Ainda não seria possível?
O interior do carro ficou repentinamente silencioso. Clarice observava Erasmo furtivamente pelo canto do olho.
Ela o viu apenas de olhos voltados para baixo, em absoluto silêncio. O perfil angular de seu rosto exibia uma frieza distante.
A aura ao seu redor estava carregada de tensão.
O que havia acontecido? Será que ele estava chateado?
Clarice pensou em dizer algo, mas o seu celular tocou bem na hora.
Ao pegá-lo, viu que a mensagem era de Renata.
[Renata.]
[Melissa está com ameaça de aborto, e eles agora insistem que a culpa foi sua, alegando que você a empurrou.
As câmeras de segurança do escritório curiosamente pararam de funcionar. Portanto, se eles mantiverem essa versão, a situação pode ficar um pouco complicada.]
Clarice franziu a testa. Uma ameaça de aborto em Melissa? Como isso seria possível?
A gravidez dela já estava no quarto mês, e durante toda a confusão, ninguém sequer encostara nela.
Uma ameaça de aborto tão repentina era, no mínimo, bizarra.
No entanto, era impossível forjar algo assim sob o olhar atento de Erasmo. O que exatamente estava acontecendo?
[O que eles estão exigindo?]
[Orlando quer ter uma conversa pessoalmente com você.]
[Tudo bem, estou indo para aí.]
Clarice guardou o celular, explicou a situação brevemente a Erasmo e se preparou para entrar no hospital.
— Eu vou com você.
Clarice balançou a cabeça, impedindo-o.
— Você não pode aparecer. O Orlando só age por interesse próprio, e ele ainda não pode saber sobre a nossa conexão.
— Certo. Vou mandar o Luan ir com você. Qualquer problema, me ligue imediatamente.
Clarice colocou uma máscara no rosto, suportando o desconforto, e foi primeiro se encontrar com Renata.
O ferimento de Evelise já havia sido tratado. Assim que a viu, os olhos da jovem voltaram a marejar.
— Clarice, a culpa é toda minha, eu...
— Chega, a culpa não é sua. Eles já tinham a intenção de me atingir. Você vai voltar para casa daqui a pouco.
De fato, seu bebê estava perfeitamente saudável. Não havia motivo para uma ameaça de aborto.
Se não fosse pelas ações de Clarice naquele dia, ela não teria precisado recorrer aos seus truques tão cedo.
Melissa riu friamente.
— Se você tocou ou não em mim, não importa. O que importa é que vamos dizer que você tocou, e de fato há um problema com a minha gravidez.
— Clarice, você tentou me destruir, então não vou deixar que as coisas saiam como você quer.
A carreira dela estava em plena ascensão. Orlando havia prometido que, após o nascimento da criança, investiria pesado para transformá-la em uma estrela.
Portanto, sob nenhuma hipótese ela podia ficar com passagem pela polícia.
Clarice a encarou com frieza.
— Tudo isso apenas para retirarmos a queixa, não é? Tudo bem, nós podemos retirar a queixa.
— Mas você terá que garantir que, depois disso, não vão mais procurar problemas para Evelise. Ela deve ser liberada do emprego sem obstáculos, e todas as verbas rescisórias deverão ser pagas integralmente.
Melissa ficou atônita, sem esperar que Clarice aceitasse a proposta de forma tão rápida. Quando estava prestes a concordar, a porta se abriu.
— Não, quem dita as regras aqui sou eu.

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