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A vida dupla da babá: Santa de dia, Scarlat à noite romance Capítulo 273

"Érick"

Como eu fui idiota! E como eu não percebi aquilo antes? Era tudo um jogo de interesses e eu me deixei enganar pelo verniz da herdeira. Eu me esqueci que existem cobras entre as famílias da alta sociedade.

- Ah, Vicky, Vicky... agora eu acho que talvez alguns dos erros que você cometeu na MINHA empresa foram sem querer, você não é muito esperta.

- Não me ofenda, Érick!

- É você quem está insultando a minha inteligência. Você acha mesmo que um homem na minha posição se casa tão rapidamente com uma mulher sem proteger o próprio patrimônio? Ora, Vicky, vamos lá...

- Nós nos casamos em regime de comunhão de bens. - Ela me encarou afetada.

- Não, esposa, não casamos. Vicky, o que aconteceu foi muito simples, você estava desesperada para me agradar e não se deu ao trabalho de ler o pacto antenupcial que o Andrey preparou e os documentos que ele te deu para assinar para os papéis do casamento. Aliás, foi genial. O pacto prevê a incomunicabilidade entre os nossos patrimônios, ou seja, o que é seu é seu, o que é meu é meu. Tudo registrado no cartório. Nós nos casamos com separação total de bens, foi você que não leu nada... mas assinou tudo.

- Isso é mentira! Você está sendo desleal comigo, Érick!

- Ah, não, Vioctória, eu só fiz o que qualquer empresário que se preze faz, resguardei o patrimônio da minha filha.

- Quer saber, não interessa o regime que casamos, isso pode ser revisto. O que eu quero e quero ainda hoje é que você conserte as coisas na holding e faça o seu funcionário me pedir desculpas.

- Victória... - Eu respirei fundo para não perder o controle. - Primeiro, o Andrey não é meu funcionário, ele é meu sócio, meu parceiro de negócios, além de ser um amigo fiel. E segundo, já que estamos falando sobre o nosso casamento, eu quero o divórcio. O Andrey vai preparar os papéis...

- EU NÃO VOU TE DAR O DIVÓRCIO, ALBELINI! NÃO ASSIM, DE GRAÇA! - Ela gritou e os olhos dela estavam injetados de raiva.

Eu me aproximei dela, ficando a apenas um passo de distância e observei o seu rosto transformado de raiva e ambição.

- Eu pensei que você fosse outra pessoa, mas eu me enganei... ou melhor, eu me deixei enganar. Você acabou de enterrar aquele personagem que fez para me enganar. - Eu falei baixo, escrutinando cada traço do rosto dela.

- O que você espera, Albelini, que eu espere mansinha, compreensiva e pacífica que você resolva me tratar como sua esposa? Ah, não, meu querido, eu vou arrancar tudo o que é meu.

- Ou seja, nada! - Eu dei de ombros. - Você me disse, Vicky, que só queria me apoiar, que era paciente, que compreendia onde estava se metendo. Foi você quem disse. E você não é nada do que disse, não é, Vicky?!

- Eu não vou te dar o divórcio. - Ela respondeu entre os dentes.

- Não tem problema, o juiz resolve isso bem depressa. Mas vai ser muito rápido, então arrume as suas coisas, isso inclui a sua governanta, e se prepare para sair da minha casa. - Ela abriu a boca, mas eu nem esperei, estava cansado demais.

- Fico honrada, senhor. E não se preocupe, nada vai acontrecer sem que o senhor saiba. - A Maria agradeceu formamente e eu senti que estava tomando uma boa decisão em meses.

Eu teria longas batalhas pela frente e eu já sabia disso, mas pelo menos eu sabia exatemente o que deveria fazer, como se eu tivesse voltado a pensar por mim mesmo e isso foi como tomar fôlego.

Quando saí do elevador na recepção da diretoria do Grupo Albelini, a recepcionista que o Julian chamava de desastrada me olhou disfarçadamente e balançou a cabeça de forma quase imperceptível. Eu devia estar uma bagunça mesmo. Passei direto por ela e marchei a passos rápidos e estrondosos pelo corredor vazio da presidência com aquele envelope queimando em minhas mãos. Minha determinação só aumentou depois da minha discussão com a Victória.

- Bom dia. Diga ao Andrey e ao Julian para virem a minha sala agora. É urgente! Diga para deixarem de lado qualquer coisa que estejam fazendo. - Eu falei com a minha assistente ao passar por ela.

Eu entrei em minha sala e ao me sentar em minha cadeira, a primeira coisa que fiz foi ligar o meu notebook pessoal e abrir aquele maldito site. Dois minutos depois o Andrey se sentou em minha frente com o semblante sério, enquanto o Julian Beaumont ficou de pé com aquela gravata frouxa que estava se tornando um hábito, ele parecia estar quase sufocando há dias e isso estava me incomodando. Eu não fazia ideia do que ele estava carregando, já que o tinha afastado. Mas eu ia mudar isso e quebrar as barreiras que eu mesmo impus.

- Tranque a porta, Julian, e sente-se, o assunto é longo. - Eu pedi e ele deu um riso curto.

- Voltei a ser Julian? Então talvez o assunto seja interessante. Quer dizer, só essa sua cara de quem está totalmente fodido já dá uma ideia de que o seu mundinho zen desabou. - Ele trancou a porta e se jogou na cadeira ao lado do Andrey.

- Vou ter que aguentar você sendo um idiota, porque realmente você me avisou. - Eu suspirei.

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