? Eu não... Sou um workaholic, uma submissa apenas me basta. Só se não der conta do papai aqui... Por isso deixei em aberto no contrato esta questão. E qual é seu motivo?
-Dê não querer estava?
-Isso…
-Acho que ninguém é de ninguém. E já tive muitos dominadores pra saber que a maioria deles não gosta de estar apenas com uma submissa.
-Eu gosto de Camila, como deu pra perceber.
-OK! -eu ponho mais um pouco de comida na boca e continuo. -Sobre meus limites. São poucos, mas são importantes.
-Continuar…
-Escuro... Eu não suporto lugares sem luminosidade, isso inclui aquelas máscaras que tampam o rosto todo de pano ou metal .
-E vendas?
-Vendas eu suporto, porque elas sempre deixam passar uma luminosidade.
-Ok... E o que mais?
-Não gosto de surpresas... Gosto das coisas bem explicadas. Surpresas me deixam nervosa.
-Ok... Mais alguma coisa?
-Dentre as coisas que estão no contrato não... Apenas isso…
-E quais são suas exigências…
-Gosto de dançar. Faço parte de um grupo de dança da academia da Bruna. Gostaria de continuar frequentando.
Ele me olha por um tempo, antes de pôr o garfo na boca e mastigar.
-Então você gosta de dança e não gosta de musculação. É isso?
-Sim mestre!
-Pratica algum esporte, além da dança?
-Gosto de nadar... Nadar me acalma…
-A mim também. Gostou da minha piscina?
-Sim... Ela é maravilhosa.
-Podemos nadar juntos…
Eu sorrio para ele...
-Sim mestre! Gosto também de ouvir música. Sempre estou com um fone de ouvido escutando algo. Eu gostaria de pedir que o senhor autorizasse isso, também me acalma…
-Desde que quando estiver comigo não fique com um fone me ignorando. Está permitido Sabrina.
Seria um provável que você botará todos os seus gostos e o que gosta de fazer... Eu preciso saber o que agrada o meu passarinho, para deixar tudo confortável na minha casa.
-Sim mestre... Outra coisa que me chamou atenção. Eu não terei um quarto…
Isso me deixou muito reticente. Como dormirei com ele o tempo todo tendo esses pesadelos constantes. Não quero que ele descubra detalhes do que aconteceu.
-Não. Durmo com minhas submissas, e quando me encho delas, elas dormem no chão no mesmo quarto que eu... Não terá um quarto só para você... Acho necessário, já que gosto de te ver ao alcance dos meus olhos o tempo todo que estiver em casa. Submissas não precisam de privacidade. Se eu quiser privacidade, você saberá como se comportar... Essas coisas de convivência, poderemos discutir quando você se mudar para lá. O contrato só aborda as coisas essenciais.
-Mestre eu tenho pesadelos. Seria melhor se dormíssemos separados.
-Falo baixinho. Mas ninguém pode me dizer que eu não avisei. É o meu lado menos glamoroso que ele vai ver.
-É daí... Já disse que não me importo com seus pesadelos.
-OK!
Ele folheia o contrato e para numa página com adesivo amarelo e um ponto de interrogação. Olha pra mim levantando a sobrancelha logo em seguida.
Ele fecha os olhos e esbraveja, batendo com o punho em cima do contrato. Eu dei um pulo de susto. Agora ele vai me odiar por ter me vendido mais uma vez. Pelo menos dessa vez foi um acordo milionário, não cinquenta reais. Rio eu mesma da minha piada.
-Porque está rindo Camila.
-Não é do Senhor... -eu balanço a cabeça tentando arrumar a merda que fiz. -Tô rindo da piada que eu mesma fiz na minha mente. Que o senhor está descobrindo que eu me vendi mais uma vez, mais que pelo menos dessa vez foi por uma quantia bilionária e não por cinquenta reais. Há hábitos que não morrem.
Tomo um pouco de água para acalmar meu coração. Bom, ele nunca quis uma pessoa sem opinião. Eu definitivamente não sou…
-Nunca mais repita isso Camila. Não se martirize pelo seu passado. Eu a proíbo de fazer isso. Você tinha que sentir orgulho de tudo que passou. Eu abaixo a minha cabeça e não falo mais nada. - Já que não posso fazer nada se não você corre o risco de ser processada, vou ter que me contentar, não é mesmo?
-Ele me pagou tudo que eu pedi, mestre, já me sinto vingada.
-Mesmo assim ele merecia uma punição, se fez com você, faz com as outras também. Isso é inadmissível. -Bem que a Lena me disse que o senso de justiça dele é enorme. Merda! -Bom, parece que resolvemos tudo né... O que não concordamos, impomos outros limites como o pós-tratamento, por exemplo. Eu concordo com os seus limites rígidos. Eles serão internacionais.
-Obrigada, mestre!
-Camila é muito importante dizer que eu não procura uma boneca sem opinião e sem conversa para me entreter. Você já me mostrou que é inteligente e posso dizer que 70 por cento dos meus motivos de te querer como minha submissa, é a capacidade que tem de conversar sobre várias coisas. Vamos passar muito tempo juntos, eu preciso de uma pessoa com opinião formada e que não tenha medo de dizer o que pensa. Não quero um fantoche, então não se torne um…
-Sim mestre!
-Só exijo completo servidão quando estivermos jogando. Fora essas horas você deve me dizer o que pensa, e ter suas próprias atitudes. O que espero de você é apenas obedecer e ela não deve ser cega... Nunca... Pessoas chatas e com personalidade medíocre me entediam. Então não quero me entediar, na mesma hora eu peço sua coleira.
Eu também não gosto de pessoas vazias, isso nós combinamos muito.
-Vai querer sobremesa?
-Não mestre, estou satisfeito!
-Então podemos ir para minha casa. Você vai ficar lá hoje comigo. Amanhã, tem autorização de voltar a sua casa e resolver tudo que precisa resolver.
-Nós não assinamos o contrato ainda…
-Não... E vamos assinar apenas quando você for em definitivo para a minha casa. Mas eu preciso te explicar algumas regras antes que você assine... Então por isso você vai ficar comigo hoje. Outra coisa que esqueci de dizer, para mim não existe uma segunda chance. Se falhar comigo, será cortado de uma vez. Se me pedir algo e depois mudar de ideia, não há espaço para mudanças de ideia. Então pense bem antes de tomar uma atitude. Ou até se quiser dizer as palavras de segurança. Depois de ditas, eu não voltarei atrás e nem deixarei você voltar. Fora os dois mantras que já te falei. "Vou te dar o que você precisa, mais exijo o que eu quero" e "só termina quando eu decidi".
Ele faz um sinal para o garçom, pedindo a conta e eu suspiro. E eu nem assinei ainda e ele já incorporou o dominador possessivo.
Isso me excita... Até demais…
-Sim mestre!
Ele desculpe…

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Redenção do Ogro
A história desse livro é muito massa e uma Pena que está postado a história toda...