Nesse momento, o assistente abriu a porta apressadamente e sussurrou no ouvido de Orlando. Atrás dele, entravam dois policiais.
Orlando virou a cabeça abruptamente para encarar Clarice. Os policiais já estavam explicando o motivo da visita.
Eles se aproximaram de Melissa, puxando as algemas, prontos para levá-la para a delegacia.
Melissa resistia, chorando de forma desesperada, tomada pelo pânico absoluto.
— Orlando, me salve! Eu não quero ir para a delegacia!
Orlando continuava fixo em Clarice, sem conseguir entender como uma simples assistente do Grupo Financeiro Alves possuía tamanho poder de influência.
E mais, o motivo de estarem tão dispostos a agir a mando de Clarice.
Ao ver que Orlando não lhe dava atenção, Melissa percebeu que, se fosse presa em público hoje, sua vida estaria arruinada.
Ela então cobriu a barriga com as mãos e começou a gritar de dor.
— Minha barriga! Minha barriga está doendo muito! Orlando, salve o nosso bebê!
Só então Orlando saiu do transe. Os policiais também foram pegos de surpresa, sem imaginar que ela estivesse grávida.
Clarice observava a cena friamente. Melissa não corria nenhum risco real por causa da gravidez; seu objetivo era apenas dar a ela uma pequena lição.
Seu verdadeiro alvo sempre fora Orlando.
No final, a situação se encerrou com o desmaio de Melissa, que foi levada às pressas ao hospital por Orlando.
Embora ela não tivesse sido detida, as punições devidas ainda chegariam.
A intenção inicial de Clarice era acompanhar Evelise ao hospital para cuidar do ferimento na cabeça, mas assim que chegaram, o forte cheiro de desinfetante lhe causou uma dor de cabeça insuportável.
Acabou sendo Renata quem entrou com a jovem, enquanto Clarice aguardava do lado de fora.
O corre-corre se estendeu até a tarde. Sem ter almoçado, o estômago dela começou a incomodar.
A porta do carro foi aberta por fora, e um perfume frio e familiar se aproximou.
— Erasmo, como você chegou aqui?
Erasmo notou a mão dela massageando a barriga. Ele pegou a comida que havia trazido e abaixou a pequena bandeja do banco do carro.
— Sempre tão descuidada. Já tem um estômago sensível e ainda não come nas horas certas. O seu corpo sofre na sua mão.
O tom era de repreensão, mas o olhar transbordava carinho.
Clarice sorriu levemente.
— Você é sempre tão bom para mim, Erasmo.
As pontas ásperas de seus dedos, através do papel, limpavam os lábios dela com cuidado, repetidas vezes.
O olhar dele era focado, gentil e meticuloso.
Clarice ficou paralisada, permitindo que Erasmo continuasse limpando sua boca.
A forte presença e o cheiro masculino a envolviam, fazendo a temperatura de suas bochechas subir drasticamente.
Pronto, Clarice. Pelo visto, os seus pensamentos já não eram mais tão inocentes.
Acorde, ele é o Erasmo. Ele tem alguém que ama.
— Erasmo, deixa que eu mesma limpo!
Clarice esquivou-se do toque dele, tomou o guardanapo de sua mão e passou no rosto de forma desajeitada.
Ao mesmo tempo, deslizou o corpo um pouco mais para o lado.
Aquele gesto subconsciente não passou despercebido por Erasmo.
Os olhos, antes brilhantes, perderam o brilho em um instante. Ele abaixou a cabeça, forçou um sorriso leve e lentamente apertou os dedos.
Havia amargura e muita repressão naquele silêncio.

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