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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 38

Nesse momento, o assistente abriu a porta apressadamente e sussurrou no ouvido de Orlando. Atrás dele, entravam dois policiais.

Orlando virou a cabeça abruptamente para encarar Clarice. Os policiais já estavam explicando o motivo da visita.

Eles se aproximaram de Melissa, puxando as algemas, prontos para levá-la para a delegacia.

Melissa resistia, chorando de forma desesperada, tomada pelo pânico absoluto.

— Orlando, me salve! Eu não quero ir para a delegacia!

Orlando continuava fixo em Clarice, sem conseguir entender como uma simples assistente do Grupo Financeiro Alves possuía tamanho poder de influência.

E mais, o motivo de estarem tão dispostos a agir a mando de Clarice.

Ao ver que Orlando não lhe dava atenção, Melissa percebeu que, se fosse presa em público hoje, sua vida estaria arruinada.

Ela então cobriu a barriga com as mãos e começou a gritar de dor.

— Minha barriga! Minha barriga está doendo muito! Orlando, salve o nosso bebê!

Só então Orlando saiu do transe. Os policiais também foram pegos de surpresa, sem imaginar que ela estivesse grávida.

Clarice observava a cena friamente. Melissa não corria nenhum risco real por causa da gravidez; seu objetivo era apenas dar a ela uma pequena lição.

Seu verdadeiro alvo sempre fora Orlando.

No final, a situação se encerrou com o desmaio de Melissa, que foi levada às pressas ao hospital por Orlando.

Embora ela não tivesse sido detida, as punições devidas ainda chegariam.

A intenção inicial de Clarice era acompanhar Evelise ao hospital para cuidar do ferimento na cabeça, mas assim que chegaram, o forte cheiro de desinfetante lhe causou uma dor de cabeça insuportável.

Acabou sendo Renata quem entrou com a jovem, enquanto Clarice aguardava do lado de fora.

O corre-corre se estendeu até a tarde. Sem ter almoçado, o estômago dela começou a incomodar.

A porta do carro foi aberta por fora, e um perfume frio e familiar se aproximou.

— Erasmo, como você chegou aqui?

Erasmo notou a mão dela massageando a barriga. Ele pegou a comida que havia trazido e abaixou a pequena bandeja do banco do carro.

— Sempre tão descuidada. Já tem um estômago sensível e ainda não come nas horas certas. O seu corpo sofre na sua mão.

O tom era de repreensão, mas o olhar transbordava carinho.

Clarice sorriu levemente.

— Você é sempre tão bom para mim, Erasmo.

As pontas ásperas de seus dedos, através do papel, limpavam os lábios dela com cuidado, repetidas vezes.

O olhar dele era focado, gentil e meticuloso.

Clarice ficou paralisada, permitindo que Erasmo continuasse limpando sua boca.

A forte presença e o cheiro masculino a envolviam, fazendo a temperatura de suas bochechas subir drasticamente.

Pronto, Clarice. Pelo visto, os seus pensamentos já não eram mais tão inocentes.

Acorde, ele é o Erasmo. Ele tem alguém que ama.

— Erasmo, deixa que eu mesma limpo!

Clarice esquivou-se do toque dele, tomou o guardanapo de sua mão e passou no rosto de forma desajeitada.

Ao mesmo tempo, deslizou o corpo um pouco mais para o lado.

Aquele gesto subconsciente não passou despercebido por Erasmo.

Os olhos, antes brilhantes, perderam o brilho em um instante. Ele abaixou a cabeça, forçou um sorriso leve e lentamente apertou os dedos.

Havia amargura e muita repressão naquele silêncio.

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