Clarice sentiu, mais uma vez, uma ponta de inveja da futura esposa de Erasmo.
Ele pegou um roupão que estava próximo, vestiu-o e caminhou passando ao lado dela.
— Pronto. Eu não disse nada, e não é como se você já não tivesse visto antes. Aproveite que está aqui e me ajude a refazer o curativo.
Clarice só então abriu os olhos. Vendo que ele já estava devidamente vestido, percebeu que as ataduras de sua mão haviam sumido e o ferimento voltava a sangrar.
Apressou-se em segui-lo para refazer o curativo.
— Erasmo, o que foi aquele barulho de agora há pouco? Ah!
Antes de terminar a frase, sentiu os pés saírem do chão. Erasmo a havia erguido nos braços com uma só mão.
Por instinto, para não cair, ela passou os braços ao redor do pescoço dele.
— Por que você está descalça? O chão está frio.
Erasmo a colocou sentada na beira da cama, virou-se e foi buscar os chinelos dela.
Segurou suavemente o tornozelo de Clarice para ajudá-la a calçar os chinelos e, em seguida, pegou a caixa de primeiros socorros.
— Pronto. Agora cuide da minha mão.
Ele se sentou ao lado dela e estendeu a palma ferida.
Sem tempo para refletir sobre as atitudes desconcertantes dele, convenceu-se de que talvez estivesse apenas imaginando coisas.
Contudo, para quebrar o clima embaraçoso, Clarice decidiu puxar assunto.
— Erasmo, eu preciso te falar uma coisa.
— Pode falar.
— Estou pensando em me mudar para a casa da Adelina.
Erasmo ergueu o olhar para encará-la.
— Fui injusto com você em algo? Ou algum funcionário a desrespeitou?
Clarice se apressou em explicar.
— De jeito nenhum! É que eu estou com saudades da Adelina.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Tentação do Segundo Casamento