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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 209

"Adelaide"

A mansão dos Albuquerque sempre foi, para mim, o templo da verdadeira aristocracia. O oposto daquela imundície que o menino Érick trouxe para a mansão Albelini. Humpf! Mansão... aquilo nem era uma mansão, era só uma casa grande num condomínio de ricos, uma dessas construções novas e sem persopnalidade. Mas a mansão dos Albuquerque sim era uma mansão, no mais elegante do estilo vitoriano, opulenta, pé direito alto, lambris de madeira e rosetas ornamentadas no teto.

Eu olhei para a sala de jantar depois de colocar a mesa do café da manhã. O ambiente elegante de paredes azuis claras, repleto de prataria e retratos a óleo, lustre de cristal e sob a mesa um tapete refinadíssimo com arabescos desenhados e na mesma paleta das paredes. Esse foi o meu último suspiro de tranquilidade.

Aquele ambiente e a Sra. Verônica representavam perfeitamente a dignidade que eu jurei proteger. Pelo menos até esta manhã, antes do silêncio aristocrático ser estraçalhado pelos telefones fixos da casa tocando simultaneamente antes das oito da manhã, um coro estridente que parecia vir do próprio inferno. E para a minha completa desilusão, na tela do meu celular, assim como na TV da cozinha, a notícia era uma só: os negócios excusos do Sr. Simão e o caso sórdido dele com a Sra. Verônica Albuquerque, tudo tão oculto quanto a existência de um filho ilegítimo que chamava o Sr. Albuquerque de pai.

- Não! Isso é mentira! É uma armação de gente invejosa e sem o que fazer! Aposto que foi aquela maldita babá do Albelini!

O grito da Verônica Albuquerque ecoou pela casa, desprovido de qualquer refinamento. Ela estava de camisola de seda, os cabelos loiros desfeitos, arremessando todos os vasos de porcelana que encontrava pela frente. Atrás dela o marido vinha, exibindo na tela do tablet o laudo de DNA vazado e as contas secretas, exigindo explicação para as duas décadas de traição com o Simão expostas para o mundo.

Aquele homem sempre foi um cavalheiro, mas sempre foi passional demais. Ele a encarava com o olhar selvagem, exigindo uma explicação que as manchetes já tinham dado.

O filho mais velho desceu as escadas aos gritos, chamando a própria mãe de vadia imunda.

Eu paralisei no canto da sala, segurando o meu próprio celular com as mãos trêmulas. O meu estômago revirando. Uma tontura violenta me atingindo. Aquela mulher... a dama honrada que eu usei como escudo para expulsar a vagabunda da babá... era uma adúltera barata. atolada até o pescoço nos crimes financeiros do Simão que eu pensava ser um homem acima de qualquer pecado. O bastião de moralidade que eu cultivei na minha mente por vinte anos não passava de um esgoto camuflado pelo sobrenome.

- Adelaide! Pegue o telefone! Ligue para o Simão! Agora! - A Sra. Verônica berrou, os olhos esbugalhados de pânico, vindo na minha direção e me sacudindo pelos ombros. - Isso não passa de uma calúnia, uma fraude! Precisamos abafar isso. Parar as fofocas e limpar a nossa imagem.

Será que era tudo uma armação sórdida? Mas eu não tive muito tempo para pensar, o Sr. Albuquerque já estava chamando os seguranças.

- Não adianta ligar para o seu amante, Verônica! Eu recebi o dossiê esta manhã. - O Sr. Albuquerque jogou uma pasta sobre a mesa com toda a força, esparramando os talheres e a porcelana impecavelmente postos para o café da manhã. - Você é uma puta, Verônica! Uma puta! Você se casou comigo grávida de outro. Até aí tudo bem, o seu pai me pagou um bom dinheiro para assumir o garoto. Mas o que eu não esperava é que você mantivesse o casinho com o seu amante por todo esse tempo e que esse amante fosse o Simão. O SIMÃO!

- Albuquerque, lava a sua boca para falar de mim... - Ela tentou se defender.

- Cala a boca, sua piranha! - A voz grossa, pesada e carregada de desprezo do Sr. Albuquerque cortou o ar e a fez se calar.

Ele não usava o terno habitual. Estava de terno de viagem, os olhos injetados, desprovidos de qualquer traço de humanidade. Atrás dele, dois seguranças particulares de terno escuro aspareceram como se já soubessem o que fazer.

- Querido, isso é uma calúnia, eu posso explicar. - A Sra. Verônica mudou de tática ao ver que estava não adiantaria um simples teatrinho de dama ofendida. Ela tentou avançar, a voz falhando, as lágrimas descendo copiosamente pelo seu rosto.

Capítulo 209: A governanta alcoviteira 1

Capítulo 209: A governanta alcoviteira 2

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