— Isso, isso mesmo. Erasmo, seu pai está esperando por você há um bom tempo. Vá logo até ele — apressou-se Elisa a dizer.
Ao ouvir isso, as belas sobrancelhas de Clarice se franziram. Por que a mãe de Erasmo agia daquela maneira?
Erasmo ignorou Ezequiel e Elisa, virando-se para olhar para ela.
— Vamos, não se canse — disse ele.
Em seguida, segurou a mão dela e a conduziu em direção ao sofá da sala de estar. Era um sofá bastante longo, e Erasmo puxou-a para sentar-se ao seu lado.
Exatamente em frente aos dois estavam sentados Ezequiel e Otília Macedo.
— Boa noite, seu Ezequiel, dona Otília! — cumprimentou Clarice.
Por pura educação, ela tomou a iniciativa de saudá-los primeiro.
— Clarice, como você cresceu rápido. Amanhã é o banquete de aniversário do seu pai. Já faz anos que não nos vemos. Por que não estou vendo o seu marido acompanhando você? — perguntou Ezequiel lentamente, após erguer o olhar e encará-la por alguns segundos.
— Adelina não o avisou? — acrescentou ele, virando-se para olhar para Adelina.
Adelina estremeceu levemente, sem saber como responder naquele momento.
Clarice pensou em inventar uma desculpa, mas, para sua surpresa, Erasmo falou por ela primeiro.
— Como um homem que não foi reconhecido seria digno de cruzar os portões da Família Alves? — retrucou Erasmo.
A resposta soou extremamente fria, mas combinava perfeitamente com o estilo implacável da Família Alves.
Ezequiel olhou para Erasmo, e seu olhar tornou-se visivelmente mais severo.
Aquelas palavras carregavam uma clara dose de ironia direcionada a Ezequiel.
Por um instante, o ambiente ficou tenso. Ali estavam o atual patriarca da Família Alves e o líder designado do Grupo Financeiro Alves; ambos detinham o poder da palavra.
Ninguém ousava interromper os dois.
Em meio àquele confronto direto, os olhos de Ezequiel ao encarar Erasmo transbordavam frieza.
Aquele filho havia se mostrado extremamente rebelde desde que foi trazido de volta à família. E após cinco anos de provações e amadurecimento, ele não fazia mais questão de esconder as garras.
Ele sabia muito bem o que Ezequiel planejava para aquele dia, mas ainda assim trouxera aquela garota, segurando a mão dela e vigiando-a a cada passo.
— Não fique parada aí. Já que todos chegaram, vá chamar a velha senhora e avise a cozinha pra servir o jantar — ordenou Ezequiel, desviando o olhar para Elisa.


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