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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 149

"Érick"

Eu encerrei o meu dia de trabalho na empresa com a satisfação de ser o dono do meu universo. Se aqueles velhos leões do Conselho achavam que podiam tomar decisões por mim, eles realmente não me conheciam. E foi com essa satisfação de quem tinha dado uma lição que o Conselho não esqueceria, que o Julian, o Andrey e eu cruzamos as portas do solário na minha casa, rindo alto, ainda saboreando a imagem do Simão sendo encurralado pelos seus próprios aliados no Conselho.

Assim que entramos, eu vi a Adelaide chegando pelo outro lado, esticando o blazer do seu terninho sempre impecável. Eu tinha mais uma lição para ensinar e essa seria ainda mais divertida, eu ensinaria ao rato que ele não podia enganar o gato. Eu me abaixei e dei um beijo na minha mãe e outro na Lorena, peguei a Alice no colo e me sentei no lugar onde ela estava.

- Belas pernas, Tentação! - O Andrey se jogou na cadeira ao lado da Marcelina.

- Baby, você quer me matar, com esse vestidinho tamanho ataque cardíaco? - O Julian puxou outra cadeira e se sentou ao lado da Marcelina depois de cumprimentar as outras mulheres.

- O que é vestido tamanho ataque cardíaco, Juju? - A Alice perguntou com a curiosidade que faz todas as crianças naquela idade nos encherem de "por quês".

Eu olhei para o Andrey e o Julian como se os avisasse para ter cuidado com as palavras.

- É um vestido curto que deixa as mocinhas muito lindas, Lili. Mas você ainda não tem idade para eles. - O Julian respondeu seriamente, enquanto a Adelaide bufava na lateral.

- Eu prefiro os vestidos de princesa. Mas a Lina fica parecendo uma sereia com esse vestido, uma sereia rebelde e bagunceira. - A Alice deu uma risadinha. - A Sra. Adelaide não gosta do vestido da Lina, ela disse que é muito curto e dava pra ver a calcinha da Lina. Mas isso não é verdade, não é, Lina?!

- Claro que não, Lili. É que a Adê é um pouquinho severa e não está acostumada com vestidos como este. - A Marcelina respondeu com carinho e a Alice abriu um enorme sorriso.

- Você nem está usando calcinha, não é, Lina?! - A Alice falou aos risos.

Eu via Adelaide estremecer, o Julian e o Andrey congelarem e a Marcelina me olhar com um meio sorriso e dar de ombros.

- Lili, era um segredo! - A Marcelina piscou o olho para a minha filha que deu mais uma risadinha divertida.

- Pequena, o que você acha de ir assitir aos seus desenhos? - Eu sugeri para a Alice que me deu um beijo terno no rosto e pulou do meu colo, correndo para dentro da casa.

- As crianças repetem tudo o que escutam. - A Marcelina me olhou como se pedisse desculpas.

- É assim mesmo, daqui a meia hora ela nem se lembra mais. - Eu respondi e vi a Adelaide revirar os olhos.

É claro que ela esperava que eu chamasse a atenção da Marcelina, mas estava mais interessado em irritar a Adelaide e deixar passar uma indiscrição da Marcelina era uma das muitas maneiras.

- Como foi a reunião com o Conselho, meu filho? - A minha mãe perguntou e eu abri ainda mais o sorriso.

- Foi por isso que mandei a Alice ir ver desenhos, quero contar para vocês o que o Simão aprontou. Eu não sei de onde ele tirou tamanho absurdo. - Eu comentei.

A Adelaide petrificou. A Lorena, que estava sentada entre a minha mãe e eu, ergueu os olhos e me deu um sorriso cúmplice, ela claramente já tinha notado a tensão absurda da Adelaide e sabia o que eu ia fazer.

- É melhor vocês discutirem isso no escritório, eu vou ficar colada na minha nova amiga Adê. - A Marcelina sugeriu e se levantou com um sorriso, indo atrás da Adelaide.

Nós nos trancamos no escritório por uma hora, alinhando o cronograma de ataque da Lorena. Quando terminamos, voltamos para a sala principal e encontramos a Marcelina e a Alice andando atrás da Adelaide, que espanava um vaso de cristal com um ódio palpável.

- Que mala é essa? - O Andrey perguntou ao ver a mala da Marcelina perto da porta.

- É minha, Tigrão. Imagina que a Adê foi tão simpática que até me ajudou a fechar a mala. - A Marcelina estourou uma bola de chiclete perto da Adelaide, que apertou os olhos com força.

- Ah, Tentação, você já vai embora? - O Andrey perguntou indo em direção à Marcelina, mas foi empurrado pelo Julian que passou a sua frente.

- Por que você não passa uns dias na minha casa, Baby? A gente pode vir visitar a Lolô todos os dias. - O Julian se aproximou e passou o braço pela cintura da Marcelina.

- Marcelina, nós estamos encantados com a sua visita, fica mais uns dias. - Eu convidei.

- NÃO! - O grito da Adelaide ecoou pela sala, uma mistuira de terror, desespero e medo. Ela se virou devagar, percebendo que tinha cometido uma gafe. - Me desculpem, eu quase derrubei o vaso. Me assustei. - Ela justificou com a voz mansa.

- Ah, Adê, relaxa, você é muito tensa. - A Marcelina sorriu e tirou um chiclete do decote o entregando para a Adelaide. - Aqui, marca esse, aposto que vai te ajudar a relaxar. É de morango. Albelini, muito obrigada pela hospitalidade, eu preciso ir, mas é só me convidar de novo, eu prometo que não vou recusar.

A Marcelina estava pronta para ir embora. E, como era de se esperar, ela não passaria pela porta sem causar um terremoto pelo menos.

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