Clarice saiu do banheiro e não conseguia parar de pensar no que acabara de descobrir.
Estava tão absorta em seus pensamentos que até esqueceu que Renata a esperava. Só voltou a si quando uma mão pesada a puxou de repente.
— E aí, gatinha? Está sozinha? Que tal tomar uma bebida comigo?
Clarice olhou para o homem à sua frente, ficando paralisada por um breve instante.
Aquela voz, aquele tom debochado... Não era o mesmo homem que estava conversando com Melissa agora há pouco?
Clarice o observou de cima a baixo. Ele devia ter uns vinte e cinco ou vinte e seis anos, com o cabelo descolorido em três tons diferentes e três piercings na orelha.
Tinha a pele clara e até ostentava um rosto bastante atraente.
Contudo, sua aparência era, inegavelmente, a de um marginal qualquer.
Era inacreditável que Melissa tivesse engravidado de um homem daquela laia. Seria possível que o motivo de Melissa ter ido para o exterior no passado fosse justamente ele?
Mas Clarice logo descartou essa hipótese. Com a personalidade arrogante e ambiciosa de Melissa, ela jamais se envolveria seriamente com um homem daquele tipo.
— E então, linda? Já olhou o bastante? Se não for o suficiente, a gente pode encontrar um lugar mais reservado para você me admirar melhor.
Dizendo isso, ele estendeu a mão para acariciar o rosto dela. Clarice, finalmente despertando de seus devaneios, desferiu-lhe um forte tapa.
O tapa desviou a mão do homem para o lado.
— Olha só, é uma gata selvagem. Eu gosto assim. Vai ser muito mais divertido brincar com você.
Ele riu com deboche e partiu para cima dela, tentando agarrá-la à força.
Antes que Clarice pudesse revidar, o homem recebeu um soco no rosto. Ao mesmo tempo, alguém segurou o pulso dela e a puxou para trás.
Clarice levantou os olhos, pronta para agradecer, mas congelou ao perceber que seu salvador era, de todas as pessoas, Orlando.
A palavra de agradecimento simplesmente travou em sua garganta.
— Mas que porra! Quem é o desgraçado que me bateu?
O homem cuspiu no chão, esbravejando xingamentos, e partiu para cima de Orlando, desferindo-lhe um soco no rosto.
Os dois começaram a brigar intensamente.
Clarice instintivamente recuou para uma distância segura. Que caíssem na porrada até cansar, contanto que não a envolvessem na confusão.
Pelo visto, o homem claramente não fazia ideia de quem era Orlando.
Enquanto a briga fervia, Renata apareceu, atraída pelo barulho. Logo em seguida, os seguranças da casa noturna também chegaram.
Eles rapidamente separaram os dois.
Ambos estavam com o rosto inchado e cheio de hematomas. Apesar de Orlando ser alto e ter porte atlético, na realidade, faltava-lhe força física. Ele acabou sofrendo ferimentos piores do que o outro rapaz.
Clarice olhou para Orlando como se ele tivesse enlouquecido. Será que os socos haviam afetado seu cérebro? Orlando, preocupado com ela?
— Eu estou bem. Quem parece estar mal é você. É melhor ir cuidar desses machucados!
E pare de rondar por aqui, ela pensou, você está horrível e eu vou acabar tendo pesadelos à noite.
Orlando curvou os lábios em um sorriso sutil, parecendo estar de excelente humor.
— Não foi nada, não se preocupe. Foram apenas arranhões. Contanto que você esteja segura, é o que importa.
Ele concluiu que Clarice ainda se importava com ele, já que havia notado seus ferimentos.
Clarice franziu o cenho. Desde o último incidente, a atitude de Orlando havia mudado da água para o vinho.
Ele vinha usando números diferentes todos os dias só para mandar mensagens melosas.
A expressão de Clarice tornou-se ainda mais gélida:
— Já que você está bem, eu vou indo.
Orlando apressou-se a bloqueá-la mais uma vez.
— Espere. O meu aniversário é daqui a dois dias. Todos os anos é você quem organiza tudo para mim.

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