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A Tentação do Segundo Casamento romance Capítulo 44

Os movimentos de Clarice eram gentis. Ela começou limpando a palma da mão dele com soro fisiológico para remover os estilhaços menores. Havia um pedaço maior que estava profundamente cravado.

Clarice ergueu o rosto para olhá-lo.

— Erasmo, vai doer um pouco. Tente aguentar firme, está bem?

Luan deu uma rápida espiada e desviou o olhar.

Um machucadinho daqueles não era absolutamente nada para o Sr. Alves.

Erasmo assentiu. Clarice utilizou uma pinça para extrair o fragmento, o que acabou trazendo consigo um pouco mais de sangue.

Erasmo soltou um leve gemido, e a sua mão estremeceu de leve.

Clarice apressou-se a soprar suavemente o machucado.

— Me desculpe, eu apliquei força demais.

Erasmo balançou a cabeça, com um leve sorriso desenhando-se em seus lábios.

— Não foi nada, eu consigo suportar.

Clarice apressou os cuidados.

— Vou tentar ser mais rápida.

Luan e Renata trocaram olhares rápidos e desviaram a atenção em silêncio cúmplice.

Era uma cena insuportável de se observar de perto.

Graças a esse pequeno imprevisto, Erasmo não voltou a tocar no assunto dos modelos masculinos que Clarice havia contratado.

Clarice, acreditando que Adelina já havia sido mandada embora por Erasmo, também optou por não fazer perguntas.

Quando finalmente chegaram ao Parque das Acácias, já passava das onze da noite.

Paula, ao vê-los entrar, perguntou se desejavam um lanche noturno, mas ambos recusaram.

— Já está tarde. Descansem.

Clarice concordou com a cabeça, mas lançou um último olhar para a mão machucada dele.

— Erasmo, você precisa de ajuda para tomar banho?

Erasmo ergueu os olhos, lançando-lhe um olhar indecifrável.

Percebendo o peso do olhar dele, Clarice se deu conta da ambiguidade de suas palavras e tratou de se explicar às pressas:

— O que eu quis dizer é que, como a sua mão não pode molhar, eu posso ajudar!

Erasmo arqueou as sobrancelhas, exibindo um sorriso travesso que não chegou aos olhos.

Sem pensar duas vezes, Clarice entrou às pressas no quarto, procurando por ele.

Varreu o cômodo com os olhos, mas o quarto estava vazio. A luz do banheiro, contudo, estava acesa, projetando a silhueta alta de um homem através do vidro embaçado.

— Erasmo, o que aconteceu com você?

Clarice bateu na porta do banheiro e, mais uma vez, ela se abriu com um leve toque.

Erasmo estava congelado na posição de quem tentava alcançar o telefone. Seu corpo estava coberto apenas por uma toalha enrolada na cintura, e gotas d'água ainda escorriam dos seus cabelos úmidos.

A água traçava um caminho sinuoso por seu peito largo, descendo até sumir na borda da toalha.

Clarice ficou paralisada, e Erasmo estampava uma expressão de clara confusão no rosto.

Ao se dar conta do que estava fazendo, uma onda de vergonha a tomou, e ela se virou de costas bruscamente.

Começou a gaguejar:

— E-Erasmo, não foi de propósito! Ouvi um estrondo muito alto e pensei que você tivesse se machucado. Fiquei tão preocupada que vim correndo ver se estava tudo bem. Eu juro que não vim aqui espiar você tomando banho!

Ela disparou as palavras sem tomar fôlego, arfando pesadamente, com os ombros trêmulos.

Pelos céus, o que ela tinha acabado de fazer?!

Por outro lado... que corpo espetacular: ombros largos, cintura fina, abdômen definido e músculos muito bem desenhados.

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